quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Os 30 que mudaram a minha vida

A despeito do título já vou logo adiantando que ainda não sou uma balzaquiana e, portanto, os 30 que provocaram em mim uma mudança substancial não são os anos (estou próxima, mas ainda não cheguei lá). Também não são homens. Quem me dera tivesse histórias de 30 amores para contar. Mas se as tivesse já estaria com o sistema nervoso completamente comprometido. 

Os 30 aos quais me refiro e que representam um marco na minha breve existência são 30 reais. Sim, nobre leitor. Quantos 30 reais você e eu já gastamos não é mesmo? Com coisas necessárias e outras nem tanto. Mas hoje ao caminhar por uma calçada e ver várias apostilas de concurso enfileiradas em frente à banca lembrei-me desse investimento de 30 reais feito em 2004 ou 2005 e que hoje me rendeu tudo (em termos materiais) que eu tenho.

Decidi fazer o concurso para a Caixa Econômica Federal meio que no oba-oba. Todos os meus amigos estavam fazendo concurso e resolvi, meio que pra não ficar de fora, fazer também. Até então eu não tinha a menor noção de banco e/ou serviços bancários. A minha experiência em banco se resumia a uma conta que havia aberto para receber a bolsa da monitoria. 

Pois bem, diante daquela banca de revista em 2004 ou 2005 eu tinha três opções: uma apostila de 25 mangos, uma de 30 e outra de 35. Pensei com meus botões "vou pelo mediano, porque a mais barata deve ser fraquinha e se não der certo ao menos não investi muito". Comprei-a. Fui folheando a bichinha no ônibus, me afeiçoando àqueles termos esquisitos, resolvendo questões de português (que para mim eram as mais tranquilas) e em pouco tempo éramos como irmãs.

Estudava nas horas vagas. Não fui muito disciplinada, confesso. Todavia passar num concurso da Caixa há nove ou dez anos atrás era bem mais de boa do que atualmente. 

Enfim, fiz a prova com empenho. Verifiquei que havia passado na sala de internet (que na época era artigo de luxo) da UEG de Itapuranga. Sinceramente não esperava ser chamada, muito menos tão rápido. Comecei a trabalhar e tive de abdicar de muitas coisas por isso: algumas amizades, tempo para dedicar à faculdade, entre outras coisas. 

Hoje quando passei na banca de revista onde vendiam as apostilas, eu estava indo comprar uma roupa para o meu filho. Graças ao meu trabalho no banco consigo sair da minha casa própria, no meu próprio carro e comprar coisas para o meu filho que crio praticamente sozinha. 

Portanto, amigo leitor, você pode estar passando diante de uma grande oportunidade a qualquer momento. Uma decisão, por menor que seja, muda o curso de muita coisa e vai definir a sua vida por muito tempo. Não espere para começar a agir depois do carnaval.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pequenos prazeres

Dormir ouvindo barulho de chuva.
Descalçar um sapato apertado.
Acordar assustada porque o relógio não despertou e se lembrar que é domingo.
Ouvir um eu te amo do filho inesperadamente.
Olhar um passarinho no jardim.
Tomar um banho quente em um dia frio.
Cantar no chuveiro bem alto.
Achar uma moedinha na rua.
Chupar picolé de cajá com sal.
Dormir de conchinha.

Garanto que seria capaz de listar muitos outros. 
Pequenos prazeres estão nos rodeando a todo momento e raramente os percebemos.
Estamos tão encanados nos grandes prazeres que esquecemos dos cotidianos. Carro novo, viagem pra praia, viagem pro exterior, casa grande, roupas de marca, lugares sofisticados, comida requintada, corpão da hora e tudo o mais!

Tenho tido o meu pequeno prazer especial. Voltei à minha infância e me recordo dos dias vividos no interior em que eu plantava e conversava com a plantinhas. Não tive outras crianças para brincar comigo, portanto, brincava sozinha no quintal. Observava se a Dona Passarinha estava cuidando direitinho dos seus ovinhos no ninho lá na parreira. Quanto tempo as formigas gastavam pra refazer o formigueiro que eu havia destruído. Tapava o buraco dos calangos só pra eles não terem como entrar em casa. A vida de interior, antes de vídeo games, tablets, computadores nos oferecia esse tempo livre para nos dedicar ao quintal e fico feliz em poder recuperar um pouco disso.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Posts

É curioso o ato de se expressar.
Quando criei o blog queria apenas escrever. Dizer o que penso, contar histórias, lorotar...
Mas hoje o blog é meio incômodo para mim, pois, as palavras uma vez lançadas não há como recolhê-las.
Estou passando por um hearthstorm (neologismo meu para brainstorm de sentimentos) e sequer posso escrever coisas sobre ele aqui, porque tudo que eu disser, poderá ser usado contra mim no tribunal. Mas são coisas fantásticas! Que não deveriam ficar presas em mim! Bem, na verdade, são fantásticas para mim, para outros podem ser fúteis, sinceras demais, óbvias, inescrupulosas, hipócritas... vai do lugar que cada leitor ocupa no contexto.
Por exemplo, numa situação hipotética de traição. O traído tem um ponto de vista revoltado, o traidor suas desculpas (esfarrapadas) e o puto (ou puta) o seu lugar de omissão, tipo, não tenho nada a ver com isso. Há parte da plateia que diz "ah, isso é normal" e outra parte dizendo "joga pedra na Geni".
Qualquer dos cinco lugares que eu ocupar e descrever a minha opinião sobre a situação, certamente estará constrangendo algum dos outros elementos envolvidos, principalmente se ainda houver qualquer vínculo entre eles. E vínculos não são como contratos de locação com prazo de vencimento. Vínculos se dissolvem com o tempo e as circunstâncias. Portanto, peço perdão aos amigos leitores pela omissão dos posts. Ideias e lorotas tenho aos montes, apenas não acho seguro dividi-las aqui. Façamos assim: marquemos um café, aí então te conto tudo que queira saber. Por ora, só assim.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Óculos pra que te quero?

Perdi meus óculos.
Para quem usa óculos sabe a tragédia que isso representa. Primeiro, um ultraje moral, porque é lamentável se precisar de uma ferramenta para suprir aquilo que naturalmente o seu corpo já não faz mais. Solidarizo-me com os usuários de muletas, bengalas, aparelhos auditivos e outros. A nossa completude está associada a um objeto e isso é triste. O outro lado é o fático: eu não enxergo sem óculos. Sim, sim, são apenas dois graus de miopia, mas para mim representa muito! Sair sem óculos? Nem pensar! Já tenho fama de metida enxergando as pessoas, se não vê-las então, tô lascada! Sem falar da agonia de ver tudo embaçado, desfocado, tremido, borrado... como preferir. 
Comecei a escrever esse post por uma situação engraçada: coloquei meu óculos em algum lugar, mas não me lembro onde. Não enxergo de longe o suficiente para ver se está em cima da cama, ou da pia, ou do sofá e, portanto, saio tateando os móveis. Que tristeza, meu Deus! Uma jovem de 28 anos tateando móveis... Fazer o quê? Sentar na frente do computador e começar a escrever até se recordar de onde o colocou. Nem preciso dizer que não deu certo. Pois do momento em que comecei a escrever até agora nenhuma lembrança me veio à mente.
Seria cômico se ele estivesse no meu cabelo, mas já verifiquei... Não foi dessa vez que fiz papel de louca de novo! Sim, sim! Inúmeras vezes procurei o óculos bem acima da minha cabeça, pendurado na blusa, enfim... Também já entrei para o chuveiro com ele. Já o deixei cair enquanto andava e o chutei sem querer. Dormi em cima. 
Não acho óculos charmoso. Há quem goste de usá-lo, mas para mim é um estorvo. Os modelos retrô também não me apetecem. Como não gosto, obviamente prefiro os mais discretos. Agora, imagine, como pode uma pessoa que não tem a menor afeição por um objeto ser tão dependente dele? Reitero o que disse no começo, isso é ultrajante.
Bem, o desabafo está ótimo, mas eu preciso ir andando. Como não me lembrei onde o coloquei, vou ali tatear mais algumas coisas... quem sabe.