quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Água morna em 2014

Eu gosto de tomar banho em água morna. Posso, inclusive, dizer que esse tem sido o meu maior prazer: tomar banho em água morna. Que se dane se envelhece a pele! Tem sido o meu único prazer e não vou deixar de fazê-lo. E é justamente isso que me preocupa: o único. Meu Deus, o meu único prazer tem sido um banho de água morna! É muito pouco, não?! Sim, me admiro com a falta de prazeres que ando "não vivendo". Falta-me emoções, aventuras, descobertas... tudo está exatamente como o meu banho: morno.
Minha culpa? Talvez.
O que se esperar de uma empregada pública de banco com um filho para criar? Não posso me permitir muitas coisas novas e extravagantes... a vida comedida (e morna) por enquanto tem sido a melhor opção.
O que desejar para 2014? Um emprego com atividades eufóricas? viagens a lugares interessantes? uma paixão arrebatadora? Não sei se desejo tudo isso...
Queria, na verdade, apenas encontrar o prazer no pouco que tenho. Comer meu feijão com arroz e sentir seu sabor e achá-lo gostoso, dirigir o meu carro ouvindo uma música e me aprofundar nela, ir à casa dos parentes e me interessar verdadeiramente pela a vida deles, assistir a um filme com o namorado no sofá e não querer nada mais do que apenas estar ali naquele momento... Acho que é isso... 
Não quero que meu banho morno deixe de ser um prazer, apenas gostaria de encontrar prazer em tudo que faço.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal, parte II

2013 foi um ano de realização para mim. Comprei uma casa. E, consequentemente, um ano de endividamento.
Meu lema: Deus provê, Deus proverá. Vou trabalhar, dar duro e colocar as finanças em dia. Entretanto, para que isso aconteça precisarei de uma moderada dose de controle.
Muito bem, onde o Natal entra nessa bagaça toda?!
Entra quando o filho pede um presente muito além da sua capacidade financeira para o momento.
Pedro Paulo está numa fase Bendézica, tudo do Ben 10!!! Viu um tal carrinho de controle remoto do Ben 10, um Anfibious, e alucinou... surtou de vez... saiu pedindo o tal carrinho pra todo mundo! Atirando para todo lado!
-Filho, o carrinho é muito caro. A mamãe não pode comprá-lo para você.
-Ah, você dá um pouquinho de dinheiro, a vovó dá um pouquinho de dinheiro, o vovô dá um pouquinho de dinheiro e a gente compra ele!
Apesar de ficar tocada com as noções de cooperativismo do meu filho, além da questão financeira, não acho correto dar um presente tão caro a uma criança de 4 anos. 
Pois bem, mas mães são criaturas iluminadas pela criatividade divina e acho que me saí muito bem. Leiam a história:
Domingo à tarde fomos ao shopping e ele pediu o tal carrinho ao Papai Noel - que a propósito, fez um sinal de positivo com a mão, Papai Noel Filho da Puta! Fica fazendo positivo pras crianças... e os pais que se virem/ferrem, né, Bom Velhinho Sacana? À noite, para reforçar o propósito, ele escreveu uma carta para o Fela e pendurou na janela. No outro dia de manhã peguei a tal carta, uma folha com vários círculos... que quem visse pensaria que ele estava pedindo um saco de bolas de gude, mas enfim...
Quando acordou, foi olhar na meia da janela se o Papai Noel havia pego sua carta.
Pois bem, cá estava a mãe, com uma carta, um desejo, um princípio e quase nenhum dinheiro. Mas eis que tudo é providencial. No banco estava acontecendo um bazar e o que encontrei por lá? O quê? Não, não era o Anfibious que ele queria, mas era um carrinho de controle remoto do Ben 10, pelo preço de 10% do pretendido. Comprei-o e torci para que desse certo.
Embrulhei e pendurei na janela, na noite de segunda para terça mesmo... porque queria logo ver a reação dele, se ia colar ou não. 
Foi linda a reação. Ele adorou! Ficou super feliz com a passagem do Papai Noel que trouxe o que ele tinha pedido! Foi tão lindo quanto na Páscoa quando fiz as pegadinhas de coelho até o ninho de ovos de chocolate.
Ser mãe tem sido uma das melhores experiências da minha vida. A inteligência do meu filho me encanta dia após dia. E é curioso como a gente se doa e se supera com essas coisinhas de Deus.
Espírito natalino deve ser isso, reconhecer a grandiosidade de Deus nas pessoas... Eu faço isso por meio do meu filho.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Natal, parte I

Tentando intimidar/chantagear meu filho:
-Rêêê, fiiilho... O que será que Papai Noel ia pensar se visse isso que você fez, hein?
-Não quero saber da opinião dele. Eu quero é o presente.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Joio e trigo

Hoje eu conversava com uma amiga sobre coerência.
Ser coerente é não discrepar em suas falas, pensamentos e/ou atitudes. É ser condizente nesses três aspectos.
Fácil?
Não, não é.
Mas a incoerência chama mais a atenção do que aquela maldita casquinha de feijão preto no dente ou do que um sapato fúcsia. 
Eu mesma vivo reparando as pessoas e julgando-as. Não todos. Tenho os meus preferidos. Gosto dos hipócritas. Gosto daqueles que acham que não estamos vendo o que estão fazendo. Gosto de julgar mentalmente e condenar à prisão perpétua. 
Imagine vocês um pastor. Um ídolo para seus fiéis. Uma reputação ilibada que prega a mais alta moral entre seus súditos... comendo menininhas fora do casamento.
Imagine o chefe, algoz dos bons costumes na empresa. Implicado até com os que deixam o posto momentaneamente para ir ao banheiro, implacável com as horas extras na empresa... roubando dos próprios sócios.
O gostosão pagando de bacana, comendo em lugares chiques, viajando mundo a fora, só na bebida importada e roupas de grife... devendo cheque especial, cartão de crédito e consignado para o banco e com nome sujo na praça.
Sim, amigo leitor, eu gosto de julgar grandes casos como esses. 
Não fico me atendo a eventos esporádicos e justificados de corrupção, pecadinhos cotidianos, mesmo porque, eu também peco. Mas a minha diversão está em observar até que ponto esses incoerentes conseguem levar seus feitos. O pastor vai pegar as menininhas até que alguma fiel o denuncie e sua reputação seja abalada para o resto da vida? O empresário vai roubar do sócio até que o outro perceba que algo está errado? O gostosão vai assumir que metade das coisas que ele tem não são, de fato, dele?
Escrevendo essa lorota, lembrei de um hit dos anos 90: 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Saída pela tangente

O Leão da Montanha foi um ícone na criação de muita gente.
-Saída pela esquerda! - dizia ele.
Tangenciar também é ótimo negócio para os evasivos. Flerta com o cateto oposto e com o cateto adjacente ao mesmo tempo. Não concordo, nem discordo... muito pelo contrário. Dúbio até mandar parar.
Sei ser evasiva quando me convém, mas o fato é que, na maioria das vezes, prefiro enfrentar.
Homem é diferente. Para eles a melhor saída e mais rápida é sempre correr. Corra, Forrest, corra!
Leão da Montanha é masculino. Forrest Gump é masculino. Basta digitar a expressão "Tô caindo fora" no Google e verá a resposta: os cinco primeiros resultados são de músicas cantadas por homens, a sexta é cantada pela Ana Carolina (o que dá quase na mesma).
Portanto, é com toda propriedade, vivência e conhecimento de causa que afirmo que homens são evasivos.
Entretanto, há alguns piores que outros.
Há aqueles que não evadem apenas no sentido de dar um retorno esperado diante de uma situação. Há os piores, o que botam os seus sentidos em "off" quando preveem uma situação razoavelmente complicada. Desligam olhos, nariz, boca e ouvidos... hibernam acordados.
Pois bem, ao evasivos do meu coração, saibam que a paciência feminina tem limites... e estão cada dia mais curtos, curtíssimos, curtérrimos... E se o dia que vocês resolverem voltar dessa corrida, não encontrar ninguém, saiba que a mulher também evadiu. Mas quando ela o faz, faz de verdade.