quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Comida pra viagem

Todo mundo já conversou com alguém que tinha alguma coisa pregada no dente. Por algum motivo ficamos inquietos quando algo foge do padrão. Por mais que a fugidinha seja um insignificante fiapinho de couve ou uma casquinha de feijão preto. Entretanto, o que tenho a lhes contar é pior que qualquer couve ou feijão. Tratava-se de um arroz. Um, não! Eram três! Três gigantescos grãos de arroz. Onde? 

Sabe aqueles caras que andam com os três primeiros botões da camisa abertos, têm uma correntinha com um crucifixo no pescoço, palito de dente no canto da boca e peito cabeludo (aqueles cabelos pretinhos bem enroladinhos)? Pois é. Os pobres arrozinhos estavam emaranhados nesses tufos de cabelos peitorais. Argh!

Eu queria que algum psicanalista, psicólogo, filósofo, médico ou pai-de-santo me explicasse o porquê da minha reação tão adversa àqueles grãozinhos grudados ali. Seria o biótipo do cara? Ou a imagem da cena dele comendo de boca aberta? Ou ele limpando os dentes com o palito e engolindo a carne que tira entre os dentes? Não sei.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Em público

Certa vez, na faculdade, o professor de cinema (que é um crítico renomado em Goiânia) nos levou para assitir ao filme Dália Negra. A projeção era realizada uma vez por semana, à tarde, só para que ele pudesse analisar e dar as estrelinhas dele no jornal. Achei a experiência o máximo! Um filme exibido exclusivamente para um grupo seletíssimo de pessoas e eu estava entre elas. Uau!

Daí, ontem tive uma experiência similar. Não tão gradiosa quanto da outra vez, mas igualmente gratificante. Fui ao cinema com meu filho, numa segunda-feira, pegar a sessão das 15h, no mês de outubro (que não é sequer férias escolares). O filme era 31 Minutos, uma produção baseada na série homônima exibida em canal fechado até alguns anos atrás. Pra falar a verdade, era bem fraquinho. Nem Pedro, nem eu gostamos de filme com bonecos - só gostei de Muppets e, mesmo assim, quando era criança. Enfim, o espetáculo não trouxe nada de espetacular, mas o contexto... ah, o contexto... Esse sim merece minha atenção. A sala estava completamente vazia. Dezenas de cadeiras e nenhuma pessoa, nenhumazinha. Minto. Vi uma cabeça na sala de projeção, mas ela não conta, porque certamente estaria ali fazendo qualquer outra coisa, menos partilhando comigo aquele momento único em que éramos os únicos. 

Lembro sempre da menina (esquizofrênica?) do filme Edifício Master ao dizer que sentia um prazer velado quando ela entrava no elevador e não tinha ninguém e que se sentia feliz por não encontrar pessoas. Não que eu seja anti-social, mas quem nunca sentiu vontade de estar num lugar público completamente à vontade. Todo mundo já quis tomar banho de piscina pelado! O quê? Você não?! Ah, fala a verdade! Aquela parada de A Lagoa Azul e tals... Nunca? Véi, cê num é normal...