sexta-feira, 31 de maio de 2013

Completude

Ando numa fase extremista. Ultimamente não tenho gostado muito dos meios-termos. Linhas tênues me deixam nervosa. Não quero meios amigos, não quero meia felicidade, não quero meio amor, não quero um sexo meio bom. Por isso que quando tenho de me sujeitar a meias experiências ou meios sentimentos fico de nariz torcido. Aperta lá dentro, no coração. Eu quero o que há de mais completo no mundo!!! Bom ou ruim, mas que venha por inteiro. Desprezo completo, raiva completa, mágoa completa, amor por inteiro, felicidade por inteiro, viver por inteiro é o que eu quero. As metades não têm me bastado.

Mas até para ser completa é preciso tempo...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O primeiro pôr-do-sol

Voltávamos de um passeio quando meu neguinho, sentado na cadeirinha no banco traseiro, me faz a seguinte pergunta:
-Mamãe, que que é aquilo? - apontando para frente.
-Aquilo o quê, amor?
-Aquele negócio lá na frente!
-Que negócio, meu bem?
-Aqueeele laranjado.
Ele se referia ao céu. Nunca tinha observado o céu alaranjado do sol se pondo no horizonte. Por um momento parei para observar o quanto realmente estava lindo e fiquei chateada porque eu mesma havia deixado de repará-lo. Não era a primeira vez que eu o via - como o Pedro, aos quase quatro anos de idade. Entretanto, por muito tempo deixei de contemplar essas coisas e não tenho passado isso ao meu filho. Não é uma mea culpa, trata-se apenas de uma advertência para mim mesma de que o mundo é lindo e cabe a mim mostrar isso ao meu filho o quanto antes.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Odeio limão

Cheguei a uma brilhante conclusão: limão não me faz bem.
Cerveja não me deixa de ressaca, vinho deixa uma ressaquinha bem pequenininha, whisky é tranquilo... mas o tal limão... pelo-amor-de-Deus!!!! é do Demônio!!!
Tomei um drink docinho de morango, gostoso que só... depois tomei mais um com soda e curaçau blue... outro de moranguinho... até aí, tudo certo.
-Me vê mais uma paradinha daquelas, meu amor (meu amor era como eu chamava o barman àquela altura do campeonato).
-O morango acabou.
-E o que você tem aí?
-Limão.
-Ah, então faz esse negócio de limão aí mesmo.
-Vodka ou cachaça?
-Tanto faz.
Pronto. Daí pra frente a coisa degringolou geral. Por que eu não parei? Por quê??? Culpa do Belzebu que escolheu o limão para ser a sua casa. O Encardido está escondido entre os gominhos daquela fruta pestilenta! Juro solenemente neste blog que nunca mais deixarei um único limão sequer me prejudicar. Tenho dito!

domingo, 26 de maio de 2013

Purtugueis

No Facebook:
-O jeito é ir dormir pra fazer mais uma provinha amanhã. Seja o que Deus quizer.
Deus pode até querer que ela passe, mas a banca já não sei.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A chegada do sol, parte II

Por duas semanas ela o observou. Do assento próximo à janela via-se todo o recinto, mas apenas a cadeira dele a interessava. Fitava a forma como ele colocava a Bic azul na boca e ficava balançando entre os dentes, tamborilando algum ritmo, provavelmente samba. Ele tinha cara de que gostava de samba, do bom samba - daquele feito por Adoniran Barbosa, não pagode do Soweto - das letras bem escritas, das canções melódicas e vibrantes ao mesmo tempo. Ela observava como ele sempre deixava uma perna no chão e a outra apoiada na cadeira da frente, de tempo em tempo invertendo-as. Anotava pouco do que o professor dizia. Chegava sempre atrasado, saía sempre mais cedo. No intervalo ia ao banheiro, tomava água no bebedouro, lanchava esfiha (um dia de frango, noutro de carne) e Coca-cola. Retornava para o seu lugar, conversava com alguém e a aula reiniciava.

Dez dias úteis - e como foram úteis! - se passaram até que no ônzimo dia ela se aprochegou do rapaz. Já tinha o roteiro pronto: perguntaria se ele havia anotado a matéria de tal dia porque ela havia faltado e tal...

-Oi! Jóia? Você anotou o conteúdo da aula de quinta-feira? Eu não vim...
-Ah, claro! - respondeu solícito - Não anoto muita coisa, mas tá aqui o que eu escrevi.
-Obrigada!

Folheia com muito interesse as páginas. Anota uma ou outra coisa e o devolve.

-Puxa, deu pra entender tudinho! Você anota muito bem. Agora posso faltar aula tranquila que já sei de quem pegar o conteúdo.
-Eu mato mais aula que você.
-Humm, como é que você sabe?
-Até hoje todos os dias que eu vim, você também veio.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A chegada do sol, parte I

Da janela ela via uma pontinha da lua. Tão alva, tão distante, tão linda. Olhá-la proporcionava-lhe uma sensação de bem-estar. Era como se aquele satélite lesse o que se passava dentro dela e preenchesse o imenso vazio que sentia durante o dia. Mas a noite sempre vinha e com ela a alva lua, enchendo-lhe o coração de alegria solitária e paz.

Mas um dia a luz se apagou. Não sabemos se apagou ou se a mulher deixou de notá-la...  estava tão absorta por outra alegria que, de repente, entrava na sua vida. 

Era ele. O cabelo não era loiro, nem preto. Espera. Tinha cabelo? Ela não se lembra. A única memória que lhe vem à cabeça é a do seu coração palpitando. Espera. Tinha cabelo, curto, sim era curto. Barba por fazer. Olhar tímido. Bonito.

Ele se senta e a lua se vai - para longe dos olhos da mulher.

Monteiro Lobato dança quadradinho de 8

Em alguns momentos duvido dos meus valores, daqueles conceitos que trago dentro de mim desde pequenininha. Isso acontece porque quando vejo um monte de gente aplaudindo coisas que eu não aplaudo e vejo outras condenando coisas que eu não condeno, começo a me perguntar se a errada sou eu ou o mundo.

O quadradinho de oito. Ver essa nojeira na tevê, sendo aplaudida pelo público, replicada pelos programas, aclamada pelos apresentadores faz com que eu coloque em xeque primeiro o bom gosto alheio e segundo a decência dos meios de comunicação (leia-se, tevê brasileira). 

Li na Carta Capital dessa semana mais um artigo falando das obras de Monteiro Lobato que se tornaram inapropriadas para as crianças por ter cunho preconceituoso, principalmente ao falar da cor da pele da Tia Anastácia. Não entendo como que falar que uma pessoa preta é preta pode ser expressão de preconceito. Não se pode falar que um gordo é gordo? Que um míope é míope? Sou contra o racismo e o preconceito expresso, por exemplo, quando alguém fala "Sai daqui, seu preto!". Isso pra mim é racismo, agora dizer "Tia Anastácia era preta como um macaco", não soa - ao menos aos meus ouvidos - como um ato preconceituoso. Se dissesse que ela era "esguia como a Giselle" tava tudo certo, aí seria elogio, né?

Portanto, a minha indignação é acerca do fato de que insinuar sexo na tevê por meio de danças cada vez mais indecentes, isso pode. Mas incentivar a literatura, mesmo que com traços não "adequados" aos dias atuais, isso não pode.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Teatro

(Cena 2: Sai Lulu, entra Drummond.)

A flor e a náusea

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
É feia. Mas é flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
 
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dê-me somente o que é meu

Sempre sofri de cobrança. A pior de todas: a autocobrança. Digo que ela é pior, porque além de exigir coisas de mim mesma - com a melhor qualidade e o menor tempo - tratava de incutir na minha cabeça que os outros também depositavam em mim suas expectativas, ou seja, sofrimento em dose dupla.

Se se cobrar traz desconforto, o processo de tomada de consciência e ruptura também o traz. É uma faca de dois gumes, só que de um lado é uma lâmina finíssima de corte preciso e de outro uma lâmina grossa, cheia de dentes e enferrujada.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Se quiser se casar com seu sogro, esqueça!

Hoje no trabalho houve uma situação em que me lembrei que, durante meus estudos do Código Civil, li certa vez que não há dissolução de parentesco com a extinção do casamento ou união. Ou seja, você pode até ter ex-marido, mas nunca terá ex-sogro ou ex-sogra. (Sifu, mermão!) Isso mesmo. Carma é carma.

Daí, afim de relembrar meus conhecimentos procurei no Google e veja só a primeira coisa que apareceu:

Eu sei que pode parecer muito tentador o casamento com o sogro, não é mesmo, meninas? Olhe bem para aqueles fios branco do bigode, entrando boca a dentro. Imagine a sua linda dentadura (com seus também lindos dentinhos) repousando dentro de um copinho com água na cabeceira da cama. Aquela barriguinha sexy esticando os botões da camisa (que foi branca um dia) bem fininha, quase puída porque é a que ele mais gosta e, portanto, usa todos os dias. E o pezinho que você deverá massagear todos os dias? Tem de lixar os calos, cortar as unhas e tirar aquele "sebinho" que fica debaixo delas. O cheiro? Ah, o chulé dele cheira a alfazema, né? Você chega toda sorridente com a tesoura para aparar os cabelos do sovaco, e ele diz: tá doida, mulher? isso é coisa de viado! Mas a principal vantagem mesmo é que você não precisará se preocupar com cuecas limpas para ele, afinal, ele nunca as usa.
De fato, o Código Civil está se tornando obsoleto.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O sentido do -ona

Conforme prometido, explicarei hoje as diversas aplicações do sufixo -ona. 
Além de formar o feminino de algumas palavras terminadas em -ão, o -ona tem uma função emblemática para a mulher de meia idade.
É raro ouvirmos que uma mulher, que como diz a minha vó, dessas que já passaram do meio-dia, é uma pessoa bonita, nova, enxuta, ajeitada,... Nããããooo!!! Sempre ouvimos "Fulana tá novona!", "Nossa, viu o tanto que ela tá ajeitadona?", "Rapaz, tô pegando uma coroa enxutona." e "Que isso, menina? Você ainda tá bonitona."
Por favor, cravem uma faca no meu peito antes que eu ouça qualquer uma dessas expressões. O -ona utilizado assim sugere (por parte apenas de quem fala -  que isso fique bem claro!) um eufemismo, uma forma de suavizar a situação. Mas para mim, que já sei o seu real significado, isso é um xingamento. É como se o interlocutor dissesse: você está meio velhinha, mas ainda dá um caldo! 
O negócio é o seguinte, se for elogiar por educação é melhor que nem elogie! Fica na sua e poupe o seu -ona para a poltrona, lona, azeitona, cafona, acetona, mamona,... entre outras.

domingo, 5 de maio de 2013

O que dizer a uma mãe

Certa vez, revoltadíssima, postei aqui um texto em que falava do preconceito escrachado às pessoas com filhos. Eu sei que esse tem sido um tema recorrente neste blog. Perdoem-me os meus leitores, mas é que minha vida, depois que saí do caixa, não tem sido permeada de fatos muito interessantes - não que o caixa fosse interessante, mas ao menos era engraçado.

Portanto, permitam-me escrever mais uma vez sobre a reação das pessoas quando eu digo que tenho um filho. Só que dessa vez foram dois fatos que me deixaram contente. O primeiro, obviamente, veio daquelas pessoas lindas, maravilhosas e educadas que dizem: "Nossa, é seu filho? Puxa mas você é tão novinha! Tão magrinha." Não sei se é verdade e nem quero saber. Prefiro ser feliz na ignorância. Todo mundo sai lucrando numa situação dessa: a pessoa é abençoada por mim, eu fico com a autoestima em dia e o Pedro com o privilégio de ter uma mãe "novona". (Meu próximo post será sobre o sufixo -ona, uma análise interessante da sua empregabilidade.)

O segundo é o seguinte:
-Não posso ir. Preciso ficar com meu filho.
-Você tem filho?! Puxa, que bacana!
-Tenho um rapazinho de três anos.
-Adoro criança. Tenho um sobrinho dessa idade. É a melhor coisa do mundo! Leva ele, uai!
Não estou dizendo que o cara me conquistou e estou perdidamente apaixonada, mas ouvir alguém tão receptivo ao fato de ter um filho me deixa feliz também. Não tanto quanto dizer que sou novinha, maaass... já serve!

Portanto, amigos, cuidado com o que dizem. Algumas mães têm ouvidos atentos e um algoz trabalhando no departamento de interpretação de textos do cérebro. Uma palavra na hora certa e as portas do paraíso se abrem e São Pedro na entrada te entrega a chave da suíte presidencial com um Chandon. Mas uma palavra mal colocada, num momento impróprio, te faz beber Velho Barreiro no inferno.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Aquiiii agooooraaa

Hoje resolvi fazer uma postagem decente. Contei nada mais nada menos que seis textos pré-escritos, rascunhados para quiçá (leia-se: nunca) serem publicados um dia. Mas esse é diferente. Preciso postá-lo. Preciso provar para mim mesma que ainda sei escrever coisas mais ou menos legíveis, sabe como é, né? fazer jus à meia dúzia de leitores que ainda me visitam - a vocês, meu muito obrigada!

A ansiedade me consome. Sempre me consumiu. Talvez, por isso, eu não tenha me casado ainda. A vontade de resolver as coisas de modo tempestivo repele o acontecimento natural dos fatos. A culpa é da minha cabeça que insiste em falar mais alto que o meu coração. Se bem que, às vezes, desconfio que o meu coração seja um trouxa! um mongol que sequer sabe o que quer! #prontofalei

E não aprendi a lição. Ando sempre tão afobada com o destino final que deixo de curtir a viagem. Tento me policiar, mas eu me driblo muito bem. Já jogou xadrez contra você? É assim que me sinto: mal começo a terminar de pensar a minha jogada e meu outro eu já está bolando a defesa... assim... em ritmo acelerado.

Por que estou escrevendo isso aqui hoje? Para receber palavras de conforto? de solidariedade? talvez um "é, Ana, eu também sou assim"... Contudo, vou logo dizendo que isso não muda nada! Se você também tem essa neura, desculpe-me, mas é problema seu! Não é falta de educação, não, é sobriedade de entender o grito de guerra: "ema, ema, ema, cada um com seus problemas". Não espero que nenhum de vocês resolva esta circunstância por mim e nem precisa por a mão no meu ombro. Eu vou suportar. Eu sou forte. Respondendo à minha própria pergunta, estou escrevendo este post para dar vender um conselho (imprima seu boleto aqui): viva o presente - não que seja fácil, mas ao menos tente - porque a vida está aqui e agora.