quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Coisas de mãe

Não é a primeira vez que recorro aos Poupançudos nesse blog. São criaturinhas feias e desengonçadas, mas que caíram no gosto das crianças (e também de alguns adultos). E eu, na função de caixa, sinto-me como alguém que possibilita às pessoas terem um desses monstrinhos marketeiros. A cada depósito de R$ 200,00 por dia, ganha-se um. É minha obrigação também ajudar a "fiscalizar" para que os brindezinhos horrendos não sejam todos levados de uma vez.
-Quero fazer cinco depósitos de R$ 200, 00 nessa conta.
-É pra ganhar Poupançudo, senhor?
-É.
-Não pode.
-Não pode, por quê?
-Porque são as regras da promoção, senhor. Eu não posso permitir que o senhor leve cinco Poupançudos de uma vez. Com isso estaríamos deixando de prestigiar outros quatro clientes, por exemplo.
Mas confesso que eu mesma já quebrei a regra uma vez. Era uma senhora simples, que falou comigo em tom humilde a seguinte conversa:
-Moça, meu filho tá colecionando os Poupançudos e só falta um. Só que eu não tenho mais dinheiro pra depositar. Eu queria que você sacasse R$ 200,00 da conta e depositasse de novo, só pra eu pegar o bichinho pra ele.
Em raros momentos me coloco do outro lado do balcão. Entretanto, eu sou mãe e naquele instante me senti na pele daquela mulher e sei que faria exatamente a mesma coisa. Afinal, o máximo que ela poderia ganhar seria um não da atendente. Mas eu disse sim. Fiz conforme ela me pediu, atendi mais um cliente e saí para o almoço.
Lá fora, a cena me tocou muito. Um menino de uns seis anos, vestido com a camiseta do Corinthians (tenho muita simpatia por corinthianos), pulava de alegria com um o Jijo na mão.
-Iiihuuu!! Eu tenho a coleção completa dos Poupançuuudooos!! Eba! ninguém mais na sala conseguiu completar, mãe! Nós conseguimos! Iiihuuu!!
A mãe dele não me viu passando, mas eu os vi e vi a alegria que eu pude proporcionar àquele garoto naquele dia. E era tudo verdadeiro! A humildade que ela se referiu a mim, a circunstância que a envolvia, o desejo do menino de completar a coleção.

Meu filho é louco por patrols, retroescavadeiras, tratores... todas essas máquinas pesadas, incluindo caminhões. Às vezes, saio com ele de carro só para que ele veja as máquinas. Passo diante das construções e paramos para ficar observando os homens trabalharem. Olha só! Há três anos nunca me imaginaria parada diante de uma obra, olhando homens de macacão azul operarem retroescavadeiras e caminhões descarregando terra. Maternidade é isso. É se doar. É alegrar-se com a alegria do filho.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O aprendizado, segundo Willian

Todo mundo tem coisas de estimação. Aquilo que guarda e não abre mão de jeito nenhum. Eu tenho um texto de estimação. É praticamente um mantra. E toda vez que o leio descubro algo diferente que me toca lá no fundo da alma. Compartilhá-lo-ei com vocês:

"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

domingo, 8 de janeiro de 2012

O leão

Um leão em sua jaula.
Minha uma ova! Na jaula onde me colocaram, porque meu mesmo é todo aquele espaço da savana africana. Ali é o meu império. É ali que me sinto a vontade. Fizeram a jaula para me dominar, prender meus sonhos de correr pelos campos, tolher-me em cada gesto, em cada atitude.
Meu amo faz aquele tenebroso barulho com o - também tenebroso - chicote. Shhiiitaaac! Shhhiiitaaac! Ai, como eu gostaria de ouvir apenas o barulho da palhada secando e se contorcento sob o sol tórrido da terra dos meus antepassados.
Este senhor de roupa preta e cartola me faz parecer patético. Subo e desço de banquinhos, passo por entre argolas de fogo, rujo sem estar com vontade... Não gosto disso. [suspiro]
Esse humanos incovenientes me olham como se eu fosse muito assustador, como se representasse algum perigo, como se não fosse apenas esse leão velho e decadente de circo que sou e que a qualquer momento será executado pelos seus donos. É isso. Leão velho e decadente de circo... é o que sou.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cuidado com o mau humor alheio

Eu não entendo como as pessoas se acham no direito de estar na minha pele e ditar meu modo de agir. Como diz a célebre frase do autor desconhecido "Deus deu a vida para todo mundo, cada um que cuide da sua." Me bateu essa indignação por vários motivos que não relatarei aqui por julgá-los pessoais demais para um blog, mas um eu posso citar.

Lá estava eu, trabalhando obrigatoriamente como reza o meu contrato de trabalho, com a cara mais amarrada possível (não por querer, mas meus problemas não permitiam que eu me portasse de outra forma - ainda não sei fingir tão bem). Chega um cliente no meu guichê, um senhor bonachão de uns 70 anos, gordo, vermelho e sorridente.
-Você tá com dor de cabeça?
Fingi que não era comigo e continuei atendendo a demanda dele (meu serviço é técnico, com raras pitadas de relacionamento com o cliente. Resume-se 80% autenticar documentos com velocidade e atenção e 20% atender, dos quais apenas 0,3% devo ser agradável e sorridente, ou seja, um valor ínfimo).
Mas todo velhinho tem por natureza ser insistente, talvez pensem que sejamos surdos também.
-Hein, minha filha? Você tá com dor de cabeça?
-Não, senhor.
-Então por que você está com essa cara emburrada?
Fiquei surpresa com a petulância do velhinho. Todo mundo que é atendido por alguém com cara-de-bunda limita-se apenas a comentar com alguma pessoa fora: "Puxa, hoje fui atendido por uma mulher num mau humor... numa cara-de-bunda-azeda... parece que é mal amada... credo! Como que pode ter gente assim?" E pronto. Ninguém se atreve a interferir no meio, até que apareceu esse velhinho danado!
Eu não respondi nada, que foi para ratificar para ele que estava de mau humor e não queria conversa de modo algum. Ele compreendeu meu recado.
Fiquei pensando em todas as respostas possíveis para dar àquele coitado naquele momento. Meu Deus! Seria um ultraje! Talvez eu até recebesse uma advertência do chefe...
-Não, senhor, eu não estou com dor de cabeça. Estou de mal com a vida. Insatisfeita momentaneamente. Por que? Não tenho esse direito? Além do mais, não é da sua conta a minha vida. Nossa relação resume-se apenas em eu atender a sua demanda e o senhor ir embora daqui. Por ventura eu peço algum tipo de satisfação da sua vida? Fico perguntando se o senhor ganhou na Mega pra ficar sorrindo feito um pateta desse jeito? Acho que não, né? Então, pegue seus boletos e os enfie no... bolso e vá embora antes que eu fale alguma besteira para o senhor.

Moral da história: Todo mundo tem direito de não ser feliz o tempo todo. E o mínimo que podemos fazer é respeitá-lo. Se quiser, pode comentar com um colega... em outra ocasião... mas nunca afronte uma pessoa que esteja momentaneamente acabrunhada. É perigoso.