sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2012, Natalia

Sou fã da Natalia Klein. Ela tem um blog e um programa no Multishow e interpreta a Nikita de Macho Man. O trabalho dela me fascina muito. Acho de uma inteligência tremenda e um bom gosto incomum aos meios de comunicação em massa de hoje em dia. A propósito, ela se espelha muito na década de 40, talvez seja esse o pulo do gato, sei lá...

Mas o que me motivou a escrever sobre ela foi uma dessas reflexões introspectivas de final de ano. Ela fez um post que dizia o quanto não se sentia a vontade para escrever no próprio blog, diante das pressões dos leitores para que ela o fizesse. E sabe o que me impressionou mais? Os inúmeros comentários dizendo a ela para fazer o que achar melhor. Que ela deve fazer o que quiser fazer. Que não precisa ceder às pressões de ninguém. (Embora a maioria dissesse "Se quiser parar de escrever, pare. Mas sentiremos muito sua falta" - isso é uma pressão disfarçada!)

Nunca, absolutamente nunca, fazemos aquilo que queremos sem ter de arcar com a tal da opinião alheia. É o preço para ser visto, ouvido, reconhecido. Seja uma coisa boa, seja uma coisa ruim. Somos o tempo todo notados, anotados, rotulados... E é difícil, arrisco até dizer impossível, fazer o que se quer fazer de fato. Se você for uma pessoa que pensa em consequencias, é claro. A Natalia queria um espaço para exteriorizar suas experiências. Exterioriozou, criou empatia em outras pessoas e agora é devorada por aquilo que criou. Bom ou ruim? Não sei...

Talvez os inconsequentes sejam mais plenos nas suas realizações do que nós, pobres seres preocupados demais com a vida. Planejamento. Planejamento é a ordem. E a tomada de decisões o algoz. Amarelo ou vermelho para o revellon? Ah, devo ir de amarelo porque preciso de mais dinheiro. Se bem, de que me adianta dinheiro se não tenho uma grande paixão? Então vou de vermelho. Mas vou viver de amor em uma cabana?! Não rola! Calça vermelha e blusa amarela? Humm... Não fica legal... O que vão pensar de mim? Já sei! Vou de verde, porque aí tenho a esperança de conseguir amor e dinheiro. Mas a vida não é feita só de esperança, preciso de algo mais concreto. Ah, vou de branco mesmo que não tem erro. Todo mundo vai tá de branco. Daí, ao chegar, tem um adorável inconsequente sem camisa, andando com a bandeira de pernambuco amarrada na cintura. Toma pobre ser preocupado demais com a vida!! Toma!!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal é Natal, pô!

A pessoa que diz não gostar do Natal é logo esteriotipado.
-Nossa! Mas porque você não gosta do Natal?? Você deve ser uma pessoa muito amarga e mal amada, porque, afinal, é um tempo de confraternizações, de união familiar, de celebrar o nascimento de Cristo, e blá-blá-blá.

Não gostar do Natal é tão natural quanto não gostar de fazer aniversários, ou não gostar de assistir ao desfile de 7 de setembro, ou não pular carnaval. Infelizmente o comércio desvirtuou tudo. Hoje em dia, Natal é sinônimo de gastos. Ninguém passa ileso pelo Natal, por mais no vermelho que esteja. Se a coisa tivesse se mantido só no campo religioso seria mais legal, sabe? Sem essa parada de festança exagerada, presente pra todo mundo, Feliz Natal e Próspero Ano Novo pra cá, Feliz Natal e Próspero Ano Novo pra lá...

A propósito, quando me sentei aqui ia escrever justamente sobre essas felicitações de final de ano. Eu acho estranho aproveitarmos o Natal para já desejar um Feliz Ano Novo. Pô! Natal é Natal, Ano Novo é Ano Novo! São duas datas distintas! Tá certo que separadas por um semana, mas são datas distintas. E hoje em dia, com essa facilidade para trocar mensagens, seja de celular ou na internet, o que custa mandar uma mensagem para o Natal e outra para o Ano Novo? Antigamente, até se justificava, porque as mensagens eram enviadas em lindos cartões postais, que iam pelo correio e chegavam normalmente antes do Natal. Aí, sim eu calo a minha boca! Um pau matando duas cobras. Mas sinceramente não entendo porque hoje ainda desejam Feliz Natal e Próspero Ano Novo numa mensagem só! Pra mim soa como se a pessoa não quisesse falar comigo na semana que vem.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Diálogos possíveis com um bruxo

-Nossa! Esse seu brinco...
-Quê que tem meu brinco?
-Ele parece um símbolo da bruxaria...
-Hummm... (desdém)
-Você não é bruxa, não, né?
-Eu não. (naturalmente)
(Seguem-se alguns segundos de silêncio. Ao ver que não estou empolgada com a conversa, retorna.)
-É que eu sou bruxo, sabe?
-Ah, é? (continuo o desdém)
-Sou sim! Estudo bruxaria há três anos!
-Bacana! Nunca conheci um bruxo... Preciso ir. Até mais!


-Nossa! Esse seu brinco...
-Bonito, né? Comprei numa feirinha lá perto de casa.
-Não é isso. Ele parece um símbolo de bruxaria.
-É mesmo?!
-Você não é bruxa, não, né?
-Ai, não! Credo! Deus me livre! Morro de medo de bruxa e de fantasma!
-Ah, mas você não precisa ter medo de bruxos. Eu mesmo sou um.
-Jesus amado! Sai de perto de mim! Vade retro! Vou nessa! Fui!


-Nossa! Esse seu brinco...
-Gostou? É um símbolo da seita que eu sigo.
-Ah, é? E qual a sua seita?
-Pikka.
-Puxa vida! Que mundo pequeno! Eu também sou bruxo da Pikka!
-Ah, sim! A população de bruxos cresce mais a cada dia, graças ao Harry Potter, que difundiu o nosso trabalho pelo mundo.
-Pois é...
-Pois é...
-Então tá, então... A gente se vê por aí!
-A gente se vê...


-Nossa! Esse seu brinco...
-Quê que tem meu brinco?
-Parece de um símbolo da bruxaria...
-Tá me chamando de bruxa, é? Mais respeito comigo, rapazinho! Não é porque eu tô assim meio feinha, mal arrumada, com essa verruga no nariz e essa vassoura aqui do meu lado que eu sou bruxa, não, viu!?
-Desculpa, moça... Eu não perguntei por mal... É que como eu estudo bruxaria... Pensei, talvez...
-Pois pensou errado! Bruxa é sua avó! Ora essa... É cada uma, viu?
(montou na vassoura e se foi)


P.S.: A primeira situação aconteceu comigo realmente.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tempos difíceis

Amigos, perdoe-me a ausência. Não sei o que tem acontecido comigo ultimamente, mas ando com um estranho desejo de evasão. Vontade de sumir, sabe como é? Afinal, quem nunca sentiu isso? Seja naquela festinha que você pagou o "mó mico", ou quando seu chefe te deu um fodeback daqueles, ou quando o carinha que você estava afim passou na sua frente com outra, ou quando se saiu mal na prova que você falou pra todo mundo que tinha arrasado, ou quando bateu o carro por uma falha sua. Tudo isso é motivo para (por alguns instantes) assumir uma forma gasosa e se esvair no ar. Puf! Ou poderia ser de outro modo também! E se, de repente, quando sua mãe começasse a falar sem parar e você não estivesse disposto a ouvir, suas orelhas fossem se fechando e o buraco do seu ouvido diminuindo, diminuindo, diminuindo... até estar completamente surdo e incapaz de ler lábios. Evasão! Se o seu instinto, ao perceber que você veria algo que te deixaria extremamente abalado te cegasse por instantes, impedindo de uma forma absoluta que se deparasse com aquilo que não estava apto a ver. Evasivamente fantástico! E, melhor ainda, se estivesse indo a algum lugar que pudesse te trazer dissabores, abriria um enorme buraco no chão e você seria abduzido para outra dimensão até que aquela circunstância passasse e, então, seria devolvido à sua realidade feliz por meio de um portal mágico. Saída pela tangente!

Contudo, todavia, entretanto não adianta querer fugir dos problemas. Não adianta querer desejar apenas um mundo perfeito cheio de unicórnios rosas, arco-íris, coelhinhos saltitantes e pessoas felizes. A realidade é dura e é ela que nos torna pessoas melhores.

Essa semana eu li um texto que dizia que ao nos deparamos com um ponto preto numa folha em branco, tendemos sempre a dar importância ao ponto preto, em vez de contemplar a enorme folha em branco. Ou seja, temos tantas coisas boas na vida, para que nos atermos aos problemas, não é mesmo?

Mas que dá vontade de fugir de vez em quando, ah, isso dá!!!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amélia e outras mulheres

Eu tenho pensamento musical.
Ah, você não sabe o que é um pensamento musical??!!
É quando associamos música a tudo que vemos, sentimos ou ouvimos. E olha que isso é muito, mas muuuito frequente em mim. Poderia exemplificar cantarolando/escrevendo aqui por linhas e linhas a fio. Entretanto vou me ater aos meus preciosos clientes - novamente.
Semana passada eu atendi à senhora Jardimira. Mal terminei de ler o nome da pobrezinha na identidade e comecei a cantarolar em pensamento: "Ó jardineira por que está tão triste? Mas o que foi que aconteceu?". Não sei porque isso acontece... Simplesmente flui... A dona Antonieta é outra prova dessa minha sandice: "Tieta do agreste, lua cheia de tesão, é lua, estrela, nuvem carregada de paixão... Tieta! Tieta!" E sigo assim cantando todas as mulheres que me aparecem: Julieta, tá, tá, tá me chamando; minha pequena Eva; a Conceição, eu me lembro muito bem; Renata, ingrata; Carolina, uma menina tão difícil de esquecer; a Marina, morena; pra no frigir dos ovos só a Amélia ser mulher de verdade.

A Amélia merece um parágrafo só para ela. Afinal, ela não é a mulher de verdade? A queridinha dos homens? Que achava bonito e natural não ter nem o que comer? Conformada e submissa. É assim que eu vejo a Amélia! Consigo vê-la sentada na cadeira da cozinha, remendando os buracos da meia do marido, iluminada com uma candeia de óleo de mamona num prato de esmalte sobre a mesa. E o marido, onde está? No bar, apostando que a sorte no baralho trará comida para dentro de casa. E Amélia lá, a esperá-lo para lavar seus pés com água morna antes de deitar. Não precisa me dizer que a música é uma metáfora, que o que o compositor quis dizer apenas é que as mulheres de hoje em dia são interesseiras e que já não se fazem mais companheiras como antigamente. Eu sei disso! Mas mesmo assim, ninguém tira de mim a indignação ao ouvir essa música.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Deus, você ainda me ouve?

Sei que o Senhor e Papai Noel são as mesmas pessoas, então vou falar logo, sem rodeios. Não fui uma boa menina esse ano. Não fiz caridade, não tratei meus pais tão bem quanto deveria, não fui muito amável com as pessoas (até magoei algumas!), não comecei a fazer exercícios, não tive aquela promoção no trabalho, enfim, não me tornei uma pessoa melhor - como, aliás, venho me prometendo que serei ano após ano. Permaneci medíocre e sem sentido, meio vazia até. Não realizei nenhum grande feito, muito pelo contrário. Portanto, reconheço que estou em débito com Vossa Excelência (esses pronomes de tratamento me matam! Devo chamá-Lo como? Porque afinal eu Lhe devo respeito, mas por outro lado somos tão "chegados" que nem nos cabe tanta formalidade, né?). Daí, pra compensar, eu num vou pedir presente de Natal esse ano, não. Já ficarei feliz se souber que apesar de todos os pesares, ainda me ouve, torce e acredita em mim.

Diz que sim, vai!

Mas se quiser me dar um bônus, diz aí seis números entre 0 e 60.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Lição de economia

Todos falam mal da pirataria, que é um mercado ilegal, que não paga impostos e tudo o mais. Metade de mim concorda plenamente. Se eu pago, porque eles não deveriam pagar? Eu mesmo me respondo: para nos proporcionar coisas com qualidade inferior a um preço menor. E sabe o que a minha outra metade acha disso? Ela a-do-ra!

Comprei uma sandália de R$ 70,00 hoje. Se tivesse ido à feira teria comprado com esse dinheiro, nada mais, nada menos, que sete pares! Pense em termos quantitativos: em vez de usar a mesma sandália todo dia, eu poderia usar cada uma das sete em dias diferentes, uma por dia da semana! Tá certo que a durabilidade dela não é a mesma da que eu comprei na loja, mas e daí? Sei que é um pensamento egoísta e não estou pensando em todas as ilegalidades que foram feitas para que esses sete pares chegassem aos meus pés, contudo, me permita ser politicamente incorreta às vezes e assumir isso. Prefiro ser uma hipócrita assumida a ser uma anônima. Na verdade, eu preferiria não ser hipócrita... entretanto, tenho concluído que não há muitas pessoas assim por aí.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ladies and gentlemen

Finalizando o atendimento:
-Posso ajudar em algo mais, senhora?
-Pode. Não me chama de senhora, não. Nem sou tão velha assim...
Respondo no meu íntimo:
"A senhora que pensa, senhora..."
-Tá bom. Se isso a faz se sentir melhor...

Será que as pessoas se baseiam em quê para não gostarem de ser chamadas de senhoras e senhores? Senhor, no meu caso de atendente, significa respeito por ele ser meu cliente e não pela idade. Tanto que chamo até moleque de senhor.

(...)

Depois de olhar a identidade dela e constatar que nascera no mesmo dia, mês e ano que eu, pergunto:
-Você acha que é mais jovem ou mais velha que eu?
Pensou um pouco, gaguejou e por fim respondeu que ela era mais velha.
Obviamente falou isso por educação, porque ela me achou mais velha e "acabada" que ela, entretanto não teve coragem de assumir. Digo isso porque eu também pensei o mesmo dela! É difícil se dar conta e assumir que estamos envelhecendo. Quase pedimos, imploramos para que alguém nos rejuvenesça em alguns aninhos. Aquele tão bem quisto "Puxa! Você tem isso tudo? Não parece!" é muito mais bem vindo do que o "Só isso!? É novinha demais!" Como assim? Então eu pareço ter mais que isso? Estou velha e acabada e pareço um maracujá enrugado? Pois saiba que você também não tá lá essas coisas não, viu? Custa ser educado? Custa ficar calado, então? Por mais que digamos não nos importar com aparência, depois dos vinte e cinco os anos costumam incomodar um pouco. E o incômodo cresce em progressão geométrica!

Baseada nisso eu decidi que a partir de amanhã tratarei todo mundo por moça e moço. Pode chegar uma senhora de oitenta anos no meu guichê que eu direi:
-Bom dia, moça! Tudo bem com você? Só de boa? Quê que cê manda, linda?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Meu filho precisa de um irmão

Cheguei a essa conclusão depois de vê-lo conversando com a tevê. A princípio é engraçado. O desenho pergunta, ele responde. Diz algo engraçado, ele repete. Ri das piadas dos personagens e dança quando toca música. Portanto, a interatividade é total. Só que eu sou filha única e sei que não é legal ser amiguinha da televisão. Amiguinhos de verdade são muito mais interessantes. Dá pra bater neles, morder, chutar, empurrar e tudo mais que não se faz com uma tevê de dois mil reais. Sem falar no relacionamento. Conviver com um aparelho desses é anos-luz mais simples do que com pessoas de carne e osso. Quando eu me canso, a desligo e vou pro quarto. E ela fica lá, fixada na sala até que eu a queira novamente. Quando o marido se cansa da esposa e vai para o quarto ela vai atrás e continua falando.

Quando digo que o Pedro precisa de um irmão, não precisa ser necessariamente isso. Uma vez que ainda não me sinto preparada para uma nova maternidade. Mas ele precisa interagir com outras crianças e até mesmo outros adultos, porque agora que ele aprendeu a falar (e não para por nada nesse mundo) é cada vez mais latente a necessidade de conhecer o mundo. Eu sei que é importante que ele o conheça sob diversas óticas, para não ser um menino egocêntrico quando crescer.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Se assuma, rapá!!!

Os anônimos me comovem. O que se passa quando alguém quer dizer algo, mas não assume aquilo que diz? É como se jogasse palavras para o alto e dissesse: olhe, a verdade está aí, mas não fui eu quem a criei. Em alguns casos, pode parecer covardia, entretanto posso interpretar como insegurança. Medo de assumir o que é e o que pensa. Não serei hipócrita a ponto de dizer que nunca fiz isso. Já fiz. Mas não faço mais. Ao longo desses vinte e seis anos tenho aprendido cada dia mais que existir é uma dádiva e devemos fazer jus a isso. Se você é um anônimo, que passa atônito pela vida e não faz questão de vivê-la... so sorry... quem sabe na próxima.

domingo, 13 de novembro de 2011

Paz

Estou vendo a cobertura jornalística da operação de pacificação da Rocinha.

Se funcionasse comigo, eu usaria da força pra trazer paz ao meu coração também.


Mas não é assim...









sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fim do mundo

Há quatro dias que não posto nada. Por quê? Por quê? Pooor quêêêê? Tava guardando a inspiração pra escrever hoje: 11 do 11 do 11. E ainda o publicarei às 11h11, mesmo porque agora já são 0h12... Mas, convenhamos, o que tem demais nessa data além de ela ser esteticamente bonita? Parece uma cerquinha: oito pauzinhos paralelos na vertical. Na verdade, eu vejo a data de hoje como algo extremamente pornográfico e homossexual. Quem conhece a piada sabe do que estou falando... 11|11|11

Não adiantou nada guardar inspiração. Não tenho nada a dizer sobre esse dia, exceto que está todo mundo comentando sobre ele... dizendo que é uma data cabalística e tal... mas... e daí? O mundo vai acabar? Claro que não! Se o mundo fosse acabar isso não aconteceria numa sexta-feira, obviamente. E sim, numa segunda-feira, que já tem cara de final dos tempos mesmo. Deus não iria nos proporcionar um infortúnio tão grande de trabalhar uma semana toda, para no final das contas explodir/inundar/saculejar tudo. Teríamos ao menos de ter o prazo pra tomar uma cervejinha no happy hour da esquina, mandar o chefe tomar naquele lugar, contar para o marido que o filho é de outro cara, dizer pro amigo que comeria a mulher dele, essas coisas que só se diz se tivermos certeza que o mundo vai acabar.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Olimpíadas: Campeonato de Desculpa Fiada

A Lei é clara:

LEI No 10.048, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2000. Art. 1o As pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão atendimento prioritário, nos termos desta Lei. (Redação dada pela Lei 10.741, de 2003)

Trabalho no guichê preferencial e, às vezes, vejo coisas que me arrepiam os pelos do corpo. As pessoas dão as desculpas mais esfarrapadas possíveis para tentar burlar a legislação. O texto acima é claro e conciso o bastante, mas mesmo assim alguns tentam se enquadrar quando se trata de benefício próprio.

Aparecem pessoas com crianças enooormes no braço, que uma vez no momento do atendimento são colocadas no chão. Para essas pessoas eu digo apenas que o atendimento preferencial é destinado a pessoas com criança DE colo, e não, crianças NO colo. Outras chegam com a criança no caixa e quando começam a ser atendidas passam-na para outra pessoa que a leva para fora da agência. Há mulheres que quando perguntadas se estão gestantes respondem que estão... há um mês. Pessoas na casa dos cinquenta anos, que para tirar proveito se permitem passar por mais velhos numa boa.

Entretanto, o que me mata de desgosto são aquelas que alegam problemas de coluna, renais, cardíacos, ou dizem que têm câncer, fizeram cirurgia ou hemodiálise. Gente isso não é motivo pra atendimento preferencial! Não me interpretem mal, por favor. Não é que eu não tenha compaixão das pessoas enfermas e não me compadeça com a situação delas. Simplesmente, acredito que se o atendimento preferencial pudesse ser extendido a todos esses casos a legislação já o teria feito. Nesse caso, abriríamos a chancela para todos que sofrem de alguma enfermidade: hipertensos, diabéticos, cardíacos, impotentes... Imagine só a cena:
-Bom dia!
-Bom dia! No que posso ajudá-lo?
-Vim descontar esse cheque.
-E porque o senhor está no atendimento preferencial?
-Ah, é que eu sou impotente. E não posso ficar na fila muito tempo porque fico ansioso e isso aumenta a minha impotência.
-Então tá certo. Cadê o cheque?

sábado, 5 de novembro de 2011

Biotônico Fontoura

A despeito do post anterior senti a necessidade de responder a dois comentários. Primeiramente, o Biotônico era o inverso do Emulsão Scott. Enquanto este tem um desprezível gosto de óleo de fígado de bacalhau, aquele tinha gosto de pinga. Sim, o Biotônico, assim como o Sadol, era para nós crianças, o que a cachaça era para o Mussum, ou seja, o "mé"! Era uma delícia! Aquele gostinho que ficava na boca... hummm... não tava nem aí se tava tomando ferro (não literalmente, pelo amor de Deus!), eu queria era beber. Tomava uma colher de sopa antes das refeições e, às vezes, uma gole escondido. O segundo comentário versa a respeito de fazerem um Biotônico Ice. Até imaginei... Jesus! Com duas pedrinhas de gelo e umas folhinhas de hortelã... a deficiência de ferro já era!

Mas o assunto Biotônico me faz lembrar de uma parte trash da minha infância. Aos dez anos eu tive reumatismo no sangue. Tomava várias Benzetacis por mês - e quem já tomou sabe que não há injeção pior no mundo. Até aí tudo bem. A merda voou no ventilador quando um infeliz-filho-de-uma-puta-desgraçado ensinou para a minha mãe uma garrafada que era tiro e queda para curar reumatismo no sangue. Eu não culpo a minha mãe por ter acreditado nesse energúmeno, pois quem está com uma filha doente se sujeita a qualquer tratamento que possa curá-la. Portanto, anotem aí a receitinha: vinho branco, pacová, sassafrás, chapéu-de-couro, osso de capivara e rabo de tatu canastra. Os três primeiros são plantinhas. Be-le-za. Agora, onde diabos arrumaríamos um osso de capivara? E um rabo de tatu? Tatu este que não poderia ser de qualquer espécie, tinha de ser canastra (o maior e mais raro).

Como eu orava para ela nunca encontrar aqueles dois ingredientes! Osso de capivara torrado e moído (ou ralado, sei lá!) e rabo de um tatu, que não poderia ser qualquer espécie de tatu, tinha de ser o canastra. Ca-nas-tra. E todo mundo se solidarizava e tentava encontrar os tais ingredientes da poção mágica. Eu tinha vontade de falar pra minha mãe me dar só o vinho Moscatel e pronto, deixasse esses bichinhos e essas plantinhas pra lá. Afinal, nada melhor que beber pra esquecer os problemas (é o que dizem...).

No final das contas, ela encontrou tudo, eu tomei a garrafada toda, meu reumatismo sumiu e tudo voltou ao normal. Exceto pelo fato de que algumas pessoas se orgulham de já ter comido carne de capivara e tatu, eu me orgulho de já ter bebido o rabo e até os ossos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Emulsão Scott

-Bom dia. Pega esse remédio aqui pra mim, por favor.
-Ah, sim! Pois não.
-Quanto é?
-Trinta reais.
-Beleza.
-Mais alguma coisa, senhora?
-Humm... Pega um Emulsão Scott daquele ali, por favor.
-O de morango ou o tradicional?
-Ah, me dá o de morango, porque eu tomava o tradicional quando era criança e era muito ruim.
-Ah, não... O tradicional é "pôdi".

Agradeci à moça e saí dando gargalhadas introspectivas. Meu Deus! Há quanto tempo eu não ouvia alguém falar "pôdi"! Pôdi de rico, pôdi de pobre, dente pôdi,... Recordar é viver. Além do mais, pensei comigo, só no Brasil mesmo uma atendente de farmácia emite uma opinião dessas tão naturalmente para um cliente. Fiquei me perguntando se na Suiça ou no Japão alguém faria algo semelhante. É o mesmo que entrarmos numa loja para experimentar uma roupa e a vendedora falar:
-Vixe, mas tu tá gorda, hein?! Tem de fazer uma dieta antes de querer entrar nessa roupa, moça!


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Atividade física o #@*%$¢!!!

A Lorota da Rosa é uma espécie de terapia para mim. E na terapia temos de fazer coisas para surtirem efeitos. As férias serviram para eu ver os efeitos do blog em mim. Tinha dias que me dava uma saudaaade, daí eu vinha aqui, olhava as estatísticas e via que havia gente visitando a minha página. Amigos, fãs ao contrário e curiosos atraídos pelas mágicas palavras da busca do Google. Santo Google! Que conduz fiéis em potenciais aos blogs de todo o país.

Tentei substituir o blog por um hobby mais dinâmico, que em vez de ficar sentada na cama eu pudesse me exercitar um pouco, mais foi em vão. Peixes nasceram para nadar, aves nasceram para voar... e eu, definitivamente, não nasci para exercícios físicos. Confesso que fico muito envergonhada quando vou ao médico e ele pergunta: faz alguma atividade física? Respondo cabisbaixa, como uma criança que acabou de fazer uma peraltice, que não faço nada. E assim respondo para o fisioterapeuta, pra nutricionista, pro psicólogo, pro dentista, pra todo mundo! Por que raios todo mundo quer saber se faço atividade física??!! Ninguém quer saber se sei tocar violão, ou se equilibro uma vassoura no pé que nem o Chaves, mas a tal da atividade física todo mundo pergunta! Sim! Estou estressada com essa pergunta! Me incomoda profundamente! Alguém se preocupa com o hábito da leitura, por exemplo? Não! Por isso que a educação não vai pra frente nessse país! As pessoas são treinadas a terem condicionamento físico para trabalharem mais e por mais tempo, enquanto que a parte intelectual se definha. Por isso, o meu blog é um movimento de resistência anti-exercício! É isso aí! Todo mundo comigo nessa campanha! Abaixo a câmara de tortura, viva a leitura! Abaixo a academia de ginástica! Viva a Academia de Letras!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Valer a pena

Para começar a escrever esse texto eu pensei em fazer uma analogia com a fênix, que majestosamente renasce das cinzas e tem aquele tom apoteótico. Mas achei piegas demais. Depois pensei em retornar num tom meio descolado, de quem acabou de chegar de férias (maravilhosas) em Porto de Galinhas - ô lugarzinho bom, gente! Com um sotaque meio pernambuquês, num ritmo arrastado e descontraído. Entretanto, iria ficar meio forçado. Daí resolvi escrever hoje, que me encontro especialmente feliz. A troco de quê, dona Ana Paula Rosa, a senhora se permite estar feliz? Bem, percebi hoje cedinho que eu respiro (e durante o mergulho aprendi que devemos dar muito, mas muito valor ao oxigênio), não tenho unha encravada para me atrapalhar a calçar o tênis, não uso dentadura, posso tomar leite sem sentir qualquer desconforto intestinal, não preciso andar de transporte público coletivo e, de quebra, ainda tenho um emprego. É curioso isso, não? Ficamos tão entretidos em reclamar do que não temos que esquecemos de agradecer por aquilo que temos. Mas o motivo da minha particular felicidade é que recebi flores no trabalho hoje. Não é por ser meu aniversário, ou comemoração de alguma data especial, ou reconciliação, ou por ser o Dia das Bruxas (como podem pensar os mais engraçadinhos). Simplesmente meu namorado quis me agradar e demonstrar seu amor por mim. E-que-mulher-não-se-sentiria-feliz-com-isso? É a mesma sensação maravilhosa de acordar para escovar os dentes e encontrar os dizeres EU TE AMO escritos no espelho. Você olha aquela frase, olha a sua imagem, pensa no seu amor, torna a olhar a frase, a sua imagem e conclui: a vida vale muito a pena! Uau!

sábado, 8 de outubro de 2011

Carta aos leitores de lorotas

Caros leitores, como bem sabem esse blog é para mim um momento de descontração e prazer. Contudo, ultimamente tem sido motivo de alguns aborrecimentos (desmerecidos, obviamente). Portanto, me ausentarei por alguns dias num período sabático de renovação de forças e novas inspirações. Entretanto, devo frisar que foi maravilhoso esse período que escrevi para vocês e reconheço que merecem o melhor de mim.

Grande abraço! E até depois das férias!!

O bom de ser autônoma é que podemos ter várias férias ao ano!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nota de falecimento

É com profundo pezar que informamos o falecimento do Azul, o peixinho beta, mencionado neste blog na data de ontem.

A causa da morte ainda não é conhecida, mas sabe-se que não tem nada a ver com o Pedro. Ele é inocente, apesar do seu histórico. Não haverá velório e sepultamento pois o corpo do mesmo já desceu descarga abaixo.

Parentes e amigos (se é que ele tinha algum, porque betas são, digamos, muito isolados) agradecem as demonstrações de carinho e afeto.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Animais de (des)estimação

Notei que tenho postado muito sobre o Pedro Paulo ultimamente. Perdoem-me se estou sendo babona demais e repetitiva, mas é que tenho passado mais tempo com ele e descoberto coisas maravilhosas. Digo, sem dúvida alguma, que essa é a melhor fase dele até agora. Não desmerecendo as demais, contudo, atualmente ele está deveras traquinas e peralta (pra não dizer custoso, mesmo!).

Há uns sete meses eu comprei para ele um porquinho-da-índia, era bonitinha, fofinha e pretinha com a patinha branca, por isso, a batizamos de Pretinha (é lúdico, tá? se fosse verde a chamaríamos de Verdinha). Ele gostou muito, entretanto, ela nem tanto. Por ser um bichinho de hábitos noturnos não interagia tanto com ele quanto eu imaginei. Não corria com ele... Não vinha comer na sua mão... Não gostava de colo... Enfim, a comprei por cinco reais e vendi por três, ou seja, aluguei um animalzinho por 40 dias a um custo de dois reais. Ótimo negócio.

Ficamos uns três meses sem animalzinho, daí resolvi comprar um coelho. Esse sim era interativo. Até demais! Corria, corria, corria e o Pedro atrás. Comia tudo que dava para ele. O problema começou quando ele não se restringiu a comer somente o que lhe dávamos. Comeu nossas plantas, parte do portãozinho de madeira, os fios do telefone, o sapato do meu namorado, três pares de sandálias meus, os tapetes e o pé do sofá. O Pretinho era lindo (sim, o batizamos com o mesmo nome do bichinho anterior, porque ele também era de pelo preto), mansinho e carinhoso, só que devido a essa fome insaciável tive de vênde-lo por dez reais (comprei por oito).

No mesmo dia o substituí por um pinto. Pensei cá com os meus botões "quando crescer não vou precisar vendê-lo, vamos comê-lo". Entretanto, o pinto foi mais esperto do que eu e já antevendo o que o esperava começou a piar e a piar. Como piava alto, meu Deus! Impossível um bichinho daquele tamanho ter cordas vocais tão boas. Mas o verdadeiro motivo de eu tê-lo devolvido foras as traquinagens do meu filho: pisou nele; o jogou no balde de água; o esmagou com uma revista; o colocou dentro da boca do jacaré de brinquedo e apertou; e, o levantou pelo bico e pela perninha. Tudo isso entre as duas e as seis da tarde.

Agora, ficaremos apenas com o Azul, o peixinho beta.

P.S.: O pintinho também era preto.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pedrês: Língua do Pedro

verbo pec = quebrar. "Mamãe, caaa-o (carro) caiu e pec!"
verbo piá = passear
ãnha = aranha
ú ú = vovô
ó ó = vovó
inhão = feijão
ponha = pamonha
cãinga = carne
ducci = luz (e fala "Viva! il Ducci!" quando acendemos a luz.)
guti = iogurte (eu disse, iogurte, repare bem... e não, inhogute ou iorgute.)
rê-rê-rê-rê-rê = Pica-pau
pi-pi-pi = Chaves
patá = cavalo ("pa-tá-pa-tá-pa-tá-pa-tá...", em outras regiões fala-se "pó-có-tó-pó-có-tó-pó-có-tó"

Palavras que ele fala perfeitamente: mamãe, batata, coca, pipoca, microondas... (tá... essa última ainda não... mas tá quase!)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Trânsito VII: fila de carros

Lady Murphy. A própria. Onipresente. Sempre está lá quando uma coisa que teria tudo pra dar certo... não dá. E obviamente ela não poderia deixar de dar as caras no trânsito, o lugar onde há uma grande, mega, infinita propensão a merdas. Ô lugarzinho bom de dar merda que é um aglomerado de gente estressada, presa em forninhos com rodas, a mercê da vontade alheia e, de preferência, atrasada. Enfim, uma dessas situações se retrata quando numa via de mão única, com duas filas de carro e um longo congestionamento, você escolhe uma das duas... que é... justamente a que não anda. Lady Murphy entra em ação. Você percebe que os carros da fila ao lado começam a passar e vão embora... e você ali... estático... atrás de outro carro igualmente estático.

"Se ao menos eu conseguisse passar pro lado de lá...", pensamento que permeia todos os condutores dos carros da fila que não anda. Daí surge uma brecha e você troca de fila. Olha a Lady aí minha gente! Luz na passarela que lá vem ela! Isso mesmo! De repente, não mais que de repente a sua fila para e a que você estava começa a andar. Nesse momento você olha para o lado e constata que até o ciclista que você ultrapassou há um tempão está se dando melhor que você. E a Lady está lá, na garupa dele, te dando tchauzinho e rindo da sua cara.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Birruga

Verrugas são coisas... Coisas... Coisas, tipo... Eu não sei como dizer. Porque ao mesmo tempo que são nojentas, são interessantes, são asquerosas e são charmosas. Eu, por exemplo, tenho uma verruguinha nas costas que acho super charmosinha (tudo no diminutivo mesmo). Em contrapartida, hoje atendi uma mulher que tinha uma mega verruga no canto esquerdo da boca, com vários cabelos saindo dela. E como já se tratava de uma senhora de idade, alguns deles já estavam brancos. Ela ia falando e eu absorta naquela porção de carne por cima do lábio, com vários fios de pelos pretos e brancos...

Já falei aqui que minha obrigação é fazer o cara-crachá das pessoas. E ao fazer o dela verifiquei que aquela verruga sempre existiu ali. Quando vemos um negócio desses pensamos que se trata de uma exclusividade dos velhos, não é mesmo? Nomes próprios são outro exemplo de coisas exclusivas de velho. Você consegue imaginar uma criancinha chamada Adamastor? Emengarda? Apolônio? Perfídia? E hemorróidas, então? Falou em hemorróidas, falou na terceira idade! Àquela altura eu quase não escutava o que ela dizia, só ficava imaginando como se formou tudo aquilo, como foi a infância daquela mulher, e, pior, a adolescência. Tá certo que naquela época não existia essa beijação que é hoje entre os jovens, mas mesmo assim os homens imaginavam e tinham desejo (ou não, né? vai saber...). Você, amigo homem, imagine-se agora dando um super beijo numa boca com uma verruga cabeluda roçando em você. Bacana, né?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Melhores férias da vida do Pedro

Tirei uma semana de férias do banco. Forçadamente, mas tirei. Agora, eu posso afirmar com toda certeza que foram as melhores férias da vida do Pedro. Tá certo que uma pessoa de dois anos ainda não têm muitas referências... Contudo, foi tudo muito lindo. Piscina, Coca-Cola, mamãe, Coca-Cola, rio, Coca-Cola, parquinho, Coca-Cola... Meu filho é um cocólatra. [mãe com expressão de tristeza, voz de pato e rosto quadriculado]

O Pedro Paulo é um apaixonado por água! Tanto que um dia antes de irmos ele pensou que o nosso coelhinho também fosse e o mergulhou num balde com água de sabão. Constatei que o coelho não é tão apaixonado por água quanto ele... tsc... tsc...tsc... Quando era hora de entrar na piscina ele dava birra porque não queria tirar a roupa e colocar a sunga, depois outra birra para entrar sozinho na água, depois outra para não sair e, por fim, outra pra não tirar a sunga. Era todo um ritual. Fez muitas amizades. A galera do hotel já nos cumprimentava assim: "Oooii, Peeedrooo! Tudo bom, meu amooorr??" e "Bom dia, mãe do Pedro." Já estou acostumada em ser a Ana Mãe do Pedro Paulo. É nisso que dá ter um filho adoravelmente irresistível.

Como boa mãe que conhece o filho sei que as piscinas foram muitos boas, mas o melhor das férias foi sem dúvida a alimentação. Férias é um período de relaxamento, de fazer coisas diferentes, portanto, as refeições eram mais ou menos assim: uma mamadeira de Coca-Cola de manhã, no almoço uma cartela de Danoninho, no lanche um pacote de Ruffles e outra mamadeira de Coca-Cola, no jantar pipoca com Guaraná (às vezes, uma pizza napolitana), à noite uma mamadeira de 200ml de leite e oito colheres de Toddy. Tudo isso entremeado com muito chocolate, doce, balas e mais Coca-Cola.




*Ressalva: Antes que me julguem, já vou reforçando que esse é um blog de lorotas, tá?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Propaganda DIFERENTE

Um amigo me contou uma vez que sempre passava por um povoado e via uma placa muito interessante e curiosa:

VENDE
ESTE
RCO

Ficava muito intrigado em imaginar o que seria o tal RCO e porque estavam demorando tanto para vendê-lo. Não suportando mais a curiosidade, um dia ele desceu do carro e perguntou ao homem que ficava próximo à placa que diabos era RCO, daí ele respondeu com aquela calma interiorana que ele vendia esterco, só que não coube tudo na mesma linha na placa.

Há meses atrás eu passei por situação semelhante. Voltava do Centro quando vi uma mesinha, com um pano na frente escrito:

ODON
É
DIFERENTE

Jesus! Fiquei encucada com aquilo! O que seria ODON? Pensei que pudesse ser o altar de uma igreja evangélica nova, cujo lema seria "O dom se manifesta de forma diferente em todas as pessoas." Na forma contraida "O dom é diferente." Pensei que poderia ser um produto novo, tipo xampu para cabelos "ODON é diferente. Elimina suas caspas em apenas uma lavagem." Mas hoje findou a minha dúvida. Odon é candidato!

Isso mesmo! Antes fosse uma nova igreja evangélica ou um xampu. Eu voltava para casa por volta da 18h15 e vi no canteiro central um homem em cima daquela mesma mesinha acenando para os carros que passavam, dando tchauzinho e fazendo sinal de jóia com o dedo. É nessas horas que lamento não ter um celular com câmera. Mas enfim, eu vi com esses olhos que a terra há de demorar a comer e vi o carro com os adesivos e o número de campanha dele. Daí eu constatei que ODON É mesmo DIFERENTE. Enquanto os outro políticos começam a fazer a campanha só no ano eleitoral, o carinha lá tá se adiantando. Enquanto os outros políticos fazem comícios e carreatas, ele fica acenando e chamando a atenção de motoristas no final da Av. Goiás.

Senhor Popularidade

Sempre que eu saio com o Pedro lembro-me de uma entrevista da Xuxa que assisti uma vez, em que ela dizia que a Sasha tinha dom para o público, que saía na rua dizendo "Oi, meu povo!", pra todo mundo. Ela obviamente sonha em deixar todo o seu legado para a filha, isso inclui o carinho dos fãs, por isso esse proselitismo. Mas no meu caso é diferente. Eu não sou exatamente a pessoa mais carismática e comunicativa do mundo, portanto, não sou eu quem ensino essas peripécias ao garoto. Sempre que saímos só ouço "Que gracinha!", "Nossa, como ele é esperto!", "Meu Deus, que lindo!", e isso me envaidece muito. E o pior é que ele também é movido a elogios, quanto mais falamos que é bonitinho, mais ele capricha. Impressionante! Ele tá começando a falar palavras entendíveis agora, então quer falar tudo pra todo mundo. Qualquer pessoa que ele encontre já vai chamando de titio ou titia e vai puxando assunto e mostrando alguma coisa e chamando a pessoa pra ir lá ver o que ele tá mostrando e assim vai interagindo e coisa e tal. Ontem uma mulher com quem ele "conversava" apertou a bochecha dele com as duas mãos abertas e a levou para junto de si. Levei um susto pensando que aquela estranha ia beijar meu pequeno, mas foi só uma demonstração de carinho... sem beijo.


Todo Mundo Gosta de Mim
(Ultraje a Rigor)

Todo mundo gosta de mim (4x)

Eu sei que eu sou bonito, divertido e inteligente
Só não sei como é que eu pude conquistar toda essa gente
É uma coisa tão gostosa e todo dia eu agradeço
É tão bom sentir-se amado mas, no fundo, eu mereço

Todo mundo gosta de mim (4x)

E conforme eu vou andando eu vou parando e dando a mão
Pras pessoas que me chamam e confessam sua paixão
É polícia, é bandido, é bacana, é fudido
Todo mundo dá um sorriso e me olha enternecido

Todo mundo gosta de mim (4x)

E até a roupa que eu uso todo mundo quer usar
Mesmo a que está no meu corpo, às vezes tenho que tirar
Alguns vêm me dar dinheiro, alguns querem me tocar
As meninas pedem beijo e sempre querem me abraçar

Eu não sei se é o meu cheiro, que é gostoso pra danar
Até quando eu solto um peido, todo mundo quer cheirar
Pode ser minha simpatia, o meu corpo, ou o meu olhar
Mas o fato é que eu não encontro quem não canse de me amar

Todo mundo gosta de mim (4x)



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Curiosidade

Eu sou curiosa.

Minha bisavó era curiosa, minha vó é curiosa e a minha mãe também. Portanto, eu só tinha de ser assim. Esse blog de lorotas que vos fala tem sido o meu melhor (e único) hobby. Gosto muito de escrever sobre trivialidades, sentimentos, fatos, e gosto mais ainda de saber que ao menos dez pessoas por dia me lêem. Agora, o que eu não gosto é não saber quem são essas pessoas. Não que eu não goste, mas eu gostaria muito mais se eu soubesse quem são. Se eu pudesse me tornaria amiga delas e trocaria ideias. No post do Alemão eu já deixei isso claro: gosto de ter intimidade com os meus leitores. Não vou ficar aqui implorando por comentários nos posts, obviamente. Contudo seria muito interessante saber quem anda me lendo e um fidibequizinho também pra variar. Por exemplo, essa semana alguém leu vários textos do blog, inclusive o primeiro que eu postei. Se leu mais de dois é porque não são tão ruins assim, né? Só que eu queria saber se ela vai voltar... sim, além de curiosa, sou carente também. Volta, vai...

domingo, 11 de setembro de 2011

Pica-Pau: a babá moderna

Já paguei língua por um monte de coisa que falei. Quem nunca pagou, não é verdade? Mas a mais recente dela é o fato de relegar o meu filho à televisão. Eu confesso. O ideal seria brincar com ele de jogos educativos, no quintal, ou ler histórias... Acontece que é tão mais fácil deixá-lo entretido com o Pica-Pau. Toda criança adora Pica-Pau. Até hoje eu gosto (se bem que eu desconfio às vezes que meu lado criança e adolescente continuam latentes). Ele fica até uma hora inteira na frente da tevê rindo das travessuras do passarinho de topete vermelho. E uma hora em termos de Pedro Paulo é um recorde mundial. Quem o conhece sabe que é um pouquinho (muito) inquieto. Foi um trabalho árduo ensiná-lo a assistir televisão. Tudo começou com Patati e Patatá. Trouxe um dvd pirata da feira e coloquei no player há um ano mais ou menos. Foi amor a primeira vista! Aquelas cores, aquela música, aquelas crianças,... tudo tão lindo... mas durava tão pouco... no máximo, dez minutos. Daí passamos para o Chaves. Graças ao Cartoon Network ele podia desfrutar do Chaves quatro vezes ao dia. Era só eu andar para o lado da tevê que ele começa "Mamãe, pi-pi-pi. Mamãe, tá-tá-tááá!". Entre os favoritos estão também Dora, a Aventureira, A Galinha Pintadinha, Xuxa Só Para Baixinhos 2, Tom e Jerry, O Menino Maluquinho e WordWorld. Repetidos uma, duas, oito, trinta e três vezes ao dia. Decorei todas as músicas e falas dos personagens, mas tudo bem.

Eu não tenho mais televisão só para mim. Não sei quanto tempo tem que eu não assito a um filme ou um programa inteiro na tevê que não seja voltado para ele. Tá pensando que ser mãe é só ganhar presente no segundo domingo de maio? São coisas pequenas como o controle da tevê, uma parede rabiscada, uma panela amassada, um sofá rasgado, uma noite mal dormida, entre outras coisas, que dão sentido a esse relacionamento divino.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Formol

Ah, meu formol, meu formolzinho... Como dependo de você... Uma vez unido a cremes e outros produtos dá origem à MARAVILHOSA ESCOVA PROGRESSIVA (tudo em caixa alta mesmo que é para ostentar ainda mais a sua importância). Agora compreendo porque falta comida na mesa de algumas mulheres, mas não falta aquela visitinha periódica à cabeleireira. É o bendito formol. Uma vez colocado por sobre nossas cabeças é impossível voltar a viver sem ele. Esse aldeído, também chamado de metanal, até pouco tempo era conhecido somente como conservante de gente morta, contudo as peripécias que ele realiza em nossos cabelos nos traz muita vitalidade. Pode parecer exagero, entretanto, é a progressiva que nos permite entrar na água salgada do mar, cair em piscinas, andar de motocicleta e até mesmo passar a mão por entre os cabelos. Acredite, há muitas mulheres que sonham poder fazer essas coisas e não querer esconder a cabeça como um avestruz depois.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Acontece

Marcos a conhecera num bar em Ipanema. Uma viagem de negócios. Uma caminhada a noite pela calçada... para espairecer. Uma mulher inebriante tomando um martine sozinha no bar. Puxou o ar para os pulmões. O que tinha a perder? Absolutamente nada. Quarenta e dois anos. Divorciado há três. Bom emprego. Boa casa em Goiânia. Bons filhos. Tudo muito ameno. E, de repente, aquela mulher... inebriante. Era essa a palavra: i-ne-bri-an-te. Os ébrios vêem coisas que os sóbrios não vêem. Os bêbados conversam com o que há de mais recôndito na pensamento das pessoas. Pessoas bêbadas se deixam demonstrar. E por isso, enxergam melhor. E naquele momento ele via muito além da mulher loira de vestido e batom vermelho sentada no bar e bebendo um martine. Seria tudo muito clichê, se não fosse aquele magnetismo que o convidava a entrar no recinto.
Entra. Senta-se ao lado dela olhando para as taças na parede do bar. Fixamente.
-Não sei. Esperando algo interessante acontecer.
Sem mover o corpo, apenas a cabeça olha para ela e constata que aquelas palavras tinham sido para ele.
-Como?
-Eu sei que você se perguntava o que uma mulher tão bonita está fazendo aqui sentada, bebendo sozinha...
"Meu Deus, que voz sensacional!" - pensou Marcos. Sentia como se cada som daquelas palavras percorresse seu corpo e adentrasse todos os espaços, preenchendo-o.
-Não vou dizer nada. Se quiser, pode ficar aqui...
E ficaram alí por três horas sem trocar nenhuma palavra sequer. Um uísque para ele, outro martine para ela, outro uísque, mais um martine,... ambos mudos, inertes...
Ele resolve ir embora. Ela o acompanha. Sem palavras, sem gestos afetuosos, sem intimidades, caminham pela calçada. Estão assim apenas pela companhia. Não querem estar sozinhos. Mas também não querem conversar. Medo de estragar aquele momento agradável de silêncio e cumplicidade. Talvez outro dia conversemos. Talvez...

(*Não sou dada a histórias, mas de repente me deu vontade de escrever uma... Talvez eu a continue... Talvez...)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O banco do carro

Vamos combinar o seguinte: quando entrar no meu carro, não mexa na regulagem do banco. Ok? A menos que você tenha pernas muito, muito compridas que não caibam no espaço reservado a você. Ainda assim dirá educadamente "Ana, posso chegar o banco um pouco para trás?" Aí sim, após o meu consentimento você poderá deslocá-lo. A razão disso é o simples motivo de que eu não gosto que os bancos do meu carro fiquem desalinhados. Não, eu não tenho TOC! Essa é a única mania que eu tenho. A minha educação não me permite falar, mas não gosto nem um pouquinho quando alguém entra no meu carro como passageiro e vai logo chegando o banco para trás e reclinando ele! Vá a minha casa, abra a geladeira, tome água no bico na garrafa e feche a porta com o pé, mas não mexa no meu banco. Vá ao meu banheiro, urine na tampa e ao redor do vaso, mas não mexa no meu banco! Jogue um milhão de toalhas molhadas sobre a cama, mas pelo amor de Deus não mexa no meu banco!!!

Lembrei de postar sobre isso hoje porque ao entrar no meu carro, percebi que alguém tinha desarrumado a minha regulagem. Sabe o quanto é difícil encontrar a regulagem correta? O jeito ideal que suas pernas não fiquem nem esticadas demais, nem encolhidas. Que o encosto do assento fique agradável de se sentar? Fica aí a dica, amigos. Ao entrar no meu carro como passageiro não toque nas alavancas. Se entrar para dirigir, deixe tudo exatamente no lugar quando sair. Tenho dito!

sábado, 3 de setembro de 2011

Agradecimento aos homens

Toda mulher, em algum momento, deveria agradecer ao homens que passaram ou permacem na vida delas. O 8 de março é aclamado e comemorado, mas ninguém dá moral para o Dia do Homem... a propósito, que dia mesmo se comemora essa data? Se é que ela existe mesmo.

Enfim, nesse momento solene desse blog de lorotas quero fazer um agradecimento solene a todos os homens que conviveram e convivem comigo. Primeiramente, agradeço ao Pedro Paulo por encher meus dias de alegria e vida. Agradeço ao meu pai pelos sábios ensinamentos: rapadura é doce, mas não é mole, não; a vida é dura só pra quem é mole; onde o pote quebra, a rodia fica; quem não puxa saco, puxa carroça... e outras tantas lições que são bem mais que ditados populares: não matarás; não furtarás; não cobiçarás o alheio; não cometerás adultério... Agradeço também aos homens que me amaram ou aqueles que apenas gostaram de mim e demonstraram seu afeto tornando meus dias alegres... Aos meus amigos (homens), que por meio de conversas infindáveis,contribuiram para que eu compreendesse um pouco mais desse enigmático mundo masculino, pensado por duas cabeças...

Tenho de agradecer aos anônimos, que nem por isso são menos importantes. Obrigada rapazes que olham de soslaio quando passo e me acham bonita e me elogiam. Não posso deixar em momento algum de agradecer também aos homens que me fizeram sofrer, que me deram o fora, que disseram que eu era uma mulher maravilhosa, que todo homem adoraria namorar, mas naquele momento não queria nada sério... À vocês meu muito obrigada, seguido de uma banana e um "baby, baba!". Obrigada àqueles que se fizeram de difíceis e àqueles que se fizeram de desentendidos. Vocês me fizeram um graaaande favor, babacas!

E, por fim, obrigada homem da minha vida. Por existir.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Emoção, fome e música

Ontem eu tive inspiração para três posts! Mas em vez de parcelá-los falarei brevemente de cada um deles. Sou filha única e, portanto, lido muito bem com a solidão. Nos (raros) momentos em que me dou ao luxo de ficar sozinha penso, observo e descubro coisas novas. Ontem me proporcionei o prazer de ir ao cinema sozinha. Aaahh... Ir ao cinema sozinha... Que delícia... O que para alguns é meio deprimente, para mim é um momento de descobertas.

(...)

Por exemplo, descobri que filmes de comédia me fazem chorar. Posso parecer um pouco carrancuda e seca às vezes, mas o fato é que sou muito emotiva e sensível, só que disfarço bem pra não dar o braço a torcer (sou libriana, quaaase escorpionina). Eu assisti ao filme dos Smurfs. Sim, relembrar é viver! Sim, é do meu tempo! Sim, eu sou saudosista mesmo! E daí? Enfim, o filme retrata as dificuldades que os pequenos seres azuis (em Nova York) passam ao tentar retornar para sua Floresta Encantada. Mas o que me chamou a atenção mesmo e me fez soluçar aos prantos enquanto os outros riam, foi o fato de o Papai Smurf fazer tudo, tudo mesmo pelos seus protegidos. O que motiva uma pessoa a adotar para si a obrigação de cuidar de alguém? Digo, o Papai tinha uma vocação de ser papai dos demais smurfs. Ele fazia aquilo com um amor que eu conheço bem. Um amor de doação. De querer fazer o bem e fazer o que é certo. E tudo isso me toca profundamente. Principalmente por saber que existem pessoas assim na vida real.

(...)

Saí do cinema com uma fome lascada e fui para a praça de alimentação. Lembrei das aulas de planejamento gráfico. Você sabe quais são as cores da fome? Não, não estou falando da fome mundial, antes que você pense nos países pobres da África. Estou perguntando se você sabe da mensagem subliminar a que você se expõe toda vez que entra em uma praça de alimentação. Bingo! Um sanduíche do McDonald's, ou do Giraffas, ou um pastel da QG, ou uma esfiha do Habib's, e outras tantas, para quem disse que as cores da fome são amarelo, branco e vermelho. Recordo-me perfeitamente do professor Cláudio dizendo que essas cores despertam o nosso apetite. Interessante essas sinapses, né? Então, aproveitarei o momento para fazer um desafio: agora que você, amigo leitor, já está liberto desse imperialismo publicitário condicionador, eu o desafio a comer numa praça de alimentação em algum lugar que não tenha alguma dessas cores em sua logomarca.

(...)

Daí quando voltava para casa vim ouvindo Chico Buarque no carro. Me bateu uma saudade danada da Maianí. Devo a ela todo o meu bom gosto musical. Há dez anos atrás, quando comecei a tocar violão, a minha querida amiga pegava (na internet, que até então era pra poucos) cifras de músicas ícones do repertório brasileiro. Eu não sabia todas, mas ela cantava e eu tocava e formávamos uma dupla e tanto! Ou quase... apesar dos desafinos e dos acordes mal elaborados. Contudo, foi uma época muito linda: João e Maria, Geni, Cuitelinho, Xote das Meninas, Asa Branca,... sem falar de Cássia Eller, Adriana Calcanhoto, Caetano,... aai, Zé Ramalho... (suspiro)


domingo, 28 de agosto de 2011

Trânsito VI: transporte público coletivo

[A segunda opção de título seria Coletivo de merda: transporte público]

O tal do coletivo é uma merda! Perdoe-me a expressão, mas é mesmo. É por isso que o trânsito anda essa merda, perdoe-me novamente. Não conheço uma pessoa sequer que utiliza o transporte público coletivo porque gosta. Só andam nessa joça porque não têm outro meio de transporte ou porque fica mais em conta financeiramente. Desde os tempos da faculdade eu sou indignada com motoristas de ônibus, passageiros de ônibus, bancos de ônibus, tudo! Tudo!

Como eu morava relativamente perto do campus, muitas das vezes, os motoristas nem paravam para eu entrar naquela compota de estudantes e trabalhadores. Eles faziam apenas aquele sinalzinho como a mão juntando os dedos na vertical por várias vezes (aquele sinal que fazemos pra dizer que tá cheio). Eu morria de raiva! EU SABIA QUE ESTAVA CHEIO, MAS QUERIA ENTRAR ASSIM MESMO, PORQUE EU TINHA AULA! Ou eu saia de casa meia hora mais cedo para conseguir entrar na droga do ônibus (isso eu tô falando só pra entrar, passar na catraca e sentar era oooutra história). Daí, quando um motorista um pouco menos mal-humorado resolvia parar para me pegar, eu tinha de dividir um espaço entre o segundo degrau do ônibus e a porta com mais três pessoas. Contudo, eu ainda me considero uma pessoa de sorte, porque eram praticamente todos estudantes, e universitários são, em geral, cheirosinhos (exceto aquele pessoal que usa dread no cabelo).

Isso sem falar que a única vez que fui roubada onde eu estava? Onde? Na Praça da Bíblia, entre tapas e chutes para entrar no Itatiaia (era a linha que levava ao campus, carinhosamente chamado também de Istapiaia). E homem tarado? Nossa! Eu morria de ódio de ter de esbarrar naquelas protuberâncias salientes a encostar na minha bunda! Que inferno, meu Deus! Que inferno! Dentro dos coletivos encontramos toda sorte de gente. Os que me chamam a atenção são os sem-noção-demais. Aquelas pessoas que passam a viagem toda falando ao celular na maior altura. Ou aqueles que ouvem músicas com fone, mas que poderiam estar sem eles, porque todo mundo está escutando o som dele. Há os que dormem o tempo todo e babam no vidro até. Aqueles que se fazem de altista quando sentam nos bancos preferenciais. Não posso deixar de mencionar os que puxam conversa com todo mundo. Se sentar um surdo ao lado é capaz de pegar um papel e uma caneta no bolso só pra perguntar alguma coisa, nem que sejam as horas.

sábado, 27 de agosto de 2011

Conjugação verbal

Mamãe lavando vasilha na cozinha, Pedro na sala próximo à porta aberta.
-Mamãe, pota.
-O quê, meu filho? - respondo sem me virar.
-Mamãe, pota!
-Ah, tá... A porta...
-Mãe! Ó, pota!
-Tá bom, filho. Mamãe já viu a porta.
-Mamanhêê, poootaaa!
-Quê que tem a porta, meu amor?
(Páááá!) - barulho da porta batendo.
-Iiihh, potô...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Eu tenho saudade. Você não tem?

A exemplo de um grande amigo meu que sofre de lonjura, eu sofro de ausência. Sou muito apegada e saudosista. Gosto de ficar lembrando de bons momentos que vivi com boas pessoas. Por exemplo, eu tenho uma saudade danada da minha turma do prézinho. Se eu pudesse convocaria todo mundo pra uma festinha, estilo aquelas que fazíamos em que as meninas levavam salgadinhos, o meninos, refrigerantes, a tia dava o bolo (não literalmente) e o Japão levava os picolés da sorveteria do pai dele. O mais legal era saber que quando ia ter festinha o pai do Japão, por livre e espontânea pressão, doava 32 picolés para a nossa turma. E no final, a gente tinha sempre de levar um pouquinho pra mamãe num copinho de plástico. Era como um ritual pós-festa.

Por falar em ritual pós-festa, tenho saudade também do tempo em que saía com meus amigos sem ter hora para voltar pra casa. Quando chegávamos sorrateiramente de madrugada, pensando que ninguém estava nos ouvindo. Também sinto falta de fazer serenata com o violão e jogar rosas (ou qualquer outra coisa do reino vegetal, sim, porque animais nós nunca jogamos!) na garagem da pessoa que recebia a nossa agradável cantoria.

Sinto saudade da turma da faculdade e uma certa curiosidade pela vida de cada um agora, uma vez que nos separamos há mais de quatro anos... Puxa... Quatro anos!!! Todo mundo certamente mudou muito de lá para cá. Eu, por exemplo, passei a ser mãe. Alguns ostentam empregos legais; outros, nem tanto. Uns mudaram os cabelos; outros, os perderam. Uns já estão casados; outros, bem... tico-tico no fubá, como sempre. Perdoem-me, mas não quero ser ofensiva. De modo algum! Só quero ressaltar o quanto mudamos e o quanto deixamos para trás boas coisas das nossas vidas e que se soubéssemos que seriam tão efêmeras teríamos aproveitado com mais afinco. Se eu soubesse que não teria mais contato com esses meus amigos, certamente teria passado mais horas fora das salas jogando conversa fora.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O ipê-amarelo da estrada

Dirigir na maioria das vezes é um saco! Ao menos para mim, que não sou muito adepta a dividir espaços. Mas em raras circunstâncias o ato de dirigir nos proporciona sensações maravilhosas. Nesses últimos dias tenho observado os ipês-amarelos ao longo da estrada para o meu trabalho. Aqui, nesse cerradão de meu Deus, o tempo seco é um tanto quanto rigoroso. É um poeirão, não tem umidade no ar, faz um calor da muléstia e as coisas ficam todas acinzentadas. Mas eis que o ipê-amarelo chama a atenção. Entremeio às árvores de pequeno porte, contorcidas, de folhas embaçadas e o capim marrom-amarelado surgem as flores de um amarelo tão vivaz, vívido, vislumbrante que vivifica qualquer ser vivente que passa por ali (aqueles que se dão ao luxo de olhar ao redor, é claro, pois há pessoas que só enxergam o negro do asfalto quando dirigem).

Quando vejo aqueles ipês... amarelinhos... se destacando na paisagem, meu coração se enche de alegria. Como se Deus sussurasse no meu ouvido "tá vendo? ele tá fazendo a diferença no cenário dele? e você? o que tem feito?". Até quando as flores caem, o chão fica iluminado. Contudo, o ipê não floresce o ano todo. Ele guarda forças enquanto as outras árvores brilham, pra depois voltar fulgurante novamente.

domingo, 21 de agosto de 2011

A dádiva

Eu amo o meu filho. Isso é um clichê porque qual mãe não ama o filho incondicionalmente? Mas estou falando de MÃE, mãe mesmo, mãe de verdade! Pois há mulheres por aí que simplesmente se dão ao trabalho de gerar e parir e soltam os bichinhos no mundo sem dar-lhes o mínimo que eles merecem por serem também filhos de Deus. Nem gastarei o meu francês falando dessas vadias desnaturadas que abandonam os filhos ou não cuidam deles. Vou me resumir em falar da minha experiência com a maternidade, que, sem dúvida alguma, foi a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos 25 anos.

Não costumo dizer que tive uma gravidez indesejada (acredito que palavras ruins atraem coisas ruins), digo apenas que ela não foi planejada por nós. Contudo, foi perfeitamente planejada por Deus. Quando engravidei me perguntava muito "por quê? por quê, Deus? por quêêê foi acontecer comigo?". Não explicitarei detalhes técnicos da concepção pois não é adequado falar sobre isso em um blog, mas adianto que sou uma pessoa esclarecida sobre métodos anticonceptivos, e no entanto, aconteceu. Enfim, depois de passado o susto maior, veio a aceitação e depois o apego. O momento mágico da minha gravidez foi quando fiz o primeiro ultrassom e o médico falou: "Seu filho tem o tamanho de um feijão. Escuta só o coraçãozinho dele." E batia tão acelerado. E era tão lindo imaginar que o meu feijãozinho tinha um coraçãozinho que já batia e toda aquela vida estava dentro de mim e dependia de mim... Foi a missão mais sublime de toda a minha vida. Eu disse pro médico: "Eu quero esse menino mais que tudo nessa vida."

Desse momento em diante tudo se transformou por completo. Junto à mudança da rotina vieram as mudanças de comportamento, mudanças físicas, todos os seu valores são lançados numa mesa e você os reordena em prol daquela vida que está para nascer. Quando eu estava em Santa Catarina, uma amiga me falou, assim, por acaso, ela nem sabia que eu estava grávida... "Ana, somente pelo meu filho eu seria capaz de matar." Vocês conseguem imaginar o que passa no coração de uma mulher quando o assunto é seu filho? Nós perdemos qualquer razão, pudor, medo, preguiça,... o amor materno é o sentimento mais superior ao qual eu pude ter contato (em termos humanos, é claro, porque o amor de Deus é do borogodó!)

Eu amadureci tanto nesses quase três anos que às vezes não me reconheço. Sempre tive boa índole, caráter e senso de responsabilidade. Entretanto, agora sou uma mulher de verdade. Não que eu esteja subestimando as minhas amigas que ainda não são mães, só que, modéstia à parte, nós mamães, matamos um leão por dia. Leão nada! Mato dois tigres, uma onça-pintada, três pumas e uma jaguatirica! Quando eu engravidei o meu sábio pai disse: "Onde o pote quebra, a rodia fica." Trocando em miúdos é o que Saint-Exupery escreveu: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Eu levo isso a sério demais. Meu filho é o meu maior presente e gosto de fazer jus a isso, nem que eu tenha de abrir mão de um monte de coisa, carregar o mundo nas costas ou buscar energia de onde nem se imagina. Um sorriso dele, associado a três beijinhos (um em cada bochecha e um no queixo) e um maamãããee arrastado paga qualquer, qualquer coisa nesse mundo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Já pensou se você fosse adotado?

Acabei de chegar da feira. Comi um delicioso peixe frito, dois espetinhos, uma pamonha e duas cervejas. Mas o importante não é isso. Eu quero falar sobre o que a dona da banca me contou e que me fez refletir por alguns segundos e, por fim, postar aqui.
-Você só tem esse?
-Ah, sim! Um filho já dá muito trabalho...
-Eu tenho três! Um de 14, outro de 12 e uma de 6! Essa última é muito inteligente! Ela é adotada, mas ainda não sabe, não, sabe?
E saiu para atender outra mesa.
Fique me perguntando como seria contar para uma criança que ela é adotada. Que não é filha de sangue, apenas de criação. Comecei a me perguntar um monte de coisas... É mais importante quem pare ou quem cria? Os laços afetivos são menos importantes que os genéticos? Como essa menina receberia essa notícia? Qual seria o impacto de uma informação desse nível na vida de alguém? Nossa! Me perguntei tanta coisa! Me coloquei no lugar dessa mulher. No lugar da menina. No lugar da mãe sanguínea. Dos irmãos...

Há pessoas que pensam que seus problemas são os maiores do mundo. Pensam isso simplesmente porque não conseguem enxergar o quanto há vidas muito mais complicadas que as nossas. O fato de não ser filha de quem você acredita que é mexe completamente com a noção de identidade que você tem acerca de si mesmo. Ou não, né? Porque ninguém é igual a ninguém. De repente, quando a mulher lá da feira contar para a menina que ela é adotada ela diga apenas "é? então tá!".

Olimpíadas: Arremesso de celular

Estou começando uma série de postagens novas. São sugestões de modalidades olímpicas que inventei. A primeira é, sem dúvida, a mais legal: arremesso de celular à distância.
Quem nunca teve vontade de jogar o celular bem longe ao menos uma vez na vida? Seja por ter recebido aquela ligação/mensagem desagradável ou por não ter recebido aquela tão esperada. Ou por ter te despertado na melhor parte do sonho. Ou por ter visto algo de que não gostou no celular do namorado/peguete. Ou, simplesmente, por não deixar você fazer o seu trabalho.

Adoro tecnologia! Apesar do fetiche por coisas antigas. Mas o celular tem se revelado uma benção e uma praga ao mesmo tempo! No banco a nossa relação com celular é péssima. Somos obrigados a atender dezenas de pessoas o mais rápido possível e o cliente pensa que só porque esperou quarenta minutinhos na fila não deve ter respeito com os demais. Acontece muito que o cliente chega ao meu guichê falando ao celular e quer que eu espere ele terminar de falar para atendê-lo. Eu pergunto o que deseja e ele faz um sinal com a mão para eu esperar. Não!!! Eu não espero, não!! Se você está ocupado porque veio ao guichê então? Não quer ser atendido? Vai ser atendido e é agooora!
-Pois não, senhor? No que posso ajudar? - falo enquanto ele fala.
Sinal com a mão.
-Não, senhor. Eu não posso esperar o senhor terminar sua conversa. Há clientes aguardando e eu vou chamar o próximo.
Normalmente as pessoas desligam o aparelho nesse momento, mas quando não acontece eu chamo o próximo, o atendo e saio em seguida do guichê para fazer a pausa de 10 minutos de exercício pra prevenção à L.E.R. Sim! Eu sou implicante! Confesso! Mas é que as pessoas não têm bom senso e acham que eu sou obrigada a esperar eles terminarem seus assuntos (às vezes de negócios financeiros, às vezes amorosos, às vezes só conversa fiada mesmo).
É nesse momento que entra a modalidade olímpica. Eu tomo o celular da mão do cliente e jogo-o o mais longe que conseguir. Como minha agência é pequena, as chances de ele se estraçalhar na parede são enormes.
Há casos em que eu somo os valores a serem recebidos e constato que o numerário está a menor (bancariamente falando). Digo para o boy e ele pega o celular para ligar na empresa e dizer que está faltando dinheiro. Por que raios não deixou pra dizer isso lá??? Ligar do meu guichê ia mudar alguma coisa? Não! Só atrasar o meu serviço em um minuto! E um minuto para quem trabalha no caixa significa três autenticações.
Há casos em que a pessoa não anota o número da conta corretamente. Novamente faz-se uso do telefone móvel. Há casos em que não trazem o CPF pra fazer TED ou DOC. Ó o celular de novo! Há casos de ligarem para passar saldo: "Fulano, tem dois mil na conta. Quer que eu saque quanto?" Por que? Por que?? Por queeee não tirou a droga desse saldo lá fora no auto-atendimento e ligou para o fulano de lá mesmo e que viesse no caixa só para saca dinheiro, então!?

Minha inspiração: o professor revoltado. Isso sim é um cara de fibra!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Culinária: Lagarto ao Molho Madeira

Mais uma vez a Fantástica Cozinha de Ana Rosa Lorota vem nos presentear com uma receita di-vi-na. Depois do sucesso da Galinha Recheada, chegou a vez de aprendermos como se faz um maa-raa-vi-lho-so Lagarto ao Molho Madeira (letras iniciais maiúsculas dão mais pompa ao prato, acho que inclusive vou afrancesar o seu nome para Lagartò au Sauce Madère).

Primeiro passo: escolher o lagarto, - veja bem, eu disse lagartO, não me apareça com uma lagartA, pelo amor de Deus! - de preferência um bem gordo. Pode ser daqueles que andam no muro, ou aqueles verdões que cavam buracos no quintal... a versão branca de parede (vulgo: largatixa) não é muito apropriada para o prato... o ideal mesmo seria um teiú, mas está cada dia mais difícil conseguir um desses... Os importados também são excelentes. Muito cuidado ao abatê-lo para não prejudicar a aparência na hora da montagem do prato. Abra-o pela barriga porque a pele do dorso é suculentíssima. Não descame. Tempere com alho, sal e limão. Refogue e coloque um pouco de água. Pero no mucho!

Segundo passo: a preparação do molho madeira exige uma escolha criteriosa de ingredientes. Não pode ser qualquer pinus ou eucalipto, não! É preciso uma madeira de verdade, tipo, mogno, jacarandá, angico ou pau-brasil, pois serão elas que vão conferir verdadeiro sabor ao lagarto. Retire lascas da madeira escolhida. Mas atenção: devem ser cortadas com uma machadinha fabricada em Minas Gerais, caso contrário, o sabor do prato será prejudicado. Coloque-as numa panela com leite de coco e cogumelos shitake, uma pitada de sal e outra de açúcar (este para cortar a acidez da madeira).

Terceiro passo: misture tudo e sirva com uma generosa porção de arroz. Fica uma dee-lí-cia!

domingo, 14 de agosto de 2011

Quem será o Alemão?

Há uma pessoa na Alemanha que visita o meu blog às vezes. Acredito que não seja um alemão ou uma alemã. Mas não faço ideia de quem seja e fico curiosíssima em saber. Imagino um brasileiro (ou brasileira) que me conhece e de vez em quando pensa: vou lá ver o que a Ana anda escrevendo... Todavia eu não conheço ninguém na Alemanha!!! Já tive amigos na Áustria! Tenho amigos nos EUA, na Itália e em ilhas paradisíacas perto do Japão... Mas Alemanha??? Quem será? Quem seráááá???

Um mundo de possibilidades infinitas

Você já agradeceu a Deus hoje? Se lembrou de agradecer por tudo que tem e por aquilo que não tem também? Agradeça se tiver uma espinha na testa e agradeça por não ter um câncer de pele. Agradeça por andar de carro e agradeça por não andar em uma cadeira de rodas. Agradeça por poder ver aquele rapazinho que você estava tão afim saindo com outra. Melhor ver isso do que não ver nada. Sei que pareço um pouco trágica, contudo é preciso cair na real e constatarmos que temos uma vida perfeita. E que tudo que é ruim, pode sim ser piorado. E quando passamos da insatisfação para a gratidão a nossa vida melhora sobremaneira. Se você tem problemas financeiros, em vez de falar a todo momento que está endividado, que seu dinheiro não rende e que ganha pouco, experimente agradecer de coração por aquele salário que Deus te proporcionou naquele mês. Faça isso três meses seguidos e depois me conte o resultado.

sábado, 13 de agosto de 2011

Peripécias do caixa

Todo mundo já teve sua identidade botada à prova em alguma ocasião. Por diversas vezes temos de passar por circunstâncias em que somos questionados se nós somos nós mesmos. Por exemplo, quando vamos fazer um vestibular, ou entrar em um recinto restrito, ou o melhor de todos: quando vamos sacar dinheiro em um banco. Adoro esse último porque eu sou o algoz da questão. Sou eu quem olho para a pessoa com cara de desconfiada e a deixo toda constrangida.
O sujeito se aproxima do meu caixa:
-Bom dia. Pois não?
-Quero fazer um saque.
-Me empresta sua identidade e o cartão da conta, por favor.
Entrega-me a identidade. Olho para a foto e para ele, para a foto e para ele, para a foto e para ele. Normalmente na segunda vez ele dá um sorrisinho. Não sei porque as pessoas riem quando fazemos isso. Parece um impulso! Quase todos riem! Será que pensam que devem ser simpáticos para que eu os reconheça na foto? O que na verdade é uma incoerência, porque ninguém fica simpático em foto de identidade.
-Não tá parecendo você, não... - digo pra dar uma amedrotadinha. Olho para a foto e para ele pela quarta vez e balanço a cabeça.
Nesse momento a pessoa perde a simpatia e começa a ficar meio desesperado.
-Não. Mas sou eu sim! Eu tenho outros documentos aqui ó: CPF, título de eleitor,... e vai tirando as coisas da carteira...
-Ah, mas nenhum desses tem foto. Mas vamos fazer o seguinte: eu vou fazer o saque e vou fazer o reconhecimento pela a sua assinatura, tá bom?
Para ser caixa precisamos saber um pouco de grafoscopia e datiloscopia, porque a caligrafia da pessoas tem traços característicos que permitem identificá-la e digitais não existem duas idênticas no mundo.
-Assina aqui, por favor, como está na identidade. (Depois vide aqui, mas depois...)
A pessoa assina. Daí eu pego aquela assinatura e começo a olhar minuciosamente cada detalhe e compará-lo com a identidade. (Obviamente só faço isso nos dias em que não há movimento, por que em dias cheios já teria pago o cliente há muito tempo!) Examino a autenticidade da identidade, olho para a assinatura, se preciso, pego opinião com outro colega. Sempre na maior desconfiança, porque eu gosto de ver a fragilidade do cliente quando eu ponho em dúvida a sua veracidade. Normalmente as pessoas tendem a ficar nervosas quando são colocadas em cheque sobre si mesmo.
Eu, por exemplo, posso ter certeza de algo. Mas quando alguém fala "tem certeeeeza?", pronto! Ela vai toda embora! O cliente também é assim, tanto que pergunta:
-Quer que eu assine de novo? Deixa eu dar uma olhadinha como está aí!
-Assina de novo, por favor. O mais parecido possível. Porque aí fica difícil pra mim, né? A foto não parece! A assinatura não confere! Vai que depois o titular da conta vem aqui e briga comigo por ter entregue o dinheiro dele pra outra pessoa... - brinco um pouco para parecer menos carrasca.
-Não. Mas a conta é minha mesmo. - enquanto assina novamente - Não sei pra que tanta burocracia pra sacar o meu dinheiro...
-Você deveria nos agradecer por estarmos cuidando tão bem do seu dinheiro! - repreendo-lhe.
Por fim, resolvo pagá-lo. Na verdade, eu ia pagar de todo jeito desde o primeiro foto/fucinho, mas de que adianta trabalhar num lugar desses e não se divertir um pouco?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Rotina e antiguidades

Perdoem-me a ausência. Mas de tempos em tempos acontecem coisas na vida da gente que nos tiram um pouco da rotina. Infelizmente não poderei partilhar aqui com vocês as mudanças que têm ocorrido ultimamente. Não que vocês não mereçam saber da minha vida interessantíssima - sim a minha vida é muito interessante, tá? ao menos para mim... Pode ser que para vocês pareça chato acordar, brincar com o filho, cuidar da casa, ir trabalhar no caixa de um banco, voltar, brincar com o filho e dormir. Contudo, são os pormenores que tornam tudo muito interessante. Por exemplo, eu vejo crônicas em todas as situações: quando estou no carro, ou brincando com o menino, ou atendendo ou conversando com alguém. Tenho vontade de escrever sobre todas as pequenas coisas do meu cotidiano. Então por que não escreve, Ana Paula? Às vezes, por falta de tempo, às vezes por não me lembrar sobre o que eu queria escrever... Perda de memória recente, como a Dora de Procurando Nemo.

Deveria andar com um bloquinho a tira-colo como os jornalistas antigos faziam. Hoje o negócio são tablets, eu sei tá? Mas as coisas antigas me fascinam muito (fora que as novas são muito caras), somente pela sua beleza nostálgica. Daqui uns dias publicarei a foto da minha tevê preto e branco, com botãozinho de rodar para trocar os canais. Mooorram de inveja! Eu posso não ter namorado, mas tenho uma tevê preto e branco antiga que ainda está funcionando... Que tal? Hein? Hein? Muitas pessoas têm namorados, mas poucas têm o privilégio de ter um aparelho desses.

Prometo não me abster de vocês por tanto tempo novamente. Adoro esse blog! Adoro as pessoas que lêem esse blog! Adoro os comentários que recebo sobre o blog! Vocês merecem a minha dedicação.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Perguntar ofende, sim!

Eu acho uma tremenda palhaçada quem fala que perguntar não ofende. Ofende, sim! E muito, dependendo da circunstância. Hoje, por exemplo, coloquei uma batinha para ir trabalhar. Duas pessoas me perguntaram se eu estava grávida!!! É a morte para uma mulher perguntarem se ela está grávida! Nessa pergunta vêm embutidas a seguintes falas: você está meio gordinha ou tá barrigudinha, hein?

Até para mim que sou magrinha essas falas tem cunho ofensivo, por mais que sejam ditas de forma carinhosa (como foram). Depois que tive meu filho, fiquei com uma protuberânciazinha abdominal que não consigo remover por nada nesse mundo - tá certo que até agora só tentei preces... e nada de exercícios, dietas ou massagens, mas tenho enviado muitas vibrações para que ela me deixe.

Enfim, uma dica para os homens: sejam cavalheiros e jamais pergunte se uma mulher está gestante, por mais redonda que ela pareça. Para as mulheres: não sejam sarcásticas a ponto de estragar o dia de outra.

Aqui estão mais alguns exemplos de perguntas ofensivas:
-Querida, você está mesmo namorando aquele gaaato?
Pensamento: Por que? Eu não sou digna de namorar um homem bonito? Não faço jus à beleza dele?

-Mas você ganha só R$ 800,00, mesmo? Como você vive com isso?
Pensamento: Não é porque eu tenho um salário menor, que o meu dinheiro valha menos que o seu.

-Você é gay?
Pensamento: Será que estou com trejeitos de gay? Por que será que estou dando essa pinta?

domingo, 31 de julho de 2011

Culinária: Galinha recheada

Para quem pensou que esse blog fosse apenas de lorotas, aqui vai um trunfo que eu estava guardando na manga! A Lorota da Rosa também é gastronomia! E da mais requintada! A nossa receita de hoje, como o título do post já disse, é uma galinha recheada de farofa. Há dois modos de realizá-la e escreverei os dois aqui. O primeiro são para aquelas pessoas com menos tempo, cujas atribuições rotineiras não permitem pratos muitos sofisticados. Já a segunda exige um pouco mais de dedicação e trabalho. Vamos lá.

1º modo:
-Mate a galinha. Sim. É imprescindível que ela esteja morta para a facção do prato.
-Depene a galinha. Pode-se fazê-la com a penas, só que as penugens ficam entre os dentes quando comemos, como fiapos de manga, por isso não é legal.
-Tire as tripas e tudo o mais que você não tiver coragem de comer. E tempere o que sobrar.
-Em seguida, prepare a farofa da sua preferência.
-Encha as cavidades da galinha com a farofa. Não precisa ter pudor de enfiar farofa em TODOS os buracos.
-Beleza. Coloque numa travessa e ponha no forno para assar.

2º modo:
-Cative a galinha. Seja amiga dela. Convide-a para jantar e faça com que ela coma muita farofa.
-Se for preciso, dê-lhe um pouco de vinho.
-Certifique-se de que ela está abarrotada de farofa.
-Agora, coloque-a no chão e vá tocando e falando shhiitt, shhiiit... até ela entrar no forno.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma bunda e dois peitos

Mulher é muito engraçada. Depois de passadas as situações é que consigo enxergar o quanto somos paradoxais. O corpo feminino é assunto para muitas conversas e demonstrações. Essa semana passei por duas cenas no mínimo estranhas (dado o local que se passaram e que não posso revelar). Na primeira uma amiga me mostrou a bunda alegando que não tinha nenhuma celulitezinha sequer:
-Eu não tenho celulite na bunda. Você quer ver?
-Não, obrigada. Eu acredito em você.
-Mas eu vou te mostrar!
E abaixou as calças.
Depois - não no mesmo dia, porque é muita emoção para um dia só - outra amiga me disse que tem vontade de fazer cirurgia nos seios...
-Olha só! Eles são grandes demais...
-Menina! Bota esses peitos pra dentro!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Música

A primeira vez que ouvi Rolling in the deep da Adele eu me emocionei muito. Apesar de não compreender inglês, o ritmo, a batida, a força e a imposição da voz mexeram comigo. Não canso de ouví-la. Ouço, re-ouço e torno a ouvir e não vou sossegar enquanto não estiver tocando-a (e cantando) no violão. Quando procurei pela letra e pela tradução pude entender porque ouve tanta sinergia entre nós.

We could've had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
But you played it
To the beat

terça-feira, 26 de julho de 2011

Porque menino é menino...

Pra quem acha que só Jesus faz milagres, saiba que meu bebê também é um excelente multiplicador de coisas... um pouco mais pragmático, é claro: se ele tem um brinquedo, joga no chão com bastante força e logo terá dois brinquedos! Domingo mesmo ele transformou meu óculos em dois monóculos novinhos sem muito esforço... Foi apenas um crec! e vualá! Um monóculo para usar de dia e outra para a noite! Magnífico!

Outra lição importante que aprendi com ele também é que devemos estocar para o inverno, pois nunca sabemos o quão rigoroso será (ou quando vão clonar o nosso ticket alimentação). Há alguns dias atrás lhe dei um pedaço de chocolate à noite e ordenei:
-Senta lá no sofá pra comer seu chocolate.

Ele foi, ficou lá uns minutinhos e voltou. Pedindo mais. Não dei, é óbvio. Chocolate não é coisa que se coma a torto e a direito, muito menos a noite.

No outro dia pela manhã, quando entreguei a mamadeira para ele vi que ele estava comendo o pedacinho de chocolate que eu havia dado no dia anterior. Sofá: despensa de menino. Prova disso foi ontem no almoço quando dei uma asinha de frango para ele comer. Foi lá fora e a ofereceu ao coelho (que não aceitou), colocou em cima da cadeira, pegou um brinquedo, brincou, brincou, brincou, pegou a asinha de frango na cadeira, se sentou no sofá e pronto.

Lá pelas quatro da tarde tá lá o moleque mastigando a tal da asa do frango, que certamente ele guardou em algum buraquinho do sofá!

Tenho até medo do dia em que o sofá for para a reforma! Acho que o tapeceiro encontrará uma colônia de seres mutantes lá dentro, venerando a foto do seu líder, que não será ninguém mais, ninguém menos que o Pedrão, que lhes proporcionou meios de sobrevivência.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Meia-calça preta

Você já sentiu saudade daquilo que nunca viveu? Eu já. Sinto saudade do tempo em que eu morava num lugar frio, onde podemos vestir roupas quentinhas e sair super elegante pelas ruas. Mas desde sempre vivo nesse cerradão de meu Deus, que só faz frio quinze dias por ano.

Ontem quis me dar o luxo de ir um pouco mais chic para o banco e coloquei saia, scarpin e meia-calça preta. E te digo: meia-calça preta é fetiche de muitos homens. Os olhares eram inevitáveis. Eu sei que parece um pouco estranho. Lá fora um calorão e eu lá dentro de meia-calça. Mas eu queria usar e pronto! Vou ter de esperar a boa vontade do tempo esfriar para eu me vestir bem? Ou terei de pegar um avião e ir para o sul? Não é justo!

Sobre o fetiche dos homens por meia-calça preta tenho outra consideração a fazer. Ouvi um comentário ontem dizendo assim: Seja o qual for o propósito dessa mudança de visual da Ana, veio em boa hora! Meu ego inflou como um baiacu.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Trânsito V: taxistas

Não suporto taxista. Exceto o pai da minha amiga, que antes de ser taxista é pai da minha amiga e, portanto, gostável. Mas os demais... pif!!! Esses serezinhos ignóbeis (exceto o Seu Pai da Minha Amiga) são bipolares no trânsito.

Quando estão sozinhos no táxi andam como uns desvairados ultrapassando pela direita, pela esquerda, por cima e por baixo. Buzinam quando lhes atrapalhamos. Passam nos sinais vermelhos. Dirigem como se eles fossem quem mais entendessem de trânsito na cidade, na Terra e no Espaço! Acredito que fazem essas peripécias até pegarem seus clientes...

...porque depois que entramos no táxi... eles andam lentamente... param em todos o sinais... escolhem as ruas com mais semáforos... E as reticências são propositais para dar essa noção de morosidade... Exceto pelo taxímetro, é claro! Que continua no mesmo ritmo frenético de quando eles andam sozinhos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Perguntas cretinas

Lembra-se do Saraiva? Pergunta idiota, tolerância zero! Meu ídolo! Trabalhar em um banco e atender dezenas de pessoas todos os dias nos rende um bocado de histórias pra contar. Contudo nada se compara às perguntas descabidas de alguns clientes. Preparei uma pequena seleção das respostas que eu gostaria de dá-los, mas que minha ética não me permite (ainda).

-Assine aqui, por favor.
-Quem? Eu?
-Não. Um espírito incorporado no senhor. Psicografa aqui pra mim.

-Assine aqui, por favor.
-Onde?
-Aqui. Bem onde eu coloquei o "x".

-Assine aqui, por favor.
-Meu nome?
-Não. Assina o meu!

-Digite a sua senha, por favor.
-A de letra ou de número?
-O senhor está vendo alguma letra aí além de ENTRA ou CANCELA?

-Digite a sua senha, por favor.
-A de letra ou a de número?
-A de letra, senhor.
-Mas não tem as letrinhas aqui!
-Então digita a de número, senhor!

-Digite a sua senha, por favor.
-Todos os números?
-Não. Digita só o primeiro e o último pra ver se dá certo.

-Digite a sua senha, por favor.
-Todos os números?
-Não. Só os dois primeiros.

-Qual o número do seu telefone, senhor?
-Qual? O meu?
-Não. O meu. Fala aí o número do meu telefone. Vamos ver se você sabe.

-Aqui, senhor, mil reais. Vinte notas de cinquenta.
-São todas verdadeiras?
-Não. Tem uma falsa aí no meio. Mas eu duvido que o senhor saiba qual é.

-Aqui, senhor, mil reais. Vinte notas de cinquenta.
-São todas verdadeiras?
-São sim, senhor. Eu mesma as fiz.

domingo, 17 de julho de 2011

Cebolas


No primeiro filme do Shrek ele disse ao Burro que somos como cebolas. Feitos em camadas. É verdade. Eu, por exemplo, sou feita de camadas. A primeira é a mais grossa de todas. Poucos conseguem penetrá-la. Os que conseguem logo dizem: "Nossa, Ana! Eu pensava que você era completamente diferente! Você é legal, mas à primeira vista é tão séria..." E eu respondo com um leve sorriso nos lábios que o meu mundo tem entrada restrita.

Lembrei disso hoje quando descascava uma cebola para o almoço. A primeira camada estava completamente podre! Mas depois de retirá-la constatei que todo o resto estava intacto e são. Há uma membrana fininha que separa uma camada da outra. Será que é essa membrana que não deixa que a podridão de uma camada se espalhe pelas demais? Não sei. Meus conhecimentos em biologia são parcos. Contudo, entendo de gente, ao menos um tiquim, o suficiente para afirmar que é bom ter cautela com as camadas das pessoas. Às vezes, temos a oportunidade de conhecer pessoas que tem camadas podres bem no meio da cebola e ficamos decepcionados com elas. Mas o que quero dizer aqui realmente é que depois de uma camada há outra, que talvez seja melhor.

sábado, 16 de julho de 2011

Dê relevância ao que é relevante

Parei de chorar olhando para o espelho. Houve um tempo em que eu chorava todos os dias. Achava que minha vida era a pior que existia e não sabia que ela estava ruim porque eu a fazia assim. Me ver chorar era auto-comiseração, como uma auto-afirmação do quanto eu fui injustiçada, maltratada, esnobada, desprezada, mal amada, e todos os "adas" negativos possíveis.

Hoje quando meu filho cai, não dou muita atenção para o tombo dele. Falo apenas "que isso, meu filho? Tombinho a toa! Não foi nada, não! Levanta! Vai brincar!" Isso foi uma lição que aprendi recentemente: quanto mais importância damos às coisas ruins que nos acontecem, mais proporção elas ganham dentro do contexto.

Ainda choro quando fico triste. Porque é humano se permitir ficar triste. Mas não permito que esse sentimento se aposse de mim e more no meu coração como um parasita. Por isso eu digo que nada acontece na nossa vida fora do tempo. A maternidade tem sido uma dádiva em termos de aprendizado e crescimento para mim. Como eu descobriria tudo isso se eu não tivesse engravidado naquela ocasião? Como seriam meus dias sem a presença irradiante do meu filho amado? Certamente, mais opacos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sarcasmo S/A

Meu humor é sarcástico. Muitas pessoas já fizeram mau juízo a meu respeito por não entenderem que em determinadas situações eu estava só brincando ou tirando um sarro de alguém. Meus amigos - mas os verdadeiros mesmo! - sabem do meu sarcasmo e me aceitam como sou. E fico contente porque eles sim compreendem as minhas tiradas.

Lembrei disso hoje ao dar uma resposta a um pedinte no semáforo. Acho que para ele soou como arrogância, mas não era! Eu estava de ótimo humor e aproveitei para extravasar isso.
- Posso falar com você, moça?
- Você já está falando, moço.

Há uma outra também que eu a-do-ro!
- Posso te fazer uma pergunta?
- Oooutra?!! Mas você já acabou de fazer uma!

A minha grande vantagem é que falo as coisas com um tom sério na voz (seriedade, a propósito, é o meu carma), o que faz com que as pessoas não entendam que se trata de uma piada e fiquem me olhando com cara de espanto. Ontem no banco, um rapaz foi descontar um cheque do próprio pai. Fiz tudo de praxe, conferi assinatura, colhi o endosso e depois de passá-lo na leitora:
- O cheque tá sem saldo.
- O quê?
- Não tem dinheiro na conta pra pagar o cheque.
- Tá falando sério??!!
- Tô.
Ele coçou a cabeça e quando pegou o celular para ligar para o pai (suponho), eu autentiquei o cheque e disse:
- Tava brincando, moço.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Perdão, posso ajudar?

Ontem refleti muito sobre o ato do perdão. Cheguei à conclusão que perdoar é um dos atos mais difíceis de realizar. Somos humanos e, portanto, imperfeitos. Estamos sujeitos a falhas a todo instante e uma hora outra ou fazemos algum mal a alguém ou alguém nos faz algum mal. Esquecer, perdoar, por uma pedra em cima de tudo é quase impossível e aqueles que o conseguem fazê-lo são verdadeiros heróis. O ressentimento é como uma erva daninha daquelas que crescem nas menores rachaduras do asfalto. Uma brecha qualquer serve para que a mágoa ou a lembrança venha à tona.

Juro que gostaria de perdoar todas as ofensas que já proferiram contra mim. Todas as vezes que me fizeram chorar. Todos os pedidos negados. Todas as palavras ditas e não ditas. Dizem que o melhor caminho para começar a perdoar alguém é pedindo-lhe perdão. E, realmente, quando pedimos a alguém que nos perdoe é como se puséssemos parte da nossa culpa para fora. Tipo faxina em casa, sabe? Às vezes, temos de tirar nossos próprios móveis do lugar para limpar a sujeira que está debaixo.

Mas o perdão só faz sentido (ao menos para mim) quando a outra parte tem ciência de que foi perdoada. É meio confusa essa minha opinião, mas tentarei ilustrá-la. Há uma semana faleceu uma amiga minha que eu gostava muito. E dois dias antes de ela falecer eu havia estado no trabalho dela, mas não a vi, não fui até a sala dela para dar-lhe um "oi" sob o pretexto de que estava com pressa e depois eu voltaria lá e a veria. Quando soube da notícia que ela havia falecido, lembrei na hora que eu não a vi quando tive oportunidade. Assim é o perdão. E se a pessoa morrer antes de você dizer que a perdoou? Não se sentirá culpado de não ter proporcionado essa alegria a ela? Sim, pois ao menos para mim, quando perdoam minhas falhas eu me sinto feliz e disposta a não errar novamente.

Em momento algum eu disse que tudo isso que eu escrevi acima é fácil ou simples. Contudo, é o tal processo de evolução que temos de passar.