quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Emoção, fome e música

Ontem eu tive inspiração para três posts! Mas em vez de parcelá-los falarei brevemente de cada um deles. Sou filha única e, portanto, lido muito bem com a solidão. Nos (raros) momentos em que me dou ao luxo de ficar sozinha penso, observo e descubro coisas novas. Ontem me proporcionei o prazer de ir ao cinema sozinha. Aaahh... Ir ao cinema sozinha... Que delícia... O que para alguns é meio deprimente, para mim é um momento de descobertas.

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Por exemplo, descobri que filmes de comédia me fazem chorar. Posso parecer um pouco carrancuda e seca às vezes, mas o fato é que sou muito emotiva e sensível, só que disfarço bem pra não dar o braço a torcer (sou libriana, quaaase escorpionina). Eu assisti ao filme dos Smurfs. Sim, relembrar é viver! Sim, é do meu tempo! Sim, eu sou saudosista mesmo! E daí? Enfim, o filme retrata as dificuldades que os pequenos seres azuis (em Nova York) passam ao tentar retornar para sua Floresta Encantada. Mas o que me chamou a atenção mesmo e me fez soluçar aos prantos enquanto os outros riam, foi o fato de o Papai Smurf fazer tudo, tudo mesmo pelos seus protegidos. O que motiva uma pessoa a adotar para si a obrigação de cuidar de alguém? Digo, o Papai tinha uma vocação de ser papai dos demais smurfs. Ele fazia aquilo com um amor que eu conheço bem. Um amor de doação. De querer fazer o bem e fazer o que é certo. E tudo isso me toca profundamente. Principalmente por saber que existem pessoas assim na vida real.

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Saí do cinema com uma fome lascada e fui para a praça de alimentação. Lembrei das aulas de planejamento gráfico. Você sabe quais são as cores da fome? Não, não estou falando da fome mundial, antes que você pense nos países pobres da África. Estou perguntando se você sabe da mensagem subliminar a que você se expõe toda vez que entra em uma praça de alimentação. Bingo! Um sanduíche do McDonald's, ou do Giraffas, ou um pastel da QG, ou uma esfiha do Habib's, e outras tantas, para quem disse que as cores da fome são amarelo, branco e vermelho. Recordo-me perfeitamente do professor Cláudio dizendo que essas cores despertam o nosso apetite. Interessante essas sinapses, né? Então, aproveitarei o momento para fazer um desafio: agora que você, amigo leitor, já está liberto desse imperialismo publicitário condicionador, eu o desafio a comer numa praça de alimentação em algum lugar que não tenha alguma dessas cores em sua logomarca.

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Daí quando voltava para casa vim ouvindo Chico Buarque no carro. Me bateu uma saudade danada da Maianí. Devo a ela todo o meu bom gosto musical. Há dez anos atrás, quando comecei a tocar violão, a minha querida amiga pegava (na internet, que até então era pra poucos) cifras de músicas ícones do repertório brasileiro. Eu não sabia todas, mas ela cantava e eu tocava e formávamos uma dupla e tanto! Ou quase... apesar dos desafinos e dos acordes mal elaborados. Contudo, foi uma época muito linda: João e Maria, Geni, Cuitelinho, Xote das Meninas, Asa Branca,... sem falar de Cássia Eller, Adriana Calcanhoto, Caetano,... aai, Zé Ramalho... (suspiro)


domingo, 28 de agosto de 2011

Trânsito VI: transporte público coletivo

[A segunda opção de título seria Coletivo de merda: transporte público]

O tal do coletivo é uma merda! Perdoe-me a expressão, mas é mesmo. É por isso que o trânsito anda essa merda, perdoe-me novamente. Não conheço uma pessoa sequer que utiliza o transporte público coletivo porque gosta. Só andam nessa joça porque não têm outro meio de transporte ou porque fica mais em conta financeiramente. Desde os tempos da faculdade eu sou indignada com motoristas de ônibus, passageiros de ônibus, bancos de ônibus, tudo! Tudo!

Como eu morava relativamente perto do campus, muitas das vezes, os motoristas nem paravam para eu entrar naquela compota de estudantes e trabalhadores. Eles faziam apenas aquele sinalzinho como a mão juntando os dedos na vertical por várias vezes (aquele sinal que fazemos pra dizer que tá cheio). Eu morria de raiva! EU SABIA QUE ESTAVA CHEIO, MAS QUERIA ENTRAR ASSIM MESMO, PORQUE EU TINHA AULA! Ou eu saia de casa meia hora mais cedo para conseguir entrar na droga do ônibus (isso eu tô falando só pra entrar, passar na catraca e sentar era oooutra história). Daí, quando um motorista um pouco menos mal-humorado resolvia parar para me pegar, eu tinha de dividir um espaço entre o segundo degrau do ônibus e a porta com mais três pessoas. Contudo, eu ainda me considero uma pessoa de sorte, porque eram praticamente todos estudantes, e universitários são, em geral, cheirosinhos (exceto aquele pessoal que usa dread no cabelo).

Isso sem falar que a única vez que fui roubada onde eu estava? Onde? Na Praça da Bíblia, entre tapas e chutes para entrar no Itatiaia (era a linha que levava ao campus, carinhosamente chamado também de Istapiaia). E homem tarado? Nossa! Eu morria de ódio de ter de esbarrar naquelas protuberâncias salientes a encostar na minha bunda! Que inferno, meu Deus! Que inferno! Dentro dos coletivos encontramos toda sorte de gente. Os que me chamam a atenção são os sem-noção-demais. Aquelas pessoas que passam a viagem toda falando ao celular na maior altura. Ou aqueles que ouvem músicas com fone, mas que poderiam estar sem eles, porque todo mundo está escutando o som dele. Há os que dormem o tempo todo e babam no vidro até. Aqueles que se fazem de altista quando sentam nos bancos preferenciais. Não posso deixar de mencionar os que puxam conversa com todo mundo. Se sentar um surdo ao lado é capaz de pegar um papel e uma caneta no bolso só pra perguntar alguma coisa, nem que sejam as horas.

sábado, 27 de agosto de 2011

Conjugação verbal

Mamãe lavando vasilha na cozinha, Pedro na sala próximo à porta aberta.
-Mamãe, pota.
-O quê, meu filho? - respondo sem me virar.
-Mamãe, pota!
-Ah, tá... A porta...
-Mãe! Ó, pota!
-Tá bom, filho. Mamãe já viu a porta.
-Mamanhêê, poootaaa!
-Quê que tem a porta, meu amor?
(Páááá!) - barulho da porta batendo.
-Iiihh, potô...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Eu tenho saudade. Você não tem?

A exemplo de um grande amigo meu que sofre de lonjura, eu sofro de ausência. Sou muito apegada e saudosista. Gosto de ficar lembrando de bons momentos que vivi com boas pessoas. Por exemplo, eu tenho uma saudade danada da minha turma do prézinho. Se eu pudesse convocaria todo mundo pra uma festinha, estilo aquelas que fazíamos em que as meninas levavam salgadinhos, o meninos, refrigerantes, a tia dava o bolo (não literalmente) e o Japão levava os picolés da sorveteria do pai dele. O mais legal era saber que quando ia ter festinha o pai do Japão, por livre e espontânea pressão, doava 32 picolés para a nossa turma. E no final, a gente tinha sempre de levar um pouquinho pra mamãe num copinho de plástico. Era como um ritual pós-festa.

Por falar em ritual pós-festa, tenho saudade também do tempo em que saía com meus amigos sem ter hora para voltar pra casa. Quando chegávamos sorrateiramente de madrugada, pensando que ninguém estava nos ouvindo. Também sinto falta de fazer serenata com o violão e jogar rosas (ou qualquer outra coisa do reino vegetal, sim, porque animais nós nunca jogamos!) na garagem da pessoa que recebia a nossa agradável cantoria.

Sinto saudade da turma da faculdade e uma certa curiosidade pela vida de cada um agora, uma vez que nos separamos há mais de quatro anos... Puxa... Quatro anos!!! Todo mundo certamente mudou muito de lá para cá. Eu, por exemplo, passei a ser mãe. Alguns ostentam empregos legais; outros, nem tanto. Uns mudaram os cabelos; outros, os perderam. Uns já estão casados; outros, bem... tico-tico no fubá, como sempre. Perdoem-me, mas não quero ser ofensiva. De modo algum! Só quero ressaltar o quanto mudamos e o quanto deixamos para trás boas coisas das nossas vidas e que se soubéssemos que seriam tão efêmeras teríamos aproveitado com mais afinco. Se eu soubesse que não teria mais contato com esses meus amigos, certamente teria passado mais horas fora das salas jogando conversa fora.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O ipê-amarelo da estrada

Dirigir na maioria das vezes é um saco! Ao menos para mim, que não sou muito adepta a dividir espaços. Mas em raras circunstâncias o ato de dirigir nos proporciona sensações maravilhosas. Nesses últimos dias tenho observado os ipês-amarelos ao longo da estrada para o meu trabalho. Aqui, nesse cerradão de meu Deus, o tempo seco é um tanto quanto rigoroso. É um poeirão, não tem umidade no ar, faz um calor da muléstia e as coisas ficam todas acinzentadas. Mas eis que o ipê-amarelo chama a atenção. Entremeio às árvores de pequeno porte, contorcidas, de folhas embaçadas e o capim marrom-amarelado surgem as flores de um amarelo tão vivaz, vívido, vislumbrante que vivifica qualquer ser vivente que passa por ali (aqueles que se dão ao luxo de olhar ao redor, é claro, pois há pessoas que só enxergam o negro do asfalto quando dirigem).

Quando vejo aqueles ipês... amarelinhos... se destacando na paisagem, meu coração se enche de alegria. Como se Deus sussurasse no meu ouvido "tá vendo? ele tá fazendo a diferença no cenário dele? e você? o que tem feito?". Até quando as flores caem, o chão fica iluminado. Contudo, o ipê não floresce o ano todo. Ele guarda forças enquanto as outras árvores brilham, pra depois voltar fulgurante novamente.

domingo, 21 de agosto de 2011

A dádiva

Eu amo o meu filho. Isso é um clichê porque qual mãe não ama o filho incondicionalmente? Mas estou falando de MÃE, mãe mesmo, mãe de verdade! Pois há mulheres por aí que simplesmente se dão ao trabalho de gerar e parir e soltam os bichinhos no mundo sem dar-lhes o mínimo que eles merecem por serem também filhos de Deus. Nem gastarei o meu francês falando dessas vadias desnaturadas que abandonam os filhos ou não cuidam deles. Vou me resumir em falar da minha experiência com a maternidade, que, sem dúvida alguma, foi a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos 25 anos.

Não costumo dizer que tive uma gravidez indesejada (acredito que palavras ruins atraem coisas ruins), digo apenas que ela não foi planejada por nós. Contudo, foi perfeitamente planejada por Deus. Quando engravidei me perguntava muito "por quê? por quê, Deus? por quêêê foi acontecer comigo?". Não explicitarei detalhes técnicos da concepção pois não é adequado falar sobre isso em um blog, mas adianto que sou uma pessoa esclarecida sobre métodos anticonceptivos, e no entanto, aconteceu. Enfim, depois de passado o susto maior, veio a aceitação e depois o apego. O momento mágico da minha gravidez foi quando fiz o primeiro ultrassom e o médico falou: "Seu filho tem o tamanho de um feijão. Escuta só o coraçãozinho dele." E batia tão acelerado. E era tão lindo imaginar que o meu feijãozinho tinha um coraçãozinho que já batia e toda aquela vida estava dentro de mim e dependia de mim... Foi a missão mais sublime de toda a minha vida. Eu disse pro médico: "Eu quero esse menino mais que tudo nessa vida."

Desse momento em diante tudo se transformou por completo. Junto à mudança da rotina vieram as mudanças de comportamento, mudanças físicas, todos os seu valores são lançados numa mesa e você os reordena em prol daquela vida que está para nascer. Quando eu estava em Santa Catarina, uma amiga me falou, assim, por acaso, ela nem sabia que eu estava grávida... "Ana, somente pelo meu filho eu seria capaz de matar." Vocês conseguem imaginar o que passa no coração de uma mulher quando o assunto é seu filho? Nós perdemos qualquer razão, pudor, medo, preguiça,... o amor materno é o sentimento mais superior ao qual eu pude ter contato (em termos humanos, é claro, porque o amor de Deus é do borogodó!)

Eu amadureci tanto nesses quase três anos que às vezes não me reconheço. Sempre tive boa índole, caráter e senso de responsabilidade. Entretanto, agora sou uma mulher de verdade. Não que eu esteja subestimando as minhas amigas que ainda não são mães, só que, modéstia à parte, nós mamães, matamos um leão por dia. Leão nada! Mato dois tigres, uma onça-pintada, três pumas e uma jaguatirica! Quando eu engravidei o meu sábio pai disse: "Onde o pote quebra, a rodia fica." Trocando em miúdos é o que Saint-Exupery escreveu: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Eu levo isso a sério demais. Meu filho é o meu maior presente e gosto de fazer jus a isso, nem que eu tenha de abrir mão de um monte de coisa, carregar o mundo nas costas ou buscar energia de onde nem se imagina. Um sorriso dele, associado a três beijinhos (um em cada bochecha e um no queixo) e um maamãããee arrastado paga qualquer, qualquer coisa nesse mundo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Já pensou se você fosse adotado?

Acabei de chegar da feira. Comi um delicioso peixe frito, dois espetinhos, uma pamonha e duas cervejas. Mas o importante não é isso. Eu quero falar sobre o que a dona da banca me contou e que me fez refletir por alguns segundos e, por fim, postar aqui.
-Você só tem esse?
-Ah, sim! Um filho já dá muito trabalho...
-Eu tenho três! Um de 14, outro de 12 e uma de 6! Essa última é muito inteligente! Ela é adotada, mas ainda não sabe, não, sabe?
E saiu para atender outra mesa.
Fique me perguntando como seria contar para uma criança que ela é adotada. Que não é filha de sangue, apenas de criação. Comecei a me perguntar um monte de coisas... É mais importante quem pare ou quem cria? Os laços afetivos são menos importantes que os genéticos? Como essa menina receberia essa notícia? Qual seria o impacto de uma informação desse nível na vida de alguém? Nossa! Me perguntei tanta coisa! Me coloquei no lugar dessa mulher. No lugar da menina. No lugar da mãe sanguínea. Dos irmãos...

Há pessoas que pensam que seus problemas são os maiores do mundo. Pensam isso simplesmente porque não conseguem enxergar o quanto há vidas muito mais complicadas que as nossas. O fato de não ser filha de quem você acredita que é mexe completamente com a noção de identidade que você tem acerca de si mesmo. Ou não, né? Porque ninguém é igual a ninguém. De repente, quando a mulher lá da feira contar para a menina que ela é adotada ela diga apenas "é? então tá!".

Olimpíadas: Arremesso de celular

Estou começando uma série de postagens novas. São sugestões de modalidades olímpicas que inventei. A primeira é, sem dúvida, a mais legal: arremesso de celular à distância.
Quem nunca teve vontade de jogar o celular bem longe ao menos uma vez na vida? Seja por ter recebido aquela ligação/mensagem desagradável ou por não ter recebido aquela tão esperada. Ou por ter te despertado na melhor parte do sonho. Ou por ter visto algo de que não gostou no celular do namorado/peguete. Ou, simplesmente, por não deixar você fazer o seu trabalho.

Adoro tecnologia! Apesar do fetiche por coisas antigas. Mas o celular tem se revelado uma benção e uma praga ao mesmo tempo! No banco a nossa relação com celular é péssima. Somos obrigados a atender dezenas de pessoas o mais rápido possível e o cliente pensa que só porque esperou quarenta minutinhos na fila não deve ter respeito com os demais. Acontece muito que o cliente chega ao meu guichê falando ao celular e quer que eu espere ele terminar de falar para atendê-lo. Eu pergunto o que deseja e ele faz um sinal com a mão para eu esperar. Não!!! Eu não espero, não!! Se você está ocupado porque veio ao guichê então? Não quer ser atendido? Vai ser atendido e é agooora!
-Pois não, senhor? No que posso ajudar? - falo enquanto ele fala.
Sinal com a mão.
-Não, senhor. Eu não posso esperar o senhor terminar sua conversa. Há clientes aguardando e eu vou chamar o próximo.
Normalmente as pessoas desligam o aparelho nesse momento, mas quando não acontece eu chamo o próximo, o atendo e saio em seguida do guichê para fazer a pausa de 10 minutos de exercício pra prevenção à L.E.R. Sim! Eu sou implicante! Confesso! Mas é que as pessoas não têm bom senso e acham que eu sou obrigada a esperar eles terminarem seus assuntos (às vezes de negócios financeiros, às vezes amorosos, às vezes só conversa fiada mesmo).
É nesse momento que entra a modalidade olímpica. Eu tomo o celular da mão do cliente e jogo-o o mais longe que conseguir. Como minha agência é pequena, as chances de ele se estraçalhar na parede são enormes.
Há casos em que eu somo os valores a serem recebidos e constato que o numerário está a menor (bancariamente falando). Digo para o boy e ele pega o celular para ligar na empresa e dizer que está faltando dinheiro. Por que raios não deixou pra dizer isso lá??? Ligar do meu guichê ia mudar alguma coisa? Não! Só atrasar o meu serviço em um minuto! E um minuto para quem trabalha no caixa significa três autenticações.
Há casos em que a pessoa não anota o número da conta corretamente. Novamente faz-se uso do telefone móvel. Há casos em que não trazem o CPF pra fazer TED ou DOC. Ó o celular de novo! Há casos de ligarem para passar saldo: "Fulano, tem dois mil na conta. Quer que eu saque quanto?" Por que? Por que?? Por queeee não tirou a droga desse saldo lá fora no auto-atendimento e ligou para o fulano de lá mesmo e que viesse no caixa só para saca dinheiro, então!?

Minha inspiração: o professor revoltado. Isso sim é um cara de fibra!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Culinária: Lagarto ao Molho Madeira

Mais uma vez a Fantástica Cozinha de Ana Rosa Lorota vem nos presentear com uma receita di-vi-na. Depois do sucesso da Galinha Recheada, chegou a vez de aprendermos como se faz um maa-raa-vi-lho-so Lagarto ao Molho Madeira (letras iniciais maiúsculas dão mais pompa ao prato, acho que inclusive vou afrancesar o seu nome para Lagartò au Sauce Madère).

Primeiro passo: escolher o lagarto, - veja bem, eu disse lagartO, não me apareça com uma lagartA, pelo amor de Deus! - de preferência um bem gordo. Pode ser daqueles que andam no muro, ou aqueles verdões que cavam buracos no quintal... a versão branca de parede (vulgo: largatixa) não é muito apropriada para o prato... o ideal mesmo seria um teiú, mas está cada dia mais difícil conseguir um desses... Os importados também são excelentes. Muito cuidado ao abatê-lo para não prejudicar a aparência na hora da montagem do prato. Abra-o pela barriga porque a pele do dorso é suculentíssima. Não descame. Tempere com alho, sal e limão. Refogue e coloque um pouco de água. Pero no mucho!

Segundo passo: a preparação do molho madeira exige uma escolha criteriosa de ingredientes. Não pode ser qualquer pinus ou eucalipto, não! É preciso uma madeira de verdade, tipo, mogno, jacarandá, angico ou pau-brasil, pois serão elas que vão conferir verdadeiro sabor ao lagarto. Retire lascas da madeira escolhida. Mas atenção: devem ser cortadas com uma machadinha fabricada em Minas Gerais, caso contrário, o sabor do prato será prejudicado. Coloque-as numa panela com leite de coco e cogumelos shitake, uma pitada de sal e outra de açúcar (este para cortar a acidez da madeira).

Terceiro passo: misture tudo e sirva com uma generosa porção de arroz. Fica uma dee-lí-cia!

domingo, 14 de agosto de 2011

Quem será o Alemão?

Há uma pessoa na Alemanha que visita o meu blog às vezes. Acredito que não seja um alemão ou uma alemã. Mas não faço ideia de quem seja e fico curiosíssima em saber. Imagino um brasileiro (ou brasileira) que me conhece e de vez em quando pensa: vou lá ver o que a Ana anda escrevendo... Todavia eu não conheço ninguém na Alemanha!!! Já tive amigos na Áustria! Tenho amigos nos EUA, na Itália e em ilhas paradisíacas perto do Japão... Mas Alemanha??? Quem será? Quem seráááá???

Um mundo de possibilidades infinitas

Você já agradeceu a Deus hoje? Se lembrou de agradecer por tudo que tem e por aquilo que não tem também? Agradeça se tiver uma espinha na testa e agradeça por não ter um câncer de pele. Agradeça por andar de carro e agradeça por não andar em uma cadeira de rodas. Agradeça por poder ver aquele rapazinho que você estava tão afim saindo com outra. Melhor ver isso do que não ver nada. Sei que pareço um pouco trágica, contudo é preciso cair na real e constatarmos que temos uma vida perfeita. E que tudo que é ruim, pode sim ser piorado. E quando passamos da insatisfação para a gratidão a nossa vida melhora sobremaneira. Se você tem problemas financeiros, em vez de falar a todo momento que está endividado, que seu dinheiro não rende e que ganha pouco, experimente agradecer de coração por aquele salário que Deus te proporcionou naquele mês. Faça isso três meses seguidos e depois me conte o resultado.

sábado, 13 de agosto de 2011

Peripécias do caixa

Todo mundo já teve sua identidade botada à prova em alguma ocasião. Por diversas vezes temos de passar por circunstâncias em que somos questionados se nós somos nós mesmos. Por exemplo, quando vamos fazer um vestibular, ou entrar em um recinto restrito, ou o melhor de todos: quando vamos sacar dinheiro em um banco. Adoro esse último porque eu sou o algoz da questão. Sou eu quem olho para a pessoa com cara de desconfiada e a deixo toda constrangida.
O sujeito se aproxima do meu caixa:
-Bom dia. Pois não?
-Quero fazer um saque.
-Me empresta sua identidade e o cartão da conta, por favor.
Entrega-me a identidade. Olho para a foto e para ele, para a foto e para ele, para a foto e para ele. Normalmente na segunda vez ele dá um sorrisinho. Não sei porque as pessoas riem quando fazemos isso. Parece um impulso! Quase todos riem! Será que pensam que devem ser simpáticos para que eu os reconheça na foto? O que na verdade é uma incoerência, porque ninguém fica simpático em foto de identidade.
-Não tá parecendo você, não... - digo pra dar uma amedrotadinha. Olho para a foto e para ele pela quarta vez e balanço a cabeça.
Nesse momento a pessoa perde a simpatia e começa a ficar meio desesperado.
-Não. Mas sou eu sim! Eu tenho outros documentos aqui ó: CPF, título de eleitor,... e vai tirando as coisas da carteira...
-Ah, mas nenhum desses tem foto. Mas vamos fazer o seguinte: eu vou fazer o saque e vou fazer o reconhecimento pela a sua assinatura, tá bom?
Para ser caixa precisamos saber um pouco de grafoscopia e datiloscopia, porque a caligrafia da pessoas tem traços característicos que permitem identificá-la e digitais não existem duas idênticas no mundo.
-Assina aqui, por favor, como está na identidade. (Depois vide aqui, mas depois...)
A pessoa assina. Daí eu pego aquela assinatura e começo a olhar minuciosamente cada detalhe e compará-lo com a identidade. (Obviamente só faço isso nos dias em que não há movimento, por que em dias cheios já teria pago o cliente há muito tempo!) Examino a autenticidade da identidade, olho para a assinatura, se preciso, pego opinião com outro colega. Sempre na maior desconfiança, porque eu gosto de ver a fragilidade do cliente quando eu ponho em dúvida a sua veracidade. Normalmente as pessoas tendem a ficar nervosas quando são colocadas em cheque sobre si mesmo.
Eu, por exemplo, posso ter certeza de algo. Mas quando alguém fala "tem certeeeeza?", pronto! Ela vai toda embora! O cliente também é assim, tanto que pergunta:
-Quer que eu assine de novo? Deixa eu dar uma olhadinha como está aí!
-Assina de novo, por favor. O mais parecido possível. Porque aí fica difícil pra mim, né? A foto não parece! A assinatura não confere! Vai que depois o titular da conta vem aqui e briga comigo por ter entregue o dinheiro dele pra outra pessoa... - brinco um pouco para parecer menos carrasca.
-Não. Mas a conta é minha mesmo. - enquanto assina novamente - Não sei pra que tanta burocracia pra sacar o meu dinheiro...
-Você deveria nos agradecer por estarmos cuidando tão bem do seu dinheiro! - repreendo-lhe.
Por fim, resolvo pagá-lo. Na verdade, eu ia pagar de todo jeito desde o primeiro foto/fucinho, mas de que adianta trabalhar num lugar desses e não se divertir um pouco?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Rotina e antiguidades

Perdoem-me a ausência. Mas de tempos em tempos acontecem coisas na vida da gente que nos tiram um pouco da rotina. Infelizmente não poderei partilhar aqui com vocês as mudanças que têm ocorrido ultimamente. Não que vocês não mereçam saber da minha vida interessantíssima - sim a minha vida é muito interessante, tá? ao menos para mim... Pode ser que para vocês pareça chato acordar, brincar com o filho, cuidar da casa, ir trabalhar no caixa de um banco, voltar, brincar com o filho e dormir. Contudo, são os pormenores que tornam tudo muito interessante. Por exemplo, eu vejo crônicas em todas as situações: quando estou no carro, ou brincando com o menino, ou atendendo ou conversando com alguém. Tenho vontade de escrever sobre todas as pequenas coisas do meu cotidiano. Então por que não escreve, Ana Paula? Às vezes, por falta de tempo, às vezes por não me lembrar sobre o que eu queria escrever... Perda de memória recente, como a Dora de Procurando Nemo.

Deveria andar com um bloquinho a tira-colo como os jornalistas antigos faziam. Hoje o negócio são tablets, eu sei tá? Mas as coisas antigas me fascinam muito (fora que as novas são muito caras), somente pela sua beleza nostálgica. Daqui uns dias publicarei a foto da minha tevê preto e branco, com botãozinho de rodar para trocar os canais. Mooorram de inveja! Eu posso não ter namorado, mas tenho uma tevê preto e branco antiga que ainda está funcionando... Que tal? Hein? Hein? Muitas pessoas têm namorados, mas poucas têm o privilégio de ter um aparelho desses.

Prometo não me abster de vocês por tanto tempo novamente. Adoro esse blog! Adoro as pessoas que lêem esse blog! Adoro os comentários que recebo sobre o blog! Vocês merecem a minha dedicação.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Perguntar ofende, sim!

Eu acho uma tremenda palhaçada quem fala que perguntar não ofende. Ofende, sim! E muito, dependendo da circunstância. Hoje, por exemplo, coloquei uma batinha para ir trabalhar. Duas pessoas me perguntaram se eu estava grávida!!! É a morte para uma mulher perguntarem se ela está grávida! Nessa pergunta vêm embutidas a seguintes falas: você está meio gordinha ou tá barrigudinha, hein?

Até para mim que sou magrinha essas falas tem cunho ofensivo, por mais que sejam ditas de forma carinhosa (como foram). Depois que tive meu filho, fiquei com uma protuberânciazinha abdominal que não consigo remover por nada nesse mundo - tá certo que até agora só tentei preces... e nada de exercícios, dietas ou massagens, mas tenho enviado muitas vibrações para que ela me deixe.

Enfim, uma dica para os homens: sejam cavalheiros e jamais pergunte se uma mulher está gestante, por mais redonda que ela pareça. Para as mulheres: não sejam sarcásticas a ponto de estragar o dia de outra.

Aqui estão mais alguns exemplos de perguntas ofensivas:
-Querida, você está mesmo namorando aquele gaaato?
Pensamento: Por que? Eu não sou digna de namorar um homem bonito? Não faço jus à beleza dele?

-Mas você ganha só R$ 800,00, mesmo? Como você vive com isso?
Pensamento: Não é porque eu tenho um salário menor, que o meu dinheiro valha menos que o seu.

-Você é gay?
Pensamento: Será que estou com trejeitos de gay? Por que será que estou dando essa pinta?