sábado, 30 de novembro de 2013

A vez do exercício (de novo)

Eu sou um fracasso!
Sim fracassei todas as vezes que tentei me exercitar.
Nunca consegui me entusiasmar com uma atividade física por um ano inteiro - e olha que já vivi 28 deles!
Não levo jeito para esportes coletivos. Cobro muito de mim mesma e assim o faço quando passo um passe errado, ou perco uma bola, ou simplesmente por não estar no lugar certo na hora em que eu deveria. E, pra ser sincera, não tenho um espírito competitivo muito acirrado.
Baseada nisso, há dois anos, quando tive um princípio de tendinite nos pulsos, o médico me disse categoricamente "você precisa se exercitar e tem que ser algo que goste, porque tem de ser pelo resto da vida". Aí eu surtei: as palavras "exercitar" + "goste" + "resto da vida" parecem extremamente incoerentes para mim quando colocadas num mesmo contexto.
Bem, mas ordens médicas são ordens médicas. E eis que depois de muito matutar acerca de algo "para o resto da vida" cheguei à conclusão de que seria capaz de pedalar, já que pedalei quase a minha vida inteira no interior, aqui não haveria de ser diferente!
Todavia, foi. Comprei minha bike e comecei a pedalar. Tudo ia bem até a famigerada trilha de 64km. Fiz uma trilha que estava muito acima da minha capacidade para o momento. E eu não sou exatamente o tipo de pessoa que gosta de superar desafios. Larguei a bike. Ainda não tive coragem de vendê-la, porque me apraz muito os passeios noturnos pela cidade... e pretendo voltar a fazê-los... em breve... promessa! Não to brincando! Um dia eu volto! Volto mesmo! Eu vou conseguir! Vou superar a minha preguiça. Vocês vão ver só... (Essas sim são palavras promessas que ficam bem no meu contexto de atividades físicas.)
Mas a motivação desse texto é para dizê-los que comecei a malhar em uma academia. 
Yeeess! We have bananas!!!
Não canso de me surpreender com minhas atitudes de tempos em tempos! E, pior, os três primeiros meses já estão pagos! Pior ainda? Comprei até roupa e tênis! Meu Deus, eu sou um fenômeno da natureza! Deveriam dissecar meu cérebro e estudá-lo quando eu morrer! Como que uma pessoa com extrema aversão à atividades físicas toma uma atitude dessas?!
A resposta vem da sinceridade de uma criança:
-Mamãe, eu acho que você vai ter outro neném...
-Que filho?
-Você tá barriguda. Acho que vou ter um irmãozinho. Um, não! Dois! Acho que tem dois nenéns aí dentro...
Bem, a vontade é de sair dando voadeira e bordoada pra todo lado, é óbvio. Mas me contive e agradeci - mentalmente é claro, pra ele não se acostumar com esse alto índice de sinceridade. 
Enquanto minha mãe, meu namorado, meus amigos e outros dizem "imagina! você tá magrinha!" meu filho corrobora com meu sentimento de corpo disforme. Estou barriguda e isso é fato! Um fato que não me pertence! Se eu pudesse, regurgitaria cada copo de cerveja, picanha e cupim que se apossou de mim nos últimos seis meses! Cada prato de lasanha, batata frita, pamonha e refrigerante! Costela no bafo, torresmo, feijão tropeiro e mandioca. Hummm... que fome!
Opa!
Mas voltando aos exercícios, façam suas apostas e vejamos quanto tempo vai durar esse novo propósito e se terei de dar o braço a torcer e arrumar os irmãozinhos para o Pedro! Vejamos!

domingo, 17 de novembro de 2013

Procuração

Estou passando uma procuração para quem se interessar a responder aos questionamentos do meu curioso filho.
Cargo: Respondedor de perguntas
Salário: Satisfação de estar contribuindo para o crescimento de uma criança
Formação requerida: PhD em Harvard ou Oxford em Pedagogia
Temas: Assuntos diversos que envolvam coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar, além de português, matemática, história, geografia, biologia, ensino religioso, educação física, OSPB, moral e cívica, filosofia, sociologia, mitologia, artes, também magia e meditação e o que mais aparecer.

Tive essa brilhante ideia ao ter de responder mais algumas daquelas perguntas que me deixam atônita, ou seja, sem saber por onde começar.

-Mãe, por que o óleo pega fogo e o leite não pega?
-Como é que se fabrica chiclete?
-Como é que a bosta é feita na nossa barriga?
-Como é que é feito esse franguinho (Nuggets)?

Eu sei, eu sei... é lindo o processo de aprendizado da criança. Mas, e eu? Como é que eu arranjo respostas para perguntas como essas? Você, nobre leitor que me julga, sabe o processo de fabricação do chiclete? Sabe qual a matéria-prima utilizada? Claro que não! Imaginei mesmo... E o pior, é que as perguntas não param por aí. Observe o diálogo ao tentar responder à terceira pergunta:
(Nota: eu estava dirigindo.)

-Filho, quando nós comemos colocamos a comida na boca e mastigamos, mastigamos, mastigamos até virar uma massa, não é?
-Uhum.
-Aí a gente engole aquela massa, ela passa aqui pela garganta e vai descendo até chegar no estômago, que fica na barriga.
-Mas e o pulmão? A comida passa no pulmão também? Aí eu tusso!
-Não, filho. Tem uma mangueirinha que liga a garganta até o estômago que passa entre o pulmão.
-Aí a bosta fica no estômago?
-Não, no estômago aquela massa que era a comida recebe um suco (ops! falei demais!)... recebe um líquido que ajuda a derreter a comida... (ufa! ainda bem que ele não percebeu!)
-Suco de quê, mãe? Laranja?
-Não, meu amor, é um líquido que o estômago produz que chama suco gástrico que ajuda a derreter a comida. Aí aquela mistura vai pros intestinos, lembra do intestino do porco lá na roça, que a gente usou pra fazer linguiça? Então... ela vai indo, indo, indo dentro do intestino até virar cocô e sair no fiofó.
-Hahahaha!!! Fiofó! Mamãe, ontem eu fiz um cocô grandããããoooo...
-É, filho, que bacana!
E a mãe segue com aquela velha e ruim sensação de que a explicação não foi satisfatória. Paciência...