sábado, 28 de abril de 2012

Errando que se aprende

Briguei com minha mãe. Todo mundo briga com as mães. Mas me sinto com muito remorso. Eu não devo brigar com ela. Sei que tudo fica insuportável e estafante às vezes. Aquele excesso de zelo, a preocupação exacerbada, a insistência em gerenciar a minha vida, tudo isso é comum a muitas pessoas e acabamos por falar coisas duras demais para ouvidos tão bons e que nos amam tanto. Não só os ouvidos dela me amam, e sim, ela como um todo! E o pior, eu sei disso! É nesse momento que sinto um remorso tão grande que parece que vai me comer de dentro pra fora. 

A função do amadurecimento é não permitir que cometamos os mesmos erros vezes seguidas. E não quero incorrer novamente no erro de só dar valor depois de perder. Eu já perdi duas pessoas a quem amei muito. Uma por força do destino, outra por não saber lidar com as circunstâncias. Mas eu não me arrependo das decisões que tomei. Elas foram de fundamental importância para eu perceber isso que vos transcrevo hoje. Posso ver as coisas sob uma ótica diferente depois que a tempestade passa. Esse é o mote da coisa. As ocasiões surgem para nos mostrar onde devemos melhorar e, se tivermos uma nova oportunidade, tentar fazer melhor.

Na relação com a minha mãe nos falta humildade. Tenho aprendido a ser humilde na marra, suplicando a ela que fique com meu filho em algumas ocasiões que não posso levá-lo. É obrigação dela? Não, é um favor. E como me dói pedir favores... Meu filho veio para me ensinar que não sou tão auto-suficiente quanto pensei que eu fosse. Eu preciso de ajuda em boa parte do tempo e isso fere meu ego como o golpe de um punhal. Tome essa! E mais essa! E essa outra!

sábado, 21 de abril de 2012

Eu que o diga!

Não sei se você é como eu. Quando estou caminhando na rua quero falar sobre tantas coisas, tenho tantas opiniões para emitir, encontro coisas engraçadas e desgraçadas e penso "quando chegar em casa vou escrever sobre isso". Nunca escrevo.

Não que minhas opiniões sejam importantes e devam ser proferidas aos quatro cantos. Muito pelo contrário, eu tenho noção da minha pequenez no mundo. Mas, sabe, dá vontade de falar. Atualmente as pessoas não falam mais. Uma pessoa diz e um milhão curte ou compartilha, ou seja, apropria-se do pensamento e dos dizeres alheios. O próprio ato de conversar, por exemplo, perdeu-se no tempo. As pessoas estão carentes de conversa hoje em dia.   (1)

Lembro-me de quando fazia faculdade e meu amigo Rodolfo e eu sentávamos nas escadarias da Faculdade de Letras e conversávamos, conversávamos e conversávamos. Falávamos de tudo. Política, música, comida, amores, o que viesse à cabeça. Tínhamos tempo. Hoje quem tem tempo para visitar uma pessoa em casa? No máximo, damos uma passadinha. É o receio de incomodar. Medo de atrapalhar em alguma coisa. Parece que o tempo que "gastamos" conversando com uma amiga, talvez pudesse ser melhor empregado em algo mais proveitoso, como ficar curtindo comentários no Facebook ou assistindo tevê. Sim. Tememos a conversa. Não gostamos de visitas, muito menos de visitar. É triste, mas é fato.

Há muito deixei de me imaginar morando no interior novamente. Entretanto, em alguns momentos sou tomada de uma profunda saudade da minha infância. Tempo aquele em que os vizinhos colocavam suas cadeiras de fio na calçada a noite para conversar, enquanto nós, crianças, brincávamos de esconde-esconde atééé taaarde... Parece que ouço as vozes dos meus amigos contando de um até trinta, as risadas dos adultos se deliciando quando dava alguma confusão (dessas de criança) nas brincadeiras e também sinto os pés doloridos de correr descalço no asfalto. E no final das contas, todos se recolhiam. As crianças para o banheiro primeiramente (às vezes para tomar banho, às vezes para apenas lavar os pés), os pais para os quartos. E dormíamos um sono leve, pensando em qual seria o esconderijo de amanhã e que eu seria a última a ser encontrada.

(1) Uma prova de que as pessoas estão carentes de conversa é só iniciar uma. Certamente você terá pouco espaço para falar. Ao começar um assunto, ou uma narrativa, somos logo entrecortados pelo interlocutor que se lembra de algo imprescindível de ser dito naquele exato momento. Isto é, até noções de educação são deixadas de lado quando temos a oportunidade de por a oratória em dia. Daí, polidamente retomamos ao nosso assunto quando o nosso ouvinte(?) nos permite. "Como eu tava dizendo..."

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Desculpas ao português

Ontem pela primeira vez senti vergonha deste/desse blog. Estava em uma aula de português. Me senti burríssima! Mesmo porque "me senti" no começo da frase é errado. Senti-me, portanto, duplamente burra. Eu sei que não escrevo tão mal, porque não escrevo mau no lugar de mal, por exemplo. Entretanto, preciso melhorar horrores! É tudo falta de leitura. Não leio mais. Somente textos de facebook. Que não são (ou não é) nenhuma obra prima da literatura mundial. Estou constrangida.

sábado, 7 de abril de 2012

Vendedores são meu carma

Eu acho que na ultima encarnação eu fui vendedora, ou talvez na próxima eu seja (por castigo). Só sei que pago por todos os meus pecados quando ponho os pés dentro de uma loja. Em raras ocasiões sou tratada da forma como gostaria. Às vezes tem bajulação demais que nem nos deixa a vontade para olhar os produtos com calma. Às vezes tem desatenção de menos que temos de ficar implorando para que o atendente faça o serviço dele a contento.

Véi! Eu só queria uma camiseta! Térmica! Em malha fria! Tamanho M! Manga longa! E que não fosse escura!

Espero por cerca de 10 minutos e lá me vem o vendedor, com seu tipinho meio aéreo, com duas camisetas pretas, uma de manga curta e outra de manga longa, ambas tamanho G.

Ana Paula ideal: _ Ô, meu querido, você se enganou. Eu visto tamanho M. Essa aqui é G. Teria como você dar uma olhadinha lá dentro pra ver se tem a M. E a propósito, eu não gostaria que fosse escura. Queria uma cor mais clarinha. E não precisa trazer de manga curta, não, tá? Só serve se for manga longa. Eu não tenho pressa, não, viu? Pode ficar a vontade.

Ana Paula real: _ Então tá! Falou! Obrigada! (batendo em retirada)

Eu sou o Saraiva da segunda década do século XXI.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Só lamento, Demóstenes

"Papagaio que acompanha joão-de-barro, vira ajudante de pedreiro."
Tive a impressão de ouvir Seu Jorge cantando esse trecho da canção, quando vi pela primeira vez na tevê falando do possível (e já dado como certo pela imprensa) envolvimento do senador Demóstenes com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Eu votei na Marina e no Demóstenes. Não é que eu não me lembre dos demais candidatos. É que não votei mesmo! Eu desacreditei na política e o únicos fios de esperança a que eu me agarrei foram a candidata a presidência pelo PV e o Demóstenes, que até então, ao meu ver, mantinha uma conduta condizente.

É decepcionante.

Não sei se ele é culpado ou inocente. Só sei que o ideal seria que o nome dele nem estivesse no meio desse imbróglio todo. Ele já foi condenado por todos, principalmente pela imprensa. Que é o pior de todos os algozes. Agora só nos resta acompanhar quanto tempo levará para que lhe decepem a cabeça.

E sabe o que eu acho disso tudo?

Acho é pouco!

domingo, 1 de abril de 2012

Dicas para concurseiros

Em um concurso público, quando se aposta todas as cartas em uma promessa, não se pode incorrer no risco de algo dar errado. Portanto, todo cuidado é fundamental. Pensando nisso (hoje de manhã enquanto esperava as provas que atrasaram 15 minutos), elaborei algumas dicas para que sua prova seja bem sucedida (preste atenção que eu disse "prova bem sucedida" o que não é sinônmo de "aprovação").

1º) Fique de resguardo. Isso mesmo! Resguarde-se de festas, noitadas, drogas, bebidas, sexo e comida gordurosa por duas semanas. Se der errado é porque você não seguiu a dieta direito.

2º) Coma apenas coisas leves nas seis últimas horas que antecederem a prova. Tipo sopa de isopor ou barra de casca de arroz. Algodão doce deve ser consumido com moderação.

3º) Leve para a prova três lápis (caso o 1º quebre a ponta, você terá o 2º. Caso a ponta do 2º também quebre, ainda haverá um 3º. Mas se a ponta do 3º quebrar, desista, cara! Você é muito azarado e não vai passar de jeito nenhum!); não leve borracha, porque concurseiro não se permite errar, jamais! Leve duas canetas pretas e duas azuis, pro caso de algum gatinho/a não ter levado e você poder emprestar e puxar um assunto e, quem sabe, rolar um chopp depois da prova pra discutir as questões...

4º) Converse com o colega do lado. Esse conselho não tem um motivo especial. É que eu acho tão chatas essas provas em que ninguém conversa com ninguém. Todo mundo fica mudo, olhando pro além. Acho muito chato! Por isso que eu puxo conversa e adoraria se mais pessoas fizessem isso!

5º) Responda as questões das mais fáceis para as mais difíceis. Leve uma moeda para jogar cara ou coroa, no caso de dúvida.

Seguindo essas dicas, mais umas oito horas de estudo diário, meu amigo, seu ingresso na carreira pública está garantido!