quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Água morna em 2014

Eu gosto de tomar banho em água morna. Posso, inclusive, dizer que esse tem sido o meu maior prazer: tomar banho em água morna. Que se dane se envelhece a pele! Tem sido o meu único prazer e não vou deixar de fazê-lo. E é justamente isso que me preocupa: o único. Meu Deus, o meu único prazer tem sido um banho de água morna! É muito pouco, não?! Sim, me admiro com a falta de prazeres que ando "não vivendo". Falta-me emoções, aventuras, descobertas... tudo está exatamente como o meu banho: morno.
Minha culpa? Talvez.
O que se esperar de uma empregada pública de banco com um filho para criar? Não posso me permitir muitas coisas novas e extravagantes... a vida comedida (e morna) por enquanto tem sido a melhor opção.
O que desejar para 2014? Um emprego com atividades eufóricas? viagens a lugares interessantes? uma paixão arrebatadora? Não sei se desejo tudo isso...
Queria, na verdade, apenas encontrar o prazer no pouco que tenho. Comer meu feijão com arroz e sentir seu sabor e achá-lo gostoso, dirigir o meu carro ouvindo uma música e me aprofundar nela, ir à casa dos parentes e me interessar verdadeiramente pela a vida deles, assistir a um filme com o namorado no sofá e não querer nada mais do que apenas estar ali naquele momento... Acho que é isso... 
Não quero que meu banho morno deixe de ser um prazer, apenas gostaria de encontrar prazer em tudo que faço.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal, parte II

2013 foi um ano de realização para mim. Comprei uma casa. E, consequentemente, um ano de endividamento.
Meu lema: Deus provê, Deus proverá. Vou trabalhar, dar duro e colocar as finanças em dia. Entretanto, para que isso aconteça precisarei de uma moderada dose de controle.
Muito bem, onde o Natal entra nessa bagaça toda?!
Entra quando o filho pede um presente muito além da sua capacidade financeira para o momento.
Pedro Paulo está numa fase Bendézica, tudo do Ben 10!!! Viu um tal carrinho de controle remoto do Ben 10, um Anfibious, e alucinou... surtou de vez... saiu pedindo o tal carrinho pra todo mundo! Atirando para todo lado!
-Filho, o carrinho é muito caro. A mamãe não pode comprá-lo para você.
-Ah, você dá um pouquinho de dinheiro, a vovó dá um pouquinho de dinheiro, o vovô dá um pouquinho de dinheiro e a gente compra ele!
Apesar de ficar tocada com as noções de cooperativismo do meu filho, além da questão financeira, não acho correto dar um presente tão caro a uma criança de 4 anos. 
Pois bem, mas mães são criaturas iluminadas pela criatividade divina e acho que me saí muito bem. Leiam a história:
Domingo à tarde fomos ao shopping e ele pediu o tal carrinho ao Papai Noel - que a propósito, fez um sinal de positivo com a mão, Papai Noel Filho da Puta! Fica fazendo positivo pras crianças... e os pais que se virem/ferrem, né, Bom Velhinho Sacana? À noite, para reforçar o propósito, ele escreveu uma carta para o Fela e pendurou na janela. No outro dia de manhã peguei a tal carta, uma folha com vários círculos... que quem visse pensaria que ele estava pedindo um saco de bolas de gude, mas enfim...
Quando acordou, foi olhar na meia da janela se o Papai Noel havia pego sua carta.
Pois bem, cá estava a mãe, com uma carta, um desejo, um princípio e quase nenhum dinheiro. Mas eis que tudo é providencial. No banco estava acontecendo um bazar e o que encontrei por lá? O quê? Não, não era o Anfibious que ele queria, mas era um carrinho de controle remoto do Ben 10, pelo preço de 10% do pretendido. Comprei-o e torci para que desse certo.
Embrulhei e pendurei na janela, na noite de segunda para terça mesmo... porque queria logo ver a reação dele, se ia colar ou não. 
Foi linda a reação. Ele adorou! Ficou super feliz com a passagem do Papai Noel que trouxe o que ele tinha pedido! Foi tão lindo quanto na Páscoa quando fiz as pegadinhas de coelho até o ninho de ovos de chocolate.
Ser mãe tem sido uma das melhores experiências da minha vida. A inteligência do meu filho me encanta dia após dia. E é curioso como a gente se doa e se supera com essas coisinhas de Deus.
Espírito natalino deve ser isso, reconhecer a grandiosidade de Deus nas pessoas... Eu faço isso por meio do meu filho.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Natal, parte I

Tentando intimidar/chantagear meu filho:
-Rêêê, fiiilho... O que será que Papai Noel ia pensar se visse isso que você fez, hein?
-Não quero saber da opinião dele. Eu quero é o presente.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Joio e trigo

Hoje eu conversava com uma amiga sobre coerência.
Ser coerente é não discrepar em suas falas, pensamentos e/ou atitudes. É ser condizente nesses três aspectos.
Fácil?
Não, não é.
Mas a incoerência chama mais a atenção do que aquela maldita casquinha de feijão preto no dente ou do que um sapato fúcsia. 
Eu mesma vivo reparando as pessoas e julgando-as. Não todos. Tenho os meus preferidos. Gosto dos hipócritas. Gosto daqueles que acham que não estamos vendo o que estão fazendo. Gosto de julgar mentalmente e condenar à prisão perpétua. 
Imagine vocês um pastor. Um ídolo para seus fiéis. Uma reputação ilibada que prega a mais alta moral entre seus súditos... comendo menininhas fora do casamento.
Imagine o chefe, algoz dos bons costumes na empresa. Implicado até com os que deixam o posto momentaneamente para ir ao banheiro, implacável com as horas extras na empresa... roubando dos próprios sócios.
O gostosão pagando de bacana, comendo em lugares chiques, viajando mundo a fora, só na bebida importada e roupas de grife... devendo cheque especial, cartão de crédito e consignado para o banco e com nome sujo na praça.
Sim, amigo leitor, eu gosto de julgar grandes casos como esses. 
Não fico me atendo a eventos esporádicos e justificados de corrupção, pecadinhos cotidianos, mesmo porque, eu também peco. Mas a minha diversão está em observar até que ponto esses incoerentes conseguem levar seus feitos. O pastor vai pegar as menininhas até que alguma fiel o denuncie e sua reputação seja abalada para o resto da vida? O empresário vai roubar do sócio até que o outro perceba que algo está errado? O gostosão vai assumir que metade das coisas que ele tem não são, de fato, dele?
Escrevendo essa lorota, lembrei de um hit dos anos 90: 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Saída pela tangente

O Leão da Montanha foi um ícone na criação de muita gente.
-Saída pela esquerda! - dizia ele.
Tangenciar também é ótimo negócio para os evasivos. Flerta com o cateto oposto e com o cateto adjacente ao mesmo tempo. Não concordo, nem discordo... muito pelo contrário. Dúbio até mandar parar.
Sei ser evasiva quando me convém, mas o fato é que, na maioria das vezes, prefiro enfrentar.
Homem é diferente. Para eles a melhor saída e mais rápida é sempre correr. Corra, Forrest, corra!
Leão da Montanha é masculino. Forrest Gump é masculino. Basta digitar a expressão "Tô caindo fora" no Google e verá a resposta: os cinco primeiros resultados são de músicas cantadas por homens, a sexta é cantada pela Ana Carolina (o que dá quase na mesma).
Portanto, é com toda propriedade, vivência e conhecimento de causa que afirmo que homens são evasivos.
Entretanto, há alguns piores que outros.
Há aqueles que não evadem apenas no sentido de dar um retorno esperado diante de uma situação. Há os piores, o que botam os seus sentidos em "off" quando preveem uma situação razoavelmente complicada. Desligam olhos, nariz, boca e ouvidos... hibernam acordados.
Pois bem, ao evasivos do meu coração, saibam que a paciência feminina tem limites... e estão cada dia mais curtos, curtíssimos, curtérrimos... E se o dia que vocês resolverem voltar dessa corrida, não encontrar ninguém, saiba que a mulher também evadiu. Mas quando ela o faz, faz de verdade.

sábado, 30 de novembro de 2013

A vez do exercício (de novo)

Eu sou um fracasso!
Sim fracassei todas as vezes que tentei me exercitar.
Nunca consegui me entusiasmar com uma atividade física por um ano inteiro - e olha que já vivi 28 deles!
Não levo jeito para esportes coletivos. Cobro muito de mim mesma e assim o faço quando passo um passe errado, ou perco uma bola, ou simplesmente por não estar no lugar certo na hora em que eu deveria. E, pra ser sincera, não tenho um espírito competitivo muito acirrado.
Baseada nisso, há dois anos, quando tive um princípio de tendinite nos pulsos, o médico me disse categoricamente "você precisa se exercitar e tem que ser algo que goste, porque tem de ser pelo resto da vida". Aí eu surtei: as palavras "exercitar" + "goste" + "resto da vida" parecem extremamente incoerentes para mim quando colocadas num mesmo contexto.
Bem, mas ordens médicas são ordens médicas. E eis que depois de muito matutar acerca de algo "para o resto da vida" cheguei à conclusão de que seria capaz de pedalar, já que pedalei quase a minha vida inteira no interior, aqui não haveria de ser diferente!
Todavia, foi. Comprei minha bike e comecei a pedalar. Tudo ia bem até a famigerada trilha de 64km. Fiz uma trilha que estava muito acima da minha capacidade para o momento. E eu não sou exatamente o tipo de pessoa que gosta de superar desafios. Larguei a bike. Ainda não tive coragem de vendê-la, porque me apraz muito os passeios noturnos pela cidade... e pretendo voltar a fazê-los... em breve... promessa! Não to brincando! Um dia eu volto! Volto mesmo! Eu vou conseguir! Vou superar a minha preguiça. Vocês vão ver só... (Essas sim são palavras promessas que ficam bem no meu contexto de atividades físicas.)
Mas a motivação desse texto é para dizê-los que comecei a malhar em uma academia. 
Yeeess! We have bananas!!!
Não canso de me surpreender com minhas atitudes de tempos em tempos! E, pior, os três primeiros meses já estão pagos! Pior ainda? Comprei até roupa e tênis! Meu Deus, eu sou um fenômeno da natureza! Deveriam dissecar meu cérebro e estudá-lo quando eu morrer! Como que uma pessoa com extrema aversão à atividades físicas toma uma atitude dessas?!
A resposta vem da sinceridade de uma criança:
-Mamãe, eu acho que você vai ter outro neném...
-Que filho?
-Você tá barriguda. Acho que vou ter um irmãozinho. Um, não! Dois! Acho que tem dois nenéns aí dentro...
Bem, a vontade é de sair dando voadeira e bordoada pra todo lado, é óbvio. Mas me contive e agradeci - mentalmente é claro, pra ele não se acostumar com esse alto índice de sinceridade. 
Enquanto minha mãe, meu namorado, meus amigos e outros dizem "imagina! você tá magrinha!" meu filho corrobora com meu sentimento de corpo disforme. Estou barriguda e isso é fato! Um fato que não me pertence! Se eu pudesse, regurgitaria cada copo de cerveja, picanha e cupim que se apossou de mim nos últimos seis meses! Cada prato de lasanha, batata frita, pamonha e refrigerante! Costela no bafo, torresmo, feijão tropeiro e mandioca. Hummm... que fome!
Opa!
Mas voltando aos exercícios, façam suas apostas e vejamos quanto tempo vai durar esse novo propósito e se terei de dar o braço a torcer e arrumar os irmãozinhos para o Pedro! Vejamos!

domingo, 17 de novembro de 2013

Procuração

Estou passando uma procuração para quem se interessar a responder aos questionamentos do meu curioso filho.
Cargo: Respondedor de perguntas
Salário: Satisfação de estar contribuindo para o crescimento de uma criança
Formação requerida: PhD em Harvard ou Oxford em Pedagogia
Temas: Assuntos diversos que envolvam coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar, além de português, matemática, história, geografia, biologia, ensino religioso, educação física, OSPB, moral e cívica, filosofia, sociologia, mitologia, artes, também magia e meditação e o que mais aparecer.

Tive essa brilhante ideia ao ter de responder mais algumas daquelas perguntas que me deixam atônita, ou seja, sem saber por onde começar.

-Mãe, por que o óleo pega fogo e o leite não pega?
-Como é que se fabrica chiclete?
-Como é que a bosta é feita na nossa barriga?
-Como é que é feito esse franguinho (Nuggets)?

Eu sei, eu sei... é lindo o processo de aprendizado da criança. Mas, e eu? Como é que eu arranjo respostas para perguntas como essas? Você, nobre leitor que me julga, sabe o processo de fabricação do chiclete? Sabe qual a matéria-prima utilizada? Claro que não! Imaginei mesmo... E o pior, é que as perguntas não param por aí. Observe o diálogo ao tentar responder à terceira pergunta:
(Nota: eu estava dirigindo.)

-Filho, quando nós comemos colocamos a comida na boca e mastigamos, mastigamos, mastigamos até virar uma massa, não é?
-Uhum.
-Aí a gente engole aquela massa, ela passa aqui pela garganta e vai descendo até chegar no estômago, que fica na barriga.
-Mas e o pulmão? A comida passa no pulmão também? Aí eu tusso!
-Não, filho. Tem uma mangueirinha que liga a garganta até o estômago que passa entre o pulmão.
-Aí a bosta fica no estômago?
-Não, no estômago aquela massa que era a comida recebe um suco (ops! falei demais!)... recebe um líquido que ajuda a derreter a comida... (ufa! ainda bem que ele não percebeu!)
-Suco de quê, mãe? Laranja?
-Não, meu amor, é um líquido que o estômago produz que chama suco gástrico que ajuda a derreter a comida. Aí aquela mistura vai pros intestinos, lembra do intestino do porco lá na roça, que a gente usou pra fazer linguiça? Então... ela vai indo, indo, indo dentro do intestino até virar cocô e sair no fiofó.
-Hahahaha!!! Fiofó! Mamãe, ontem eu fiz um cocô grandããããoooo...
-É, filho, que bacana!
E a mãe segue com aquela velha e ruim sensação de que a explicação não foi satisfatória. Paciência...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Análise combinatória

Em conversa com uma amiga, lá estava eu a reclamar dos príncipes encantados que aparecem e desaparecem da nossa vida.
Aí, ela me abriu os olhos para que "príncipe encantado" pode se desdobrar em quatro possibilidades:

Príncipe Encantado: homem gentil, educado, que nos ama, que faz todas aquelas coisas lindas que adoramos, a perfeição em pessoa, que, por ser encantado, nos inebria em sentimentos gostosos e nos sentimos bem somente por estar ao nosso lado.

Príncipe Que Não É Encantado: homem perfeito em todos os atributos, mas que não estala aquele clic no nosso coração.

Encantado Que Não é Príncipe: simplesmente gostamos dele sem que haja um motivo sequer. É o encanto.

Não É Príncipe, Nem Encantado: não é nada. Não te encanta, não faz nada por você. Somente é homem.

Senhoritas, façam as suas escolhas!

domingo, 22 de setembro de 2013

Domingão

Querido diário,

Hoje foi um dia intenso.
Tão intenso que estou com preguiça de contá-lo.
Fica pra amanhã.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Garupa

Hoje senti saudade.
Sabe, aquele misto de coisa boa com coisa ruim - tipo soro caseiro, que mistura sal com açúcar - que vem no peito de vez em quando ao lembrarmos de alguém ou de alguma situação.
Saudade pra mim é isso: fico feliz por ter vivido e convivido, mas fico triste porque não vou viver e conviver novamente... não sob as mesmas circunstâncias.

Lembrei da garupa da bicicleta Monark dourada ano 85 do meu pai.

Papai me levava todos os dias para a escola montada na bicicleta. Ele, marceneiro, fichado na Prefeitura Municipal de Itapuranga, pai de filha única. Bom pai. Eu, aluna da Escola Estadual Joaquim da Silva Moreira, pasta amarela debaixo do braço, material escolar barato (mas organizado), camiseta da escola e saia azul plissada. Menina chorona.

Sentada na garupa da bicicleta dourada ainda lembro dos comandos:
-Abra bem as pernas. Cuidado pra não por o pé no raio.
-Segura pra não cair pra trás.
-Desça só quando a bicicleta parar.

Meu pai é um homem pesado e o selim de mola - desses que nem se usa mais - chorava triste a cada pedalada. E sempre que o selim furava, era mandando para a tapeçaria para um novo forro e outra espuma.
Cortamos muitas ruas de Itapuranga, meu pai pedalando e eu na garupa. Cumprimentávamos pessoas, parávamos para conversar, íamos ao supermercado, açougue, padaria... roubo ou estacionamento nunca foi um problema naquela nossa vidinha pacata com a Monark.

Quando saia da escola, meu pai já estava no portão me esperando, sentado na bicicleta debaixo da sombra da árvore. Uma lágrima corre do meu olho. É a saudade que falei logo acima me importunando mais uma vez.

Meu filho nunca saberá a sensação de ser pego pelo pai na porta da escola com um Monarkão dourado do mesmo ano do seu nascimento, mesmo porque não fabricam mais bicicletas como antigamente. Bicicletas familiares, daquelas que suportavam uma criança na barra, o pai no selim e a mãe na garupa com outro filho. Também não fabricam mais pessoas com tanta disposição para pedalar e carregar as outras como o meu papai.

Talvez meu filho daqui algumas décadas tenha saudade do tempo em que os pais se apinhavam nos portões das escolas, em seus carros novos com ar-condicionado, impedindo o trânsito e estressados porque precisavam voltar ao trabalho. Talvez...


Perdão

Quantas vezes devemos perdoar?
Não quero o clichê bíblico de 490 vezes, esse já está demodè...
Pode deixar que eu mesma respondo.
Resposta:
Depende.
Se for eu ou você que tivermos de perdoar alguém, que seja o mínimo de vezes necessário, porque afinal, não toleramos erros. As pessoas que erram são incompetentes, descuidadas ou até burras! Portanto, nem ouse contar com o nosso perdão, pois preferimos soltá-lo a conta-gotas.
Agooooraa...
Se quem estiver pedindo perdão for eu, aí sim ele deve ser concedido inúmeras vezes... quantas forem necessárias... perdões a perder de vista.

Para quem me conhece pouco, poderá interpretar esse texto como sendo presunçoso e hipócrita. Perdoe-me, mas não o é. Estou aqui reconhecendo o quanto somos exigentes com as pessoas que nos rodeiam e que o grau de exigência simplesmente despenca para quase zero quando se trata de nós mesmos.

Andam muito decepcionada com as pessoas que me julgam sem conhecer meus motivos, sem perguntar pelos meus sentimentos e hoje me peguei fazendo a mesma coisa ao dizer para mim mesma "nunca mais volto nessa loja". Não quer dizer que o vendedor, que hoje não me agradou, será para sempre daquele jeito. E as outras vezes que ele me atendeu bem? Não valeram de nada? E a minha história de vida? Não diz nada sobre mim? Não me faz perdoar com a mesma intensidade que gostaria de ser perdoada?

Pena que esses insights de realidade não permaneçam modo on a todo momento...

domingo, 15 de setembro de 2013

Nota de 10

Depois de fazer mais uma de suas proezas, Pedro solta:
-Gostou, mamãe?
-Ah, adorei! Você é um filhinho nota 10!
-Nota de dez, mamãe?

Pense só: meu filho não sabe o que é uma nota 10, porque ainda não vai à escola. Entretanto, uma nota de dez ele sabe muito bem para que serve.

domingo, 8 de setembro de 2013

sábado, 7 de setembro de 2013

Solta a vida e empina a pipa

Mês que vem farei 28 anos.
Já andei a cavalo. 
Já beijei namoradinho no portão.
Pesquei traíra em córrego.
Mas nunca tive um cão, nem andei de patins.
Hoje, faltando pouco mais de um mês para completar 28 anos, eu soltei pipa.
Nunca havia empinado uma pipa na minha vida. Sequer tinha lido um livro para aprender a técnica para colocá-la no ar e fazê-la subir - sim, porque muitas coisas não conhecemos na prática, mas somos doutores em teoria.

Entretanto, ser mãe solteira nos faz ficar expertes em papéis duplos. Não que eu esteja dizendo que uma mãe não possa soltar pipa com o filho (tanto que assim o fiz), mas se meu filho tivesse um pai presente com certeza eu delegaria essa função a ele. Ser mãe é desdobrar. É pagar um mico em troca de um sorriso. É poder ter o orgulho de dizer que daquela memória, eu fiz parte.

Enquanto eu ia pelejando com aquela coisa e a cada metro que ela subia, eu me sentia um pouquinho mais feliz e realizada. Comecei a fazer comparações com a vida e concluí que, assim como a pipa, o mais difícil é subir e chegar ao topo torna-se consequência. Depois basta que façamos movimentos constantes, para não permitir que ela caia, sem jamais esquecer que há uma linha que a liga à sua origem e que em algum momento ela terá de retornar. Divagos.

Felizes são as crianças, que quando perguntamos porque ela gosta de soltar pipa, simplesmente respondem "porque é bom". Simples. Enquanto eu, adulta de 27 anos, fico presa a comparações e analogias com a vida. Essa adultice a qual me refiro parece uma nhaca! Talvez precisemos praticar e praticar e praticar criancices horas e dias a fio até sermos capazes de soltar pipa apenas porque é bom.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Discutindo religiosidade

Ontem me senti muito despreparada religiosamente para ensinar qualquer conceito religioso ao meu filho. Voltávamos de um passeio e Pedro vinha resmungando pelo caminho, como habitualmente o faz quando algo não sai do seu agrado.
-Papai do Céu, eu quero que você ponha todos os meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com os meus brinquedos...
-Que que foi, meu filho?
-Nada, não, mãe. Tô falando com Papai do Céu.
-Tá pedindo chuva pra nós?
-Não. Tô falando pra ele colocar meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com as minhas coisas. Mãe, como é que o Papai do Céu põe a gente de castigo?
(engoli seco)
-Uai, meu filho. Acontece algo pra gente que a gente fica triste. Isso pode ser um castigo do Papai do Céu. Tipo, se você não deixa seus amiguinhos brincarem com seus brinquedos, aí um deles quebra. Isso é castigo porque você não dividiu.
-Se Papai do Céu quebrar um brinquedo meu, eu falo pros anjinhos lá no Céu botarem Ele de castigo!
-Mas ninguém castiga Papai do Céu, porque ele é mais poderoso que todo mundo. Ele é dono de tudo que tem na Terra. Ele vê tudo que todo mundo tá fazendo.
-É?? E como Ele vê as coisas lá do Céu?
-Ele olha aqui pra nós e vê o que cada um está fazendo.
-E como Ele vê debaixo do telhado?
(engoli um rolo de arame farpado)
-Pro Papai do Céu não existe telhado, nem parede, nadinha. Ele vê todos os lugares.
-Mas como ele vê debaixo do telhaaado?? 
Percebi que minha resposta genérica não o havia convencido e que eu precisaria ir um pouquinho adiante. Todavia, a essa hora eu só queria sair dessa conversa religiosa complicada.
-Sabe quando você olha no vidro e consegue ver do outro lado? Pra Papai do Céu é assim: tudo é transparente. Os telhados e as paredes são como se fossem de vidro. Aí ele consegue enxergar todas as coisas, em todos os lugares.
-É, mamãe?? 
-É, filho.

Finalmente encerramos a conversa, mas eu não fiquei feliz. Sei que ele retomará esse assunto. Senti-me completamente despreparada para lidar com um assunto tão subjetivo quanto a religiosidade com uma criança que ainda não tem esses conceitos muito claros em si. Todavia, carrego comigo a certeza que fiz o melhor que pude naquele momento e, talvez noutra oportunidade, eu possa fazer melhor.

domingo, 1 de setembro de 2013

Quem tem olhos, veja

Leitor amigo, você já se sentiu pequeno? Bem pequeno mesmo? Minúsculo? E olhou para as outras pessoas e as viu gigantes, enormes, assustadoramente grandes?
Não, eu não estou me sentindo assim. Mas gostaria muito de saber qual a perspectiva que os "gigantes" têm dos seres minúsculos lá embaixo. Conheço tantas pessoas que se acham maiores do que outras... Tantas pessoas que se pensam superiores... Às vezes, me embrulha o estômago pensar que alguns seres não conseguem sequer olhar para seus próprios defeitos e admiti-los simplesmente por estarem ocupados demais procurando as imperfeições das outras pessoas.

Há algumas semanas atrás uma vendedora me disse que eu tinha uma energia boa. Vejam só! Uma mulher que nunca me viu na vida conseguiu captar minha energia - e, sim, ela é boa, posso garantir isso. Posso ter defeitos, umas amargurazinhas, uns ressentimentos, mas no geral... sou uma pessoa do bem. Todavia, alguns  gostam de me denegrir. Por mais que tenham convivido comigo, fazem questão de ressaltar e propagar aquilo que há de pior em mim. Obrigada pela indiferença. Obrigada pela distância. Deve ser o meu círculo energético me repelindo de pessoas como vocês.

Devo também um agradecimento especial àqueles que não falam mal de mim, mas me tratam mal. Muito obrigada. Graças a vocês tenho aprendido a lidar na vida, separar as boas sementes e plantar apenas o que poderá gerar frutos. Talvez, podar. Não me preocupo com quantidades. Volume é só volume.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Papel de presente ou papelão?

Conversando com um amigo, ele brincou: 
-Gostaria de ser um papel de presente, assim todos olhariam para mim e ficariam felizes. Eu sou uma caixa de papelão que as pessoas querem logo abrir pra ver o que tem dentro, ou querem me usar para carregar coisas, uns me jogam fora, outros me catam na rua para revender.
A interessante metáfora do meu amigo me fez refletir um pouco. Somos papel de presente ou uma caixa de papelão?
Vou limitar a minha interpretação à canção do O Teatro Mágico, que expressou lindamente esse sentimento em "Cidadão de Papelão".

O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz
Nem terno, nem tampouco ternura
À margem de toda rua, sem identificação, sei não
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção
À margem de toda candura
À margem de toda candura
À margem de toda candura
Um cara, um papo, um sopapo, um papelão
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura
O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, à sós
Nem farda, nem tampouco fartura
Sem papel, sem assinatura
Se reciclando vai, se vai
À margem de toda candura
À margem de toda candura
Homem de pedra, de pó, de pé no chão
Não habita, se habitua
Não habita, se habitua

Os grifos são meus. São as partes que eu considero mais instigantes da música. 
É assim que nos encontramos? À margem de toda candura? As pessoas não ficariam felizes ou cândidas ao se depararem conosco, como se fôssemos papéis de presente?
Perdemos a ternura e não passamos de ternos andando de lá para cá sem um pingo de convicção, sem sequer saber o porquê de estarmos caminhando, sem vocação alguma?
Quem somos? Qual a nossa identidade? Uma caixa de papelão igual a tantas outras que saem da fábrica?
Encontrei essa animação no Youtube, que considerei bastante pertinente para as minhas indagações e divagações:  http://www.youtube.com/watch?v=zlEMTCg0PT0

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Don't take my hand

O Facebook é um grande conselheiro. 
Tiro muitos conselhos sábios de lá. Ontem mesmo li o seguinte "Durma com ideias e acorde com atitudes."
Estou prestes a tomar uma atitude, com um delay de... digamos... uns dez anos... Nesse momento o ditado "Antes tarde do que nunca" faz todo o sentido do mundo. Mas preciso confessar uma coisa: tenho medo.
Tenho medo do que é novo. Tenho medo dos sentimentos com os quais não consigo lidar. Tenho medo da opinião alheia. E, hoje, no discurso de uma colega do trabalho que se aposentou, veio mais uma frase para somar a esse turbilhão pelo qual estou passando nesse momento. A colega disse mais ou menos assim: eu queria sair daqui à francesa, sem ser notada, sem ter de passar por esse momento aqui, emocionada, despedindo de vocês. Entretanto, eu me lembrei que nunca fugi de nada da minha vida e não é agora que vou fazer isso, nesse momento tão especial para mim. Agradeço a Deus por ter tomado essa decisão, porque me sinto muito feliz por estar aqui com vocês.

Espelhada na atitude dessa minha colega, começo a vislumbrar um novo futuro para mim. Mas é preciso me reconstruir. E, tal qual a reforma que venho realizando na minha casa, não se pode aproveitar tudo do que já se encontrava ali. É preciso destruir e construir novamente, mais belo e com bases sólidas. Sei toda a teoria. Sei exatamente como proceder. Apenas o medo segura a minha mão.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Suicídio sentimental

Ultimamente tenho tido dores no peito, falta de ar, calafrios na barriga, nós na garganta... São sintomas recorrentes de uma alma presa. São sintomas de uma pessoa presa em orgulho. Mas não quero soltá-los. Meus sentimentos soltos são tolos demais, frágeis demais. Ninguém os valoriza, ninguém os leva a sério. Prefiro assim: todos presos dentro de mim, me causando desconfortos e me tirando a paz. Libertar sentimentos soa como fraqueza... e se tem uma coisa que eu não sou é fraca. Fui forte o bastante pra suportar até aqui e vou permanecer suportando... e definhando... e me enclausurando... e sofrendo.

Eu até gostaria de dizê-los, mas para todos que escolhi revelá-los se opuseram a me ouvir. Eu disse ouvir. Porque escutar, até as pedras escutam. 

Sentimentos, fiquem todos aqui no meu peito e permaneçam me esfaqueando de dentro pra fora. Sigam a sua metástase e me levem à sucumbência, se é isso que querem.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Minha viagem à Chapada

Quando recebi o convite para conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros já estava com outra pequena viagem marcada com algumas amigas. Confesso que não gosto de viajar dois finais de semana seguidos. Entretanto, era um senhor convite. Um daqueles que aparecem raramente e, melhor ainda, tinha chances de dar certo. Sim, vamos.

Tenho de reconhecer que não poderia ter ido em companhia melhor. Uma pessoa amável, educada, disposta (e bota disposição aí, porque eu jamais seria capaz de dirigir todos os quilômetros que ele dirigiu!), zelosa e inteligente. Realmente uma ótima companhia.

As belezas naturais do lugar são inegáveis. A simplicidade do povo interiorano, a misticidade do local e a tranquilidade que o ar puro nos traz é um refresco para a alma e a mente atribulada. Lamentei somente não termos mais dias para desfrutar daquele paraíso. Tantos lugares ainda ficaram por conhecer. Coisas novas para experimentar. Um convite ao retorno.

Os Kalungas - comunidade quilombola de Cavalcante - são uma atração à parte. Mas senti falta de duas coisas: a primeira um trabalho turístico mais comunicativo e a segunda um artesanato mais elaborado. Há muitos quilombolas trabalhando como guias turísticos, entretanto acredito que se explanassem mais sobre a cultura e a história deles, em vez de apenas nos conduzirem às cachoeiras, nos traria ainda mais admiração pela comunidade. E quanto ao artesanato, a região possui matéria-prima em abundância para confeccionar coisas lindíssimas! Com um pouco de profissionalização e cursos de aproveitamento certamente eles poderiam ter um retorno financeiro maior e a disseminação do trabalho deles por várias partes do Brasil.

A Cachoeira de Santa Bárbara é simplesmente linda. O tom azulado da água nos remete à imagens de cinema. Acho inclusive que ela disputa a beleza com a Cachoeira das Capivaras, que lança mão de vários tons esverdeados para nos encantar. Mas as duas se equivalem no que diz respeito à temperatura da água: gelaaaadaaa. Como mil facas perfurando meu lindo corpinho, a friagem nos penetra e faz despertar aquilo que de mais dormente há dentro de nós. Vale a pena conhecê-las.

Mas a minha vedete mesmo, a que balança meu coração e me enche de alegria, eu nem precisaria ir tão longe para encontrá-la. Meu amor é o pequizeiro. Algumas coisas simples têm o dom de me fazer sorrir, o pé de pequi é uma delas. O pequi é relativamente raro, produz apenas uma vez ao ano. Normalmente solitário, ou se em conjuntos, esparsos uns dos outros. Mas mesmo assim, no seu isolamento, mesmo tendo um fruto espinhoso, um cheiro invasivo, uma nódoa única, não deixa de ser requisitado e bem quisto. Para mim é o soberano do cerrado. Aliás gosto daquilo que se destaca nos poeirentos meses de inverno. Inclusive, já escrevi uma lorota sobre o meu querido ipê amarelo. Essas árvores que mesmo na seca do mês de agosto conseguem ser reconhecidas e dar o seu recado e mostrar a que vieram no mundo. Essas, sim, chamam minha atenção. Percorrendo as estradas esburacadas da Chapada, ao ver uma árvore verdinha, com flores branquinhas em meio tantas outras empoeiradas e desfolhadas, meu coração se renovava e mostrava para mim que sempre é tempo de florescer em meio ao cinza. Obrigada, pequizeiro. Obrigada, Chapada. Obrigada, PH.

Instavida

Para gostar de uma pessoa, precisamos gostar de seus defeitos também? Precisamos aceitá-los e aplaudi-los? Bem, se a resposta for não, sinto-me à vontade para partilhar com você esse texto. Se for sim, pode parar de ler por aqui mesmo, porque certamente você não irá gostar do que vai ler.

A minha implicância do dia se refere às pessoas que eu amo de paixão, mas que me irritam profundamente ao postar todas as suas refeições no Facebook ou Instagram. Não imagino de onde surgiu essa propulsão que as pessoas têm de comer uma coisa bonita, aparentemente gostosa e querer mostrar pra todo mundo o que está comendo! Aliás, hoje, o que não é postado parece que não existiu, né? Fico imaginando como esses meus amigos ficariam tristes se não pudessem postar a comida deles:

-Humm... puxa... Não quero nem comer, perdi a vontade... O Instagram está fora do ar! E agora como vou mostrar pra todo mundo essa batatinha orgânica que fritei no óleo de canola argentino com cubinhos de bacon de javali? Acho melhor colocá-la na geladeira e esperar até o Instagram voltar. - Aí o cara fica com fome o dia todo só esperando o momento de partilhar a sua comida (visualmente, é claro) com o maior número de pessoas possível.

Eu não sou contra postar coisas na Internet. Eu mesma faço isso aos quilos. A minha irritação é saber o passo a passo da vida de uma pessoa. Vamos fazer contas: suponhamos que a pessoa durma sete horas por dia, portanto, restam outras 17 horas para tirar fotos. Ainda bem que, por enquanto, estamos sendo privados das fotos dos banheiros – mas acredito que em breve verei fotos de cocôs no vaso circulando por aí – logo, podemos descontar mais uma hora. São 16 horas disponíveis para postar fotos e dizer “bom dia, boa tarde e boa noite”.

-Bom dia, esposinha linda! – Foto da esposa, sorrindo na cama.
(Ué, não acordaram juntos? Por que dar bom dia pela internet?)
-Café da manhã preparado pelo maridão não tem preço. – Foto de duas xícaras de café e cinco bolachas Mabel.
(Sandro Mabel se casou com você agora?)
-Look do dia – Foto de corpo todo diante do espelho fazendo biquinho.
-Trânsito infernal – Foto do trânsito.
-Bora trampar, né? – Foto do computador.
-Almocinho no Giraffas com minha amiga Fulana de Tal...
-Ainda faltam três horas para encontrar minha linda amiga Beltrana de Tal...
-Relembrando a faculdade, em Frans Café com Beltrana de Tal – Foto das duas abraçadas e em seguida foto do café que estão tomando.
-Academia é só para os fortes. – Segurando o celular na frente do espelho com aquele monte de aparelho atrás.
-Filminho espeeerto, pipoca, sofá e maridão é tudo de bom. – Foto da bacia de pipoca com o pé do marido ao fundo.

Aposto que em algum momento você se identificou com essas legendas. Por favor, quero deixar claro que não tenho nada, absolutamente nada contra as pessoas que fazem isso. Continuam sendo meus amigos do mesmo jeito. Entretanto, me preocupa um pouco a perda da individualidade pela qual estamos passando. Tudo precisa ser publicado. Se não está na internet há sérias dúvidas de que sequer existiu. E a necessidade de se mostrar bem sucedido, vem de onde? O café da manhã mais top, o marido mais gato, o look mais impactante... Perdemos a capacidade de sermos triviais, é isso, Arnaldo?

domingo, 14 de julho de 2013

Fala comigo?

- E, aí? O que anda fazendo de bom?
Essa é uma pergunta que, se estivéssemos em meio a um coito, me faria brochar na hora. 
Pessoa bacana, papo legal, diz coisas relativamente interessantes... mas quando solta o "o que anda fazendo de bom" faz com que se quebre todo o encanto.

A vontade é responder: não estou fazendo nada de bom! Nada! A-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada! Tudo que faço é ruim, algumas coisas são perversas e outras são extremamente desagradáveis. Não faço nada de bom há anos. Não ajudo pessoas a atravessar a rua. Não salvo gatinhos na copa de árvores. Não dou bom dia ao vizinho. Minha vida é um ciclo de maldades.

Poderia também dar outra possível resposta para essas pessoas que só querem saber o que fazemos de bom na nossa vida, sem sequer se interessar pelas coisas banais, pelo trivial, pelo dia a dia nosso de cada dia. Tipo, estou fazendo muuuuitas coisas boas. Minha vida é repleta de aventuras e emoções. Ontem desci as Cataratas do Niágara, semana passada fiz rapel na Torre Eiffel, amanhã vou capturar uns leões na África. 

A minha indignação vem do fato de uma pessoa perguntar a uma pobre mãe-bancária quais são as novidades, o que está acontecendo de "bom" na minha vida. Na minha vida não acontece nada. Nada que mereça relevância. A menos que essa pessoa esteja disposta a ouvir relatos interessantíssimos de proezas do meu filho (e eu sei que pra quem não tem filhos, chega uma hora o assunto fica chato) ou a rotina de análises de documentos bancários.

Não digo que não devam conversar comigo, nobres amigos, só não joguem na minha cara que a vida que levo não é exatamente um poço de emoções. Eu sou comum e, portanto, levo uma vida comum. Perguntem como eu estou e ouvirão "ótima", pergunte como está a vida e eu direi "tudo do mesmo jeito", pergunte o que estou fazendo e ouvirão "as mesmas coisas de sempre". Diálogos modernos, enfim.

Agora, só pra variar um pouquinho, podiam perguntar também a minha opinião sobre assuntos polêmicos, ou sugestões para os problemas do Brasil, ou sobre a busca incessante pela felicidade e completa realização e transcendência do Ser. Ao menos evitaria uma brochada!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Mi faz feliz

Para iniciar nossa conversa se fazem necessários alguns conhecimentos musicais básicos. Você sabia que um violão tem seis cordas - que podem ser de aço ou de nylon? Sabia que de cima para baixo as três primeiras se chamam bordões e as três últimas são as primas? Antes de qualquer piada, não, não conheço as irmãs, tias ou sobrinhas, apenas as primas. Ainda de cima para baixo a primeira corda reproduz o mi, a segunda o lá, a terceira o ré, a quarta o sol, a quinta a si e a última o mi novamente.

Pois vejam que curioso o mi, surge duas vezes. Certamente ele há de ser importante nessa história toda. Não sei sua real importância no contexto musical, mas para mim ele tem um significado particular que quero compartilhar fantasiosamente com vocês.

O bordão fala aqui.
A prima responde acolá.
tom... tim... tom... tim...
São uma única nota, mas que vibram diferentemente. Têm a mesma afinação e mesmo distante - por quatro outras cordas - não se perdem um do outro... tom... tim... tom... tim... diz ele, responde ela.
Um bordão grave, pesado. Uma prima aguda, suave.
Como podem ser tão iguais e tão diferentes? O ying yang já nos explicou.
Em um acorde o bordão mi entra com o baixo, o pé da canção, aquilo que o fixa, dá peso e razão. Enquanto a prima mi flutua e distribui sua delicadeza ao acorde, um toque de doçura e devaneio.
Nasceram assim, para compor o mundo juntos, formando acordes e canções e trazer felicidade aos corações.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Esquecimento

http://www.conjur.com.br/2013-jun-05/stj-aplica-direito-esquecimento-primeira-vez-condena-imprensa

domingo, 2 de junho de 2013

Tempos modernos

Como era mesmo o mundo antes do Facebook?
Hummm... deixe-me ver se lembro...
As fotos não eram instantâneas. Isso, a gente não sabia como tinha sido a viagem antes de a pessoa voltar de lá... parece que já existia e-mail... mas não lembro se usávamos... 

E pra conversar com outras pessoas? Bem, salvo engano, existia um troço chamado Menssenger ou Messeger ou Messenger, algo parecido com isso... Ah, lembrei! MSN!!! Puxa, era até legalzinho "Bebelzinha acabou de entrar" e a cada conversinha fazia "bululup", eram tantos "bululups" de uma vez, vários emoctions e tals... puxa a gente conversava muito! Se eu forçar a minha memória um pouquinho antes... humm... tá vindo... tá vindo! Lembrei! Mensagens no celular! Era bem parecido com o Whatsapp de hoje, só que com beeem menos recursos... tínhamos que nós mesmos desenhar menininhos, menininhas, formiguinhas, gatinhos, carrinhos, peixes usando apenas pontos, parênteses, acentos, travessões. Sim, éramos mais criativos naquela época.

Ah, aquela época... Passaram-se dez anos de lá pra cá. Sim, amigo leitor, dez anos! Faz dez anos que você recebeu aquela mensagemzinha bonitinha do paquera da escola. Olhe no espelho e ele te confirmará que o tempo passou. Talvez por isso eu me espante ainda ao acompanhar online as férias de alguém no exterior. Em apenas dez anos saímos das fotos tiradas com rolos de filme (reveladas até meses após o clique) e fomos para as fotos instantâneas (no significado mais literal que essa palavra possa ter, que é pra frisar bem o quanto não há mais barreiras temporais entre o fato e o conhecimento amplo e geral). 

Eu não consigo imaginar o que vem depois disso. Quer dizer, até consigo. Já li sobre os tais óculos que projetam uma tela na sua frente e que se pode acessar a internet. Eis o nosso futuro: viver virtualmente. Ainda nos encontraremos no bar, cada um com seu óculos-computador na cara, mas não se ouvirá um pio na mesa. Faremos um chat em alguma rede social (lamento, mas até lá o Facebook estará obsoleto) e trocaremos informações com outros grupos em outros chats, sentados em outras mesas de outros bares. Parece chato? Hoje sim, entretanto, há dez anos se disséssemos para alguém que não nos sentaríamos mais no portão de casa à noite, para conversar, enquanto as crianças jogavam queimada na rua e que, em vez disso, ficaríamos trancados em nossos quartos, na frente do computador conversando com outros amigos também trancados em seus quartos... bem, isso soaria um tanto quanto enfadonho, não é mesmo?! Mas é o que há!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Completude

Ando numa fase extremista. Ultimamente não tenho gostado muito dos meios-termos. Linhas tênues me deixam nervosa. Não quero meios amigos, não quero meia felicidade, não quero meio amor, não quero um sexo meio bom. Por isso que quando tenho de me sujeitar a meias experiências ou meios sentimentos fico de nariz torcido. Aperta lá dentro, no coração. Eu quero o que há de mais completo no mundo!!! Bom ou ruim, mas que venha por inteiro. Desprezo completo, raiva completa, mágoa completa, amor por inteiro, felicidade por inteiro, viver por inteiro é o que eu quero. As metades não têm me bastado.

Mas até para ser completa é preciso tempo...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O primeiro pôr-do-sol

Voltávamos de um passeio quando meu neguinho, sentado na cadeirinha no banco traseiro, me faz a seguinte pergunta:
-Mamãe, que que é aquilo? - apontando para frente.
-Aquilo o quê, amor?
-Aquele negócio lá na frente!
-Que negócio, meu bem?
-Aqueeele laranjado.
Ele se referia ao céu. Nunca tinha observado o céu alaranjado do sol se pondo no horizonte. Por um momento parei para observar o quanto realmente estava lindo e fiquei chateada porque eu mesma havia deixado de repará-lo. Não era a primeira vez que eu o via - como o Pedro, aos quase quatro anos de idade. Entretanto, por muito tempo deixei de contemplar essas coisas e não tenho passado isso ao meu filho. Não é uma mea culpa, trata-se apenas de uma advertência para mim mesma de que o mundo é lindo e cabe a mim mostrar isso ao meu filho o quanto antes.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Odeio limão

Cheguei a uma brilhante conclusão: limão não me faz bem.
Cerveja não me deixa de ressaca, vinho deixa uma ressaquinha bem pequenininha, whisky é tranquilo... mas o tal limão... pelo-amor-de-Deus!!!! é do Demônio!!!
Tomei um drink docinho de morango, gostoso que só... depois tomei mais um com soda e curaçau blue... outro de moranguinho... até aí, tudo certo.
-Me vê mais uma paradinha daquelas, meu amor (meu amor era como eu chamava o barman àquela altura do campeonato).
-O morango acabou.
-E o que você tem aí?
-Limão.
-Ah, então faz esse negócio de limão aí mesmo.
-Vodka ou cachaça?
-Tanto faz.
Pronto. Daí pra frente a coisa degringolou geral. Por que eu não parei? Por quê??? Culpa do Belzebu que escolheu o limão para ser a sua casa. O Encardido está escondido entre os gominhos daquela fruta pestilenta! Juro solenemente neste blog que nunca mais deixarei um único limão sequer me prejudicar. Tenho dito!

domingo, 26 de maio de 2013

Purtugueis

No Facebook:
-O jeito é ir dormir pra fazer mais uma provinha amanhã. Seja o que Deus quizer.
Deus pode até querer que ela passe, mas a banca já não sei.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A chegada do sol, parte II

Por duas semanas ela o observou. Do assento próximo à janela via-se todo o recinto, mas apenas a cadeira dele a interessava. Fitava a forma como ele colocava a Bic azul na boca e ficava balançando entre os dentes, tamborilando algum ritmo, provavelmente samba. Ele tinha cara de que gostava de samba, do bom samba - daquele feito por Adoniran Barbosa, não pagode do Soweto - das letras bem escritas, das canções melódicas e vibrantes ao mesmo tempo. Ela observava como ele sempre deixava uma perna no chão e a outra apoiada na cadeira da frente, de tempo em tempo invertendo-as. Anotava pouco do que o professor dizia. Chegava sempre atrasado, saía sempre mais cedo. No intervalo ia ao banheiro, tomava água no bebedouro, lanchava esfiha (um dia de frango, noutro de carne) e Coca-cola. Retornava para o seu lugar, conversava com alguém e a aula reiniciava.

Dez dias úteis - e como foram úteis! - se passaram até que no ônzimo dia ela se aprochegou do rapaz. Já tinha o roteiro pronto: perguntaria se ele havia anotado a matéria de tal dia porque ela havia faltado e tal...

-Oi! Jóia? Você anotou o conteúdo da aula de quinta-feira? Eu não vim...
-Ah, claro! - respondeu solícito - Não anoto muita coisa, mas tá aqui o que eu escrevi.
-Obrigada!

Folheia com muito interesse as páginas. Anota uma ou outra coisa e o devolve.

-Puxa, deu pra entender tudinho! Você anota muito bem. Agora posso faltar aula tranquila que já sei de quem pegar o conteúdo.
-Eu mato mais aula que você.
-Humm, como é que você sabe?
-Até hoje todos os dias que eu vim, você também veio.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A chegada do sol, parte I

Da janela ela via uma pontinha da lua. Tão alva, tão distante, tão linda. Olhá-la proporcionava-lhe uma sensação de bem-estar. Era como se aquele satélite lesse o que se passava dentro dela e preenchesse o imenso vazio que sentia durante o dia. Mas a noite sempre vinha e com ela a alva lua, enchendo-lhe o coração de alegria solitária e paz.

Mas um dia a luz se apagou. Não sabemos se apagou ou se a mulher deixou de notá-la...  estava tão absorta por outra alegria que, de repente, entrava na sua vida. 

Era ele. O cabelo não era loiro, nem preto. Espera. Tinha cabelo? Ela não se lembra. A única memória que lhe vem à cabeça é a do seu coração palpitando. Espera. Tinha cabelo, curto, sim era curto. Barba por fazer. Olhar tímido. Bonito.

Ele se senta e a lua se vai - para longe dos olhos da mulher.

Monteiro Lobato dança quadradinho de 8

Em alguns momentos duvido dos meus valores, daqueles conceitos que trago dentro de mim desde pequenininha. Isso acontece porque quando vejo um monte de gente aplaudindo coisas que eu não aplaudo e vejo outras condenando coisas que eu não condeno, começo a me perguntar se a errada sou eu ou o mundo.

O quadradinho de oito. Ver essa nojeira na tevê, sendo aplaudida pelo público, replicada pelos programas, aclamada pelos apresentadores faz com que eu coloque em xeque primeiro o bom gosto alheio e segundo a decência dos meios de comunicação (leia-se, tevê brasileira). 

Li na Carta Capital dessa semana mais um artigo falando das obras de Monteiro Lobato que se tornaram inapropriadas para as crianças por ter cunho preconceituoso, principalmente ao falar da cor da pele da Tia Anastácia. Não entendo como que falar que uma pessoa preta é preta pode ser expressão de preconceito. Não se pode falar que um gordo é gordo? Que um míope é míope? Sou contra o racismo e o preconceito expresso, por exemplo, quando alguém fala "Sai daqui, seu preto!". Isso pra mim é racismo, agora dizer "Tia Anastácia era preta como um macaco", não soa - ao menos aos meus ouvidos - como um ato preconceituoso. Se dissesse que ela era "esguia como a Giselle" tava tudo certo, aí seria elogio, né?

Portanto, a minha indignação é acerca do fato de que insinuar sexo na tevê por meio de danças cada vez mais indecentes, isso pode. Mas incentivar a literatura, mesmo que com traços não "adequados" aos dias atuais, isso não pode.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Teatro

(Cena 2: Sai Lulu, entra Drummond.)

A flor e a náusea

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
É feia. Mas é flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
 
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dê-me somente o que é meu

Sempre sofri de cobrança. A pior de todas: a autocobrança. Digo que ela é pior, porque além de exigir coisas de mim mesma - com a melhor qualidade e o menor tempo - tratava de incutir na minha cabeça que os outros também depositavam em mim suas expectativas, ou seja, sofrimento em dose dupla.

Se se cobrar traz desconforto, o processo de tomada de consciência e ruptura também o traz. É uma faca de dois gumes, só que de um lado é uma lâmina finíssima de corte preciso e de outro uma lâmina grossa, cheia de dentes e enferrujada.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Se quiser se casar com seu sogro, esqueça!

Hoje no trabalho houve uma situação em que me lembrei que, durante meus estudos do Código Civil, li certa vez que não há dissolução de parentesco com a extinção do casamento ou união. Ou seja, você pode até ter ex-marido, mas nunca terá ex-sogro ou ex-sogra. (Sifu, mermão!) Isso mesmo. Carma é carma.

Daí, afim de relembrar meus conhecimentos procurei no Google e veja só a primeira coisa que apareceu:

Eu sei que pode parecer muito tentador o casamento com o sogro, não é mesmo, meninas? Olhe bem para aqueles fios branco do bigode, entrando boca a dentro. Imagine a sua linda dentadura (com seus também lindos dentinhos) repousando dentro de um copinho com água na cabeceira da cama. Aquela barriguinha sexy esticando os botões da camisa (que foi branca um dia) bem fininha, quase puída porque é a que ele mais gosta e, portanto, usa todos os dias. E o pezinho que você deverá massagear todos os dias? Tem de lixar os calos, cortar as unhas e tirar aquele "sebinho" que fica debaixo delas. O cheiro? Ah, o chulé dele cheira a alfazema, né? Você chega toda sorridente com a tesoura para aparar os cabelos do sovaco, e ele diz: tá doida, mulher? isso é coisa de viado! Mas a principal vantagem mesmo é que você não precisará se preocupar com cuecas limpas para ele, afinal, ele nunca as usa.
De fato, o Código Civil está se tornando obsoleto.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O sentido do -ona

Conforme prometido, explicarei hoje as diversas aplicações do sufixo -ona. 
Além de formar o feminino de algumas palavras terminadas em -ão, o -ona tem uma função emblemática para a mulher de meia idade.
É raro ouvirmos que uma mulher, que como diz a minha vó, dessas que já passaram do meio-dia, é uma pessoa bonita, nova, enxuta, ajeitada,... Nããããooo!!! Sempre ouvimos "Fulana tá novona!", "Nossa, viu o tanto que ela tá ajeitadona?", "Rapaz, tô pegando uma coroa enxutona." e "Que isso, menina? Você ainda tá bonitona."
Por favor, cravem uma faca no meu peito antes que eu ouça qualquer uma dessas expressões. O -ona utilizado assim sugere (por parte apenas de quem fala -  que isso fique bem claro!) um eufemismo, uma forma de suavizar a situação. Mas para mim, que já sei o seu real significado, isso é um xingamento. É como se o interlocutor dissesse: você está meio velhinha, mas ainda dá um caldo! 
O negócio é o seguinte, se for elogiar por educação é melhor que nem elogie! Fica na sua e poupe o seu -ona para a poltrona, lona, azeitona, cafona, acetona, mamona,... entre outras.

domingo, 5 de maio de 2013

O que dizer a uma mãe

Certa vez, revoltadíssima, postei aqui um texto em que falava do preconceito escrachado às pessoas com filhos. Eu sei que esse tem sido um tema recorrente neste blog. Perdoem-me os meus leitores, mas é que minha vida, depois que saí do caixa, não tem sido permeada de fatos muito interessantes - não que o caixa fosse interessante, mas ao menos era engraçado.

Portanto, permitam-me escrever mais uma vez sobre a reação das pessoas quando eu digo que tenho um filho. Só que dessa vez foram dois fatos que me deixaram contente. O primeiro, obviamente, veio daquelas pessoas lindas, maravilhosas e educadas que dizem: "Nossa, é seu filho? Puxa mas você é tão novinha! Tão magrinha." Não sei se é verdade e nem quero saber. Prefiro ser feliz na ignorância. Todo mundo sai lucrando numa situação dessa: a pessoa é abençoada por mim, eu fico com a autoestima em dia e o Pedro com o privilégio de ter uma mãe "novona". (Meu próximo post será sobre o sufixo -ona, uma análise interessante da sua empregabilidade.)

O segundo é o seguinte:
-Não posso ir. Preciso ficar com meu filho.
-Você tem filho?! Puxa, que bacana!
-Tenho um rapazinho de três anos.
-Adoro criança. Tenho um sobrinho dessa idade. É a melhor coisa do mundo! Leva ele, uai!
Não estou dizendo que o cara me conquistou e estou perdidamente apaixonada, mas ouvir alguém tão receptivo ao fato de ter um filho me deixa feliz também. Não tanto quanto dizer que sou novinha, maaass... já serve!

Portanto, amigos, cuidado com o que dizem. Algumas mães têm ouvidos atentos e um algoz trabalhando no departamento de interpretação de textos do cérebro. Uma palavra na hora certa e as portas do paraíso se abrem e São Pedro na entrada te entrega a chave da suíte presidencial com um Chandon. Mas uma palavra mal colocada, num momento impróprio, te faz beber Velho Barreiro no inferno.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Aquiiii agooooraaa

Hoje resolvi fazer uma postagem decente. Contei nada mais nada menos que seis textos pré-escritos, rascunhados para quiçá (leia-se: nunca) serem publicados um dia. Mas esse é diferente. Preciso postá-lo. Preciso provar para mim mesma que ainda sei escrever coisas mais ou menos legíveis, sabe como é, né? fazer jus à meia dúzia de leitores que ainda me visitam - a vocês, meu muito obrigada!

A ansiedade me consome. Sempre me consumiu. Talvez, por isso, eu não tenha me casado ainda. A vontade de resolver as coisas de modo tempestivo repele o acontecimento natural dos fatos. A culpa é da minha cabeça que insiste em falar mais alto que o meu coração. Se bem que, às vezes, desconfio que o meu coração seja um trouxa! um mongol que sequer sabe o que quer! #prontofalei

E não aprendi a lição. Ando sempre tão afobada com o destino final que deixo de curtir a viagem. Tento me policiar, mas eu me driblo muito bem. Já jogou xadrez contra você? É assim que me sinto: mal começo a terminar de pensar a minha jogada e meu outro eu já está bolando a defesa... assim... em ritmo acelerado.

Por que estou escrevendo isso aqui hoje? Para receber palavras de conforto? de solidariedade? talvez um "é, Ana, eu também sou assim"... Contudo, vou logo dizendo que isso não muda nada! Se você também tem essa neura, desculpe-me, mas é problema seu! Não é falta de educação, não, é sobriedade de entender o grito de guerra: "ema, ema, ema, cada um com seus problemas". Não espero que nenhum de vocês resolva esta circunstância por mim e nem precisa por a mão no meu ombro. Eu vou suportar. Eu sou forte. Respondendo à minha própria pergunta, estou escrevendo este post para dar vender um conselho (imprima seu boleto aqui): viva o presente - não que seja fácil, mas ao menos tente - porque a vida está aqui e agora.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ah, Lulu...

Acordei lulúlica hoje...
 
Ouço Lulu em tudo que faço. 
Sinto que amanhã será Nando Reis, mas hoje só o Lulu me importa.
 
Pego o meu violão e vou pra chuva me molhar
Acender o céu de algum lugar
Gosto de sentir a mocidade extasiar
Quando tocam a cançao que diz:
 
 
SI MENOR Quando um certo DÓ SUSTENIDO MENOR alguém RÉ MENOR
 
LÁ Desperta o FÁ SUSTENIDO MENOR sentimento
     
É DÓ SUSTENIDO MENOR melhor não resistir MI COM SÉTIMA E DÉCIMA PRIMEIRA 
MI COM SÉTIMA E MI COM SÉTIMA E DÉCIMA PRIMEIRA
 
E MI COM SÉTIMA se entregar LÁ
 
 
Seja bem-vindo, se VOCÊ É BEM COMO EU.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Nem todo palhaço tem graça

Pedro não gosta de Patati e Patatá. Não é nada pessoal. Eles são palhaços e defendem o pão-de-cada-dia deles. Mas o Pedro não gosta. Ninguém é obrigado a gostar ou achar graça de algo que para ele não é engraçado. Já percebi que ele curte as musiquinhas e só.

Na verdade, a dupla de palhaços representa para meu filho um estorvo. Acordamos de manhã, ligo a tevê e está passando um desenho super bacana... quandefé... lá vem o Patati e Patatá atrapalhar o desenho. 
- Mamãe, tira esse Pati daí! Eu quero ver deseeenhoo!!! - esbraveja meu rebento.
- Não posso, filho. Eles que mandam na televisão. Só vai começar outro desenho quando eles quiserem.
- Então, coloca o DVD! Eu quero ver desenho!
Eu, como mãe, como posso obrigá-lo a assitir aos palhaços?
Como vou dizer "Não, filho. Assista ao Patati, vai fazer bem pra vc! Quando a mamãe era pequena, não existia DVD e eu tinha de assistir o Xou da Xuxa pra depois ver os desenhos. Portanto, se conforme com o que o SBT quer para você."? 
Se não existia DVD no meu tempo, se não tínhamos opção de querer coisas diferentes quando eu era criança, isso é problema meu! Meu filho tem opções e desde pequeno já sabe escolhê-las e acredito, como mãe, que é mais salutar deixar que ele escolha sua própria programação do que eu (ou o SBT) fazer isso por ele. Chamo isso de respeito.

Por outro lado, algumas pessoas confundirão esses meus dizeres com a falta de limites. Não foi isso que eu quis dizer, amigo leitor desatento. Preciso saber o conteúdo do que meu filho assiste na tevê e acompanhá-lo de perto. O que estou defendendo aqui é a possibilidade que as crianças de hoje têm de não serem "vítimas" de vontades alheias. Se ele quer ver desenho, ele vai ver desenho. Ele não é obrigado a ver palhaços sem graça primeiro, para depois ver desenho. Entretanto, se eu (que zelo pela sua formação enquanto pessoa) entender que é melhor para ele assistir X ou Y, assim procederei.

terça-feira, 19 de março de 2013

Tatuado em mim

Certa vez fui visitar uma amiga e fiquei um pouco surpresa com a tatuagem que ela havia feito: uma gueixa que ocupava suas costas quase completamente e algumas flores no braço. A surpresa não era nem pelo fato de estar se tatuando, e sim, pelo cargo que pretendia ocupar na Caixa.
-Amiga, você não tem receio do que o seu Gerente Geral pode achar de uma tatuagem tão grande? Porque, afinal, não dá pra escondê-la e no banco essas coisas ainda são vistas com um pouco de preconceito, né?
-O cara que não aceita a minha tatuagem, não serve pra ser o meu gerente.

A minha amiga sempre foi um exemplo pra mim em vários sentidos e essa frase foi uma lição de vida. Hoje, compreendo muito melhor o seu significado. Não somos nós que devemos nos deixar moldar pelos anseios do mundo. Ele que se adeque para me merecer, ora bolas!

Nos últimos tempos vivi meio pesarosa por minha vida não ser mais a mesma depois da maternidade. Por não gozar das mesmas oportunidades que tinha antes de ser mãe. Já escrevi em outras circunstâncias aqui nesse blog a dificuldade que a mãe solteira tem para encontrar caras que queiram o "kit completo". Entretanto, minha visão vem mudando e, talvez por isso, me lembro tanto da frase proferida pela minha amiga. Atualmente, sou capaz de compreender melhor que o cara que não aceita meu filho, não serve pra ser meu cara. É uma questão de preferência, sabe? Nós, mães que amamos nossos filhos, não vamos nos expor a pessoas que não aceitam e tão pouco compreendem a nossa situação. Elas não nos merecem. Isso é encarar a realidade.

A minha amiga quando decidiu fazer a tatoo disse "Frankly, my dear" para o resto do mundo e foi ser feliz. Por que raios meu filho e eu não faríamos o mesmo?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Pedro e o Português

-Mamãe, olha, um parquinho!!
-Nossa, filho, é mesmo!
-Amanhã você me traz aqui pra mim brincar?
-Trago, filho. Mas não é pra mim brincar, é pra eu brincar.
-É você que vai brincar?!?
-Não, filho. A mamãe tá te ensinando o jeito certo de falar. O certo é pra eu brincar. Fala: pra eu brincar.
-Pra eu brincar.
-Isso, meu amor!
-Então eu posso brincar também, né, junto com você?
Vai tentar ensinar português pra um menino de três anos, vai!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Serventia da casa

Me demito.
Sim, estou pedindo demissão.
Não. Não vou me arrepender.
Demito-me (como reza o bom português) das coisas inúteis,
dos amigos rasos,
dos programas bobos,
do ócio improdutivo,
das pessoas chatas,
daqueles que me querem mal,
dos sentimentos atordoados,
do descontrole - em todas as suas variáveis.
Despeço-me sem choro
da preguiça,
da indelicadeza,
da soberba.

Quem me dera se fosse assim...

Eu Não Sou da Sua Rua (Marisa Monte)

Eu não sou da sua rua,
Não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.
Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é
Meu, esse mundo não é seu